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Surpresa em comemoração ao Dia dos Namorados!

06/12/2012

 Olá pessoal! Estou aqui de passagem rápida para matar as saudades e convidá-los a participar de uma aventura envolvendo um dos casais que mais amamos aqui no blog, Rose e Dimitri!

Sim, vocês pediram há milênios atrás e eu não esqueci! Escrevi um conto com o maior carinho para comemorarmos o Dia dos Namorados em alto estilo! Espero que gostem!!

Dimitri e Rose no Brasil – Um conto de verão

Sob o fino lençol que me cobria, o calor era tão insuportável que por um momento eu pensei que o ar condicionado não estava funcionando. Sentei-me na cama e vi uma luzinha verde acesa no aparelho. Ligado.

“Ainda sem sono?”, Dimitri perguntou ao rolar para o lado e me encarar como se estivesse achando graça da situação. Acho que já era a quarta vez que eu verificava a  temperatura.

“Me responda mais uma vez, Dimitri. De quem foi essa ideia maluca de trazer Lissa para se esconder no Rio?”

“Sua. Única e exclusivamente sua”, ele respondeu colocando suas mãos atrás da cabeça, deixando a mostra aquele peitoral sobre o qual eu aprendi a dormir. O melhor de todos os travesseiros, apesar de não contribuir muito para o controle da minha temperatura, afinal a pele dele é sempre tão quente!

Relativamente frustrada e me sentindo impotente, eu me atirei para trás, atingindo com relativa força o travesseiro.

“Onde eu estava com a cabeça quando achei que esse era um ótimo plano?”, eu perguntei em voz alta esperando que fosse fazer mais sentido. Não fez. A verdade é que depois que Jill foi atacada, o circo pegou fogo na corte real e na primeira oportunidade inventamos uma desculpa esfarrapada que justificasse a saída dela e de Lissa daquele lugar. Assim, alegando a existência de um encontro político entre Morois de outras partes do mundo onde seria discutida a segurança da raça, desembarcamos no Brasil após uma longa viagem.

Já Jill, Adrian, Eddie e Sydney tomaram outros rumos, pois achamos que seria mais seguro manter as duas últimas Dragomir separadas enquanto não descobríssemos o verdadeiro culpado pelo ataque. Por uma sugestão de Abe eles seguiram meio às escondidas até Palm Springs, onde Jill pelo menos poderia continuar seus estudos em segurança até segunda ordem. Nós, ou melhor, eu, sugeri o Rio de Janeiro. Difícil era dizer quem estava passando mais trabalho com a intensa exposição ao sol, nós ou ele.

Quando questionada por pessoas mais viajadas o motivo desta reunião no Brasil ocorrer em pleno verão, estação em que o sol raramente dá trégua, eu imaginei que estavam apenas xeretando atrás de alguma fofoca e por isso respondia que era por questões de segurança, mas agora entendo o motivo de tais questionamentos. Isso aqui é um inferno onde o sol reina como o verdadeiro lúcifer encarnado!

“Nós precisávamos de um destino improvável e você apareceu com a solução”, Dimitri respondeu depois do que pareceu uma eternidade. “Eu não vejo qual o problema”.

“Você tá de brincadeira comigo, Dimitri? Eu estou me sentindo um maldito picolé fora do freezer!”. Ele riu alto da minha comparação, apesar de eu não estar fazendo nenhuma piada. Somente tolerei tamanha falta de consideração, pois Dimitri me puxou para seus braços e me calou com um inesperado beijo de tirar o fôlego.

“Você precisa relaxar um pouco”, ele sussurrou no meu ouvido para meu deleite, rolando para cima de mim em seguida. Eu estava quase começando a seguir o conselho de Dimitri, quando percebi que toda aquela movimentação em cima da cama era para tirar um pequeno dispositivo de dentro do criado-mudo ao meu lado.

“Deixe-me apresentar uma coisa a você” – Dimitri disse com sarcasmo, sacudindo o pequeno objeto diante dos meus olhos, o maldito controle do ar condicionado!

“Meu herói!” – eu respondi entrando no clima da brincadeira. “Agora me dá isso aqui”. Eu estendi o braço, mas não foi o suficiente para pegar o controle da mão de Dimitri, que o levantou até o topo de sua cabeça. Olhei bem dentro daqueles olhos castanhos. “Ok, camarada, se é assim que você prefere…”.

Com Dimitri praticamente sentado sobre mim não havia muito o que fazer. Eu precisava da vantagem a meu favor, logo o puxei contra meu peito até que não houvesse espaço entre nós e inverti a situação. Como ele mantinha os braços afastados para que eu não pegasse o precioso tesouro que segurava, Dimitri estava impedido de usar qualquer um de seus membros superiores. No entanto, pra quem tem um bom preparo físico essa não é uma grande incapacitação. Além disso, sempre há a possibilidade de se jogar sujo o que, para minha infelicidade, foi a escolha de Dimitri. Cada vez que eu me aproximava para tentar agarrar seus braços, ele lambia o que estivesse ao alcance de sua língua.

Não me entendam mal. Eu sei que ser lambida pelo namorado pode ser extremamente excitante, mas eu não estava no clima para peripécias de conotação sexual naquele momento, logo quando recebi a primeira lambida na cara minha reação foi tal qual a de qualquer ser humano: recuei, após um gritinho meio histérico, limpei a área atingida e parti pra cima dele de novo. Ninguém lambe Rosemarie Hathaway e fica impune!

Não sei por quanto tempo ficamos nos engalfinhando em cima da cama sob o pretexto de disputar a posse do controle, mas depois de vinte minutos eu tenho certeza de que nós já havíamos esquecido do pobre artefato eletrônico. Éramos duas pessoas competindo pela conquista do poder sobre a outra, um joguinho de dominação com uma pitada de adrenalina e muita sedução. Eu não sei explicar, mas as coisas realmente esquentam entre nós sempre que simulamos qualquer tipo de duelo físico.

De qualquer forma, acabamos os dois sem fôlego, sem roupas e um sobre o outro. Num canto da cama, o lençol que antes nos cobria era apenas uma faixa de tecido torcida; uma das pontas pendia em direção ao chão.

“O ar condicionado, por favor”, eu implorei sem mover uma sobrancelha, sendo prontamente atendida.

“Pega, você fez por merecer”, Dimitri disse com um sorriso nos lábios e me alcançou o que eu tanto tentei tirar dele.

Uma hora depois e com a temperatura do quarto controlada, até deu vontade de sair do hotel e ver o que essa tal de cidade maravilhosa tinha a nos oferecer.

Estávamos hospedados na praia de Copacabana, na cobertura de um dos hotéis mais tradicionais da cidade, já que dinheiro não era um problema. Tudo de melhor para a rainha, certo? Foi a maneira mais efetiva que encontramos para conciliar conforto e segurança ao mesmo tempo, pois assim tínhamos total controle de quem acessava o andar. A regalia veio a calhar porque para Lissa e Christian, que também nos acompanhava, essa viagem estava sendo como uma pequena lua de mel – os dois não tinham um momento a sós há muito tempo.

Por isso achamos que seria mais conveniente deixar um bilhete por baixo da porta do quarto deles ao invés de acordá-los para avisar que daríamos um volta na praia. Aliás, a única razão para eu e Dimitri termos nos dado o luxo de sair de perto dos Morois que protegíamos é porque na verdade não estaríamos tão longe assim. A praia estava do outro lado da rua. Além disso, com o sol raiando do lado de fora os dois estariam seguros contra Strigois já que para todos os outros males, existia Christian e seu poderoso fogo.

Foi necessário que nos camuflássemos, para não chamar a atenção em meio a tantas pessoas. Sem reclamações eu vesti um biquíni e uma bermudinha jeans para ter onde esconder e carregar minha estaca enquanto Dimitri usava um tradicional calção de banho, desses que ficam um pouco acima do joelho, pelos mesmos motivos. Não que ele fosse usar algo mais ousado se pudesse, como uma sunga, afinal não é o estilo dele. Com óculos escuros para não ficarmos cegos com o reflexo do sol na areia e chinelos de dedos nós pés, caminhamos pelo calçadão observando o que parecia mais um belo dia de praia para centenas de pessoas. A distância que percorremos foi equivalente ao que nossa consciência permitiu, ou seja, pequena, concordando em colocarmos na areia um guardassol disponibilizado pelo hotel e ficarmos instalados nas mediações do mesmo.

“Astro-rei, hora de fazermos as pazes”, eu anunciei ao estender uma toalha sobre a areia deitando-me sobre ela com a bermuda ao alcance das minhas mãos. Dimitri fixou o guardassol e juntou-se a mim logo em seguida, sentando-se com as pernas flexionadas contra o peito e os braços ao redor delas, num silêncio diferente do normal.

“Você está bem?” – eu perguntei a ele.

“Apenas pensando… eu estou realmente fazendo as pazes com o sol”. As palavras de Dimitri me causaram um aperto no peito, afinal ele ainda estava passando por um processo de adaptação desde que deixou de ser um Strigoi. Há pouco tempo, inclusive, ele surtou enquanto acabava com a raça de um deles e se não fosse eu pará-lo, acho que continuaria até sua mão não aguentar mais, confessando-me logo adiante que ainda é assolado por lembranças horríveis de quando fazia coisas das quais se arrepende até hoje. Dimitri não mencionou nada sobre ser privado do sol, mas para alguém que costumava ficar comigo sentado nos bancos da escola, tomando aquele primeiro sol da manhã, não deve ter sido agradável viver na escuridão. Sem mencionar que todo Dhampir sabe o valor de poder se expor ao sol e jamais se privaria de um prazer desses sem bons motivos. Deve ter sido uma péssima experiência.

Eu queria confortá-lo de alguma forma, mas como me faltaram as palavras ideais, limitei-me a tocar gentilmente sua perna. Ele apenas olhou para mim, deu um breve sorriso e voltou a encarar a linha do horizonte que separava o céu do mar.

“Pode parecer uma bobagem agora, mas eu estava certo de que nunca mais sentiria isso, o sol, o calor emitido por ele…” – Dimitri suspirou antes de continuar. “Depois de um tempo você aprende a apreciar a luz da lua, das estrelas e o veludo negro do céu, mas não é a mesma coisa. Nada se compara à beleza e ao colorido de um dia ensolarado porque …”. Eu completei a frase dele quase sem pensar.

“Porque faz você se sentir vivo”. Ao ouvir minha resposta Dimitri voltou a olhar pra mim e sorriu com curiosidade.

“Como você pode me entender tanto?”.

“Essa é fácil, camarada”, eu disse espiando por cima dos óculos. “Porque eu sou exatamente como você e… eu conheço você”.

“Boa tentativa, mas eu vi  você hesitar. O que mais você ia dizer?”

“Nada, era bobagem.”

“Não tem problema. Eu quero saber mesmo assim”.

“Não, você quer me deixar com vergonha, isso sim”.

“Vergonha, por que? Eu nem sei o que você ia dizer. Eu apenas fiquei curioso, porque…”.

“Tudo bem, tudo bem, eu falo”. Ele não ia desistir, eu sei que não. “Eu ia dizer que entendo bem você porque… Porque eu te amo, ok? Pronto eu  disse.”

Sorrindo, ele deitou ao meu lado e ficou me encarando com uma cara de bobo.

“Eu amo você também, Roza. Sempre amei. Sempre”. Um ar sombrio voltou a tomar conta da expressão de Dimitri. “Mesmo quando eu era aquele monstro que infelizmente você teve a chance de conhecer”.

Franzi a testa tentando dar sentido ao que acabara de ouvir e Dimitri percebeu o que se passava pela minha cabeça.

“Eu sei, é difícil relacionar um sentimento como o amor com Strigois, mas de uma forma doentia, sádica e egoísta existe espaço para o amor no mundo deles. Lembro que a coisa mais importante pra mim era ter você ao meu lado custe o que custasse, naquele caso, sua vida. E pensar que eu cheguei a imaginar que não seria um preço alto a se pagar para passarmos a eternidade juntos como dois monstros…”

Um nó formou-se em minha garganta e eu o engoli seco.

“Esse assunto lhe incomoda?”, ele perguntou, inseguro ao notar minha reação.

“Não, não se trata disso. Eu apenas não imaginava que havia um real sentimento por trás de tudo que…”

“De tudo que eu lhe fiz passar” – ele completou. Eu tive que concordar.

“Eu estava cego, Roza. Completamente obcecado em ter você só pra mim”.

“Você me acharia uma louca se eu lhe dissesse que isso soou extremamente romântico?”. Meu comentário trouxe alegria de volta aos olhos de Dimitri, que abriu um sorriso devastador.

“Digamos que um pouco”, ele disse ao dar uma piscadinha.

“De qualquer maneira eu sou só sua agora. Viu? Missão cumprida, camarada”. Com isso peguei sua mão e a acariciei suavemente. Na mesma hora meu celular tocou, indicando que recebera uma mensagem.

“Algum problema?”, ele perguntou sério ao ver que fiz uma careta.

“É hora de voltar ao trabalho”, lamentei ao verificar que se tratava de Lissa avisando que ela e Christian já haviam acordado.

“Bem, foi bom enquanto durou”, Dimitri disse já se levantando e sacudindo a areia do seu corpo.

De volta a nossa prisão domiciliar, sendo o sol nosso principal carceireiro, impedindo-nos de sair para a rua com Lissa e Christian, não nos restou outra alternativa a não ser aproveitar os serviços oferecidos pelo hotel. Almoçamos no restaurante localizado no primeiro andar, assitimos a um filme durante a tarde e conversamos um pouco sobre quais seriam planos para a nossa noite especial.

Lissa vinha insistindo há dias para que eu e Dimitri levássemos ela e Christian a algum lugar diferente ao invés de fazermos pequenas caminhadas pelos arredores do hotel, como de costume e por essa razão assim que o sol começou a se por, pegamos um táxi e seguimos para um dos pontos turísticos mais cobiçados da cidade.

O que eu podia dizer? Era muito mais seguro estarmos perto de nosso refúgio caso algo acontecesse do que se estivéssemos em meio a uma multidão de pessoas a mais de 700 metros de altura, mas nós devíamos isso a eles. Além disso, visitações como a que iríamos fazer eram permitidas apenas durante o dia. Hoje, no entanto, devido a comemorações festivas locais, seria possível apreciar uma das mais belas vistas da cidade à noite, uma oportunidade rara. Então, armados até o pescoço pegamos um dos táxis em frente ao hotel, deixando que Lissa ficasse responsável por  informar ao taxista nosso destino. Desde que decidimos vir ao Brasil, ela começou a estudar português e essa era sua chance de colocá-lo em prática.

“Boa noite”, disse o senhor de aparentemente 40 anos que estava ao volante assim que embarcamos. Lissa o cumprimentou dizendo o mesmo, estampando um de seus simpáticos sorrisos e aproveitando o contato visual para acrescentar um pouco mais de segurança ao nosso passeio.

“Nós estamos indo para o corcovado visitar o cristo redentor, mas assim que descermos deste carro o senhor não lembrará do que viu e ouviu aqui dentro, entendido?”

O brasileiro não teve nem o que questionar. A compulsão de Lissa quando usada em humanos tinha um efeito impressionante, mesmo que com baixa intensidade. Se o pobre homem não tivesse ficado tão estuporado, eu teria achado graça da situação. Eu não era a única a ficar impressionada com a facilidade de Lissa em exercer poder sobre qualquer um, desde que assim desejasse. Dimitri também a observava com curiosidade. Já Christian, com adoração e orgulho. Na sua testa era possível ler em letras garrafais “minha namorada é f…”. Eu não o culpo, afinal ela era mesmo.

Porém havia algo de diferente nela hoje e eu não tinha como descobrir o que era a não ser pelos métodos tradicionais de questionamento, pois nosso laço psíquico estava rompido sem previsão de retorno, o que significava que eu não tinha mais a capacidade de invadir a mente dela e arrancar respostas. Só sei que Lissa estava evitando me olhar nos olhos e isso já era mais do que um sinal de que ela estava escondendo alguma coisa, mas em nome de nosso passeio eu tentei fingir não ter percebido e guardei minhas perguntas para um momento mais oportuno. Conhecendo minha amiga, se se fosse algo realmente sério, Lissa não hesitaria em dividir o que quer que fosse conosco.

Talvez em virtude disso minha curiosidade tenha dado lugar à tensão quando Lissa respirou fundo, ergueu sua cabeça e pediu a atenção de todos por um instante. Ela não parecia estar com medo, apenas receosa do impacto que suas palavras poderiam ter, o suficiente para me deixar ansiosa.

“Adrian me ligou hoje pela manhã, enquanto vocês estavam na praia”. Eu senti meu coração acelerar ao ouvir aquele nome, entendendo o motivo de Lissa não estar me olhando nos olhos. Ela sabia que eu ainda estava digerindo o fato de Adrian não querer me ver na frente dele nem pintada de ouro depois que soube me envolvi com Dimitri enquanto ainda estávamos namorando.

“Como ele… como eles estão por lá?”, eu perguntei falhando ao fingir despretensão.

“Eles estão bem. Sydney, Jill e Eddie parecem estar adaptados à rotina da nova escola e têm se relacionado bem com os colegas e Adrian parece estar aproveitando bastante o curso de artes no qual se matriculou. O problema …”.

“Que problema?”, Dimitri interrompeu, parecendo preocupado, com sua atenção voltada unicamente a Lissa naquele momento.

“Bem, Adrian não entrou em detalhes, mas parece que humanos estão usando sangue de vampiros em tatuagens para dar aos interessados certos… poderes”. Uma sequência de xingamentos vindos dos demais ocupantes do carro seguiu a resposta de Lissa. “E..”

“Ainda tem mais?”, eu perguntei, incrédula. Lissa deu um pequeno sorriso sem graça.

“E é possível que o alquimista responsável por Sydney nesta missão esteja envolvido com isso”. Mais xingamentos. “Mas imagino que seja apenas uma suposição, então não há porque nos preocuparmos com isso agora”.

“Como você pode ter certeza?”, Christian perguntou.

“Eu acho que se eles estavam em um evento de moda, do qual Jill inclusive participou como modelo, não me perguntem sobre isso, por favor, acho que está tudo sob controle”. A amargura na voz da minha melhor amiga dizia que ela não estava muito feliz em saber que sua irmã mais nova estava se expondo dessa maneira. Mas Lissa tinha razão. Ninguém seria louco de correr um risco tão grande como sair da escola se não fosse absolutamente seguro, principalmente se Eddie estava junto. Depois da morte de Mason e principalmente depois que ele salvou Lissa de um ataque dentro da própria corte real, Eddie se tornou extremamente neurótico com questões de segurança, um motivo a mais para confiar no julgamento dele quanto a isso. Eles provavelmente queriam apenas um pouco de diversão, da mesma maneira que nós, hoje.

Sendo assim, fizemos um esforço conjunto e decidimos que deixaríamos esse assunto de lado pelo menos durante as próximas horas e curtiríamos nosso passeio como verdadeiros turistas o fariam. Apenas com algumas precauções a mais, é claro.

Se havia qualquer dificuldade em nos esquecermos do que Lissa contou no táxi, certamente ela foi colocada em segundo plano ao chegarmos no corcovado. O local estava repleto de pessoas, exigindo concentração total minha e de Dimitri. E não era só isso. A beleza do lugar tinha o poder de acabar com qualquer tipo de preocupação. Aproveitando que todos os recursos estavam disponíveis para os visitantes, não pensamos duas vezes em comprarmos nossos ingressos para o trenzinho que faz a viagem até o topo do morro no qual encontra-se o cristo redentor.

O que eu pensei que seria uma viagem entediante no meio do escuro acabou sendo uma bela surpresa, pois ao longo de todo o caminho feito pelo trenzinho, havia iluminação para que pudéssemos apreciar parte da vegetação e fauna que nos cercava. Mas o que mais chamava atenção era a vista que começava a se formar à medida que atingíamos uma altitude cada vez maior, pois as luzes da cidade iam se tornando pequenos e distantes pontos luminosos que contornavam toda a orla carioca. Em algumas paradas estratégicas era possível descer do trem e apreciar a paisagem de um mirante, onde a iluminação era mais escassa, possibilitando-nos ver além de quase toda a cidade, uma variedade infinita de estrelas no céu. Magnífico!

Todavia, nada se compara com a sensação de quando se chega no mesmo nivel da base da estátua gigante do cristo redentor.

“Uau, isso é de tirar o fôlego!” – exclamou Christian, com razão. Lá de cima tínhamos uma vista de 360 graus da cidade. O reflexo da lua era como um grande holofote iluminando aquele belo cenário, tornando o céu mais claro que o de costume. Bem, pelo menos para seres com sentidos aguçados como os nossos. Eu não posso falar pelas centenas de humanos que estavam junto conosco, pois tenho certeza de que estávamos presenciando um espetáculo completamente diferente do deles.

Ficamos ali por quase meia hora explorando todos os cantos do mirante, registrando em nossas mentes as imagens que nossas câmeras digitais não eram capazes de reproduzir sem perda de qualidade. Ainda assim fizemos algumas fotos para mostrar aos nossos amigos depois.

Eu até me permiti um pouco de distração, dando um pulo quando minha mão foi tocada, provavelmente movida pela culpa, afinal um guardião deve estar sempre em alerta. Porém, quando reconheci os dedos que passaram a se entrelaçar com os meus, relaxei novamente.

“O que aconteceu com a nossa combinação de fazer um passeio sem preocupações?” – Dimitri disse com uma voz suave, percebendo que eu estava no mundo da lua já há algum tempo.

“Desculpa, mas é que parece errado estarmos nos divertindo tanto quando eles podem estar correndo perigo. E ainda tem Adrian…”.

“O que tem ele?”

“Essa birra toda. Ele não fala comigo desde… você sabe. E eu tenho medo de que ele não tenha dito à Lissa tudo que está acontecendo porque ele sabe que ela não me esconderia nada e ele não aceitaria nenhuma ajuda que viesse de mim. Será que eu consegui ferrar com tudo dessa vez?”.

“Dê tempo a ele, Rose. Tempo sempre é o melhor remédio”. Dimitri se aproximou e passou seu braço por cima de meu ombro e beijou minha testa quando apoiei minha cabeça nele. “Vai dar tudo certo, você vai ver”.

“Espero que sim” – eu respondi.

“Mas agora nós precisamos voltar para o hotel. Lissa e Christian precisam se alimentar e você sabe como hotéis são chatos quanto a horários de visitas”.

“Céus, claro, vamos indo. Eu perdi a noção do tempo aqui em cima”.

“Acredite, você não foi a única” – Christian respondeu ao se aproximar. “Eu e Lissa é que precisamos nos alimentar e aparentemente apenas Dimitri ainda lembrava disso”. Nós todos rimos do comentário, o que aliviou um pouco o clima.

Então voltamos para nossa cobertura no Copacabana Palace e chamamos dois fornecedores de sangue voluntários para Lissa e Christian. Após cumprirem sua função, os dois brasileiros foram dispensados com suas memórias apagadas para que não se lembrassem de nós e antes que tivéssemos tempo para fazer qualquer coisa o celular de Dimitri tocou. Antes de antender, ele resmungou algo em russo ao reconhecer o nome de quem estava chamando.

“Alô” – Dimitri respondeu deixando transparecer seu sotaque. Após uma breve pausa veio uma sucessão de respostas afirmativas como “Sim, sou eu”, “Sim, estão todos bem”, “Sim, eles estão aqui comigo”. E depois de mais um silêncio, esse maior que o da primeira vez, Dimitri pediu à pessoa do outro lado que esperasse um segundo e colocou o celular sobre a mesa de centro.

“Certo, Sr. Mazur. Você está no viva-voz a partir de agora”. Eu não consegui esconder o choque.

“Abe? Mas que diabos?”

“Sempre um prazer falar com você também, Rose. Agora escutem, todos vocês, porque isso é muito importante. Há pouco, Adrian e Sydney foram atacados por Strigoi…”. Foi tudo que ele conseguiu dizer.

“O que?! Strigoi?”, eu perguntei histericamente, sentindo o sangue gelado em minhas veias. Lissa e Christian eram duas estátuas em estado de choque. Dimitri era só ouvidos.

“Foi totalmente inesperado…”, Abe tentou continuar mas eu o interrompi de novo.

“Isso é tudo culpa sua, sabia? Essa ideia de mandá-los a Palm Springs, porque lá a chance de um ataque de Strigois é remota, não poderia ter sido pior. Pelo amor de Deus, Abe, se algo aconteceu com eles, eu juro…”.

“Cala a boca, Rose. Agora.”, Abe vociferou palavra por palavra, possuído por uma ira que eu jamais o vi manifestar, pegando-me totalmente desprevenida. “Eu não tenho tempo para seus ataques de fúria, então guarde-os para quem não tem mais o que fazer. E controle essa sua língua afiada porque você não está falando com nenhum de seus amiguinhos”. Alguns segundos de silêncio se passaram até que meu pai conseguisse se recompor e continuar, dessa vez sem interrupções. Ele fez com que eu metesse o rabinho entre as pernas e me recolhesse a minha insignificância.

“Como eu ia dizendo,  foi um ataque totalmente inesperado, mas felizmente nada demais aconteceu. Eddie chegou até eles em tempo de acabar com os Strigoi. Então, para os mais alterados, não há motivo de preocupação. Estamos entendidos, Rose?”. Eu me neguei a responder, engolindo a seco a resposta que eu gostaria de dar a ele. Pode até soar paranóide, mas eu juro que ouvi Abe dar aquela risadinha maldosa de quem estava esperando exatamente isso de mim. Que ódio!

Dimitri foi quem deu seguimento à conversa, afinal ninguém melhor do que ele para esse tipo de formalidade. Quando ele perguntou se os Strigoi tinham alguma relação com o fornecimento de sangue de vampiros à humanos, Abe esclareceu que o esquema de tráfico ilegal de sangue de vampiros estava sendo liderado pelo alquimista Keith, que usava como fonte de sangue Clarence, o Moroi em cuja casa Adrian estava hospedado. Já os Strigoi tinham ligação com o filho de Clarence, Lee.

“Há 15 anos Lee foi transformado em um Strigoi contra sua vontade, permanecendo assim por dez anos, até que um usuário de espírito o trouxe de volta a vida”, explanou Abe.  A semelhança dessa história com a de Dimitri era tanta que cheguei a me arrepiar. E eu não fui a única. Eu podia sentir a tensão de Dimitri ao meu lado.

“O problema foi que ele não ficou muito agradecido por isso e estava procurando uma forma de voltar a ser Strigoi. No entanto, algo muito estranho aconteceu, pois mesmo sugando o sangue e tirando a vida de diversas pessoas, ele ainda continuava vivo, um Moroi”.

“Não faz sentido…”, Dimitri balbuciou.

“E não para por aí. Mesmo depois de ter seu sangue drenado por Strigoi, os que atacaram Sydney e Adrian, e ser alimentado com o sangue desses monstros, nada aconteceu. Bem, quer dizer, ele morreu. De verdade. Lee não se transformou”. A mente de Dimitri parecia acelerar tentando acompanhar a sequência dos fatos.

“Como isso pode ter acontecido?”. A perturbação de Dimitri era evidente e somente por isso eu tinha vontade de pegar Abe pelo colarinho da roupa excêntrica que sem sombra de dúvidas ele estava usando e sacudí-lo até que cada parafuso solto dentro daquela cabeça voltasse ao seu lugar.

“Nós ainda estamos procurando essa resposta, Belikov, mas acreditamos que tendo alguém como você por perto seria mais fácil encontrá-la”.

“Abe, não… por favor”, eu intervim, escolhendo com cautela minhas palavras e ciente do inútil poder delas, afinal como tudo que diz respeito a Abe, aquilo não era bem um convite e sim uma convocação. Dimitri deveria se apresentar em Palm Springs nos próximos dias, levando-nos todos com ele. Somente lá veriam o que fazer conosco enquanto Dimitri estivesse envolvido nesse novo projeto.

O que o destino reservava a cada um de nós agora era um mistério. Uma coisa, porém, era certa. Nossas férias no Brasil haviam chegado ao fim.

~~~~~~~~~~~~~~* * *~~~~~~~~~~~~~~

E aí o que acharam? Por favor, deixem seus comentários! =D

E um Feliz Dia dos Namorados a todos!

7 Comentários leave one →
  1. Fernanda permalink
    06/12/2012 12:55 PM

    Ameei! Parabéns Little, ficou muito boa a história!
    Dá até vontade de continuar lendo e lendo… haha

  2. Bárbara permalink
    06/12/2012 3:33 PM

    AMEI a história Little!!!!!! Bateu até a saudade da época q eu ficava esperando toda a semana para ler a sua versão de Last Sacrifice. Como eu odiava esperar chegar o fim de semana, mas mesmo assim valia a pena ficar esperando🙂

  3. 06/13/2012 3:11 PM

    Demorei, mas aqui estou eu…
    Quero mais Little!!!!!
    Nháááááá
    Me bateu aquela saudade de Dimitri x Rose!!!!Ç_Ç

  4. 06/13/2012 3:43 PM

    Demorei, mas aqui estou eu…
    Quero mais Little!!!!!
    Nháááááá
    Me bateu aquela saudade de Dimitri x Rose!!!!Ç_Ç
    *esperando você escrever outras histórias*

  5. Nick permalink
    06/13/2012 5:26 PM

    Haaaaaaa A-M-E-I serio!!1 Tava com taanta saudade,to ate emocionada,quero mais litlle!!! Uma fic da sid com Adrian e o resto do nosso precioso elenco serio maravilhoso nao axa?? rsrsrs Bjooos

  6. .:Little.Crazy.Dhampir:. permalink
    06/14/2012 11:39 AM

    Nhá! Que bom que vcs gostaram!! Queria ter mais tempo pra poder escrever mais coisas, mas infelizmente não é minha realidade no momento. Num futuro distante, quem sabe?

  7. A. Déborah permalink
    06/16/2012 10:09 AM

    Adorei o conto! =)

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