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Fanfic Last Sacrifice – Dobradinha Final

08/31/2011

Eu queria dizer muitas coisas, mas eu sinceramente não consigo organizar minhas ideias agora. Foi tudo muito intenso, e eu até agora não consigo crer que finalmente terminei. Sempre acharei que poderia ter feito melhor se tivesse mais tempo, mas foi o que eu pude arrancar de mim nesse perido que pedi para escrever. Espero sinceramente que gostem, que atenda aos desejos de todos. Por favor comentem! Não importa se já tiverem dito o que vocês queriam, cada comentário, mesmo repetido tem seu valor. Se seus comentários forem longas cartas ou uma simples palavra, quem se importa? Eu certamente não.

Eu ainda vou me pronunciar sobre o final da fic, mas não aqui e não agora. Eu preciso digerir a ideia de que cheguei ao fim desse projeto!

Obrigada de coração a todos que acompanharam… e boa leitura!

Já tarde demais.. com vocês… os capítulos 53 e 54

Para ler todos os capítulos anteriores, clique aqui

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Fanfic Last Sacrifice (by Little) – Capítulo 53

ATENÇÃO: ESSE CAPÍTULO POSSUI CENAS QUE PODEM NÃO SER ADEQUADAS PARA DETERMINADAS IDADES. LEIA POR SUA CONTA E RISCO!

Então a rainha Ariana Szelsky disse algo que me surpreendeu.

“Guardiã Hathaway, em nenhum momento afirmei que considero nossa sociedade perfeita e muito menos que as decisões referentes à sua condenação foram as mais adequadas, então eu agradeceria se você não depositasse em mim sua frustração com as pessoas que estavam anteriormente no poder”. Ok, nesse ponto ela tinha razão. Não que eu fosse admitir isso e me desculpar ali em público, afinal meu orgulho não permitiria, mas pensando bem eu realmente estava condenando-a por algo de que ela não tinha culpa, fazendo com ela o mesmo que haviam feito comigo. “Eu estou aqui apenas para decidir o que fazer com alguém que está usando fins para justificar os meios, achando que está fazendo justiça dentro de uma sociedade que não funciona assim. Pelo visto minha decisão lhe causou certa revolta, mas, com todo o respeito, eu acho que ao invés de reclamar você deveria estar agradecendo, pois as penas que estão sendo aplicadas a você e a seu pai são brandas e reversíveis a longo prazo. E que fique claro que ainda estou levando em consideração o respeito que tenho pela sua mãe e pelos serviços prestados por ela a minha família, pois qualquer outra pessoa que estivesse no meu lugar agora não estaria sendo tão complacente. No entanto, você está alterada demais para perceber isso e por essa razão eu relevarei sua reação intempestiva e lhe darei até o final do dia para repensar sua decisão”.

“Não será necessário me dar mais tempo… vossa Alteza”, eu disse com esforço. Era estranho assimilar a ideia de que já tínhamos uma nova governante. “Minha decisão está tomada e eu não pretendo mudá-la”.

“Nem eu a minha, guardiã Hathaway. Sinto muito. Gostando ou não você continua tendo este prazo. Espero que até lá você consiga pensar com mais clareza e mudar de idéia, pois nós temos muito a perder com essa sua decisão, mas sem sombra de dúvidas você estará perdendo muito mais”. Espere sentada por mim, eu pensei. “Você tem algo mais a dizer?”.

“Não”. Eu não poderia ter sido mais seca.

“Então está dispensada”. Na mesma hora eu virei as costas e me dirigi à saída como um touro enfurecido. Abe e Dimitri se olharam como se conversando em silêncio enquanto Lissa através da nossa ligação pedia que eu me acalmasse, o que me enfureceu mais ainda. Ao lado dela minha mãe parecia esforçar-se para manter o controle e acredito que, se pudesse, estaria me pegando pelos cabelos antes que eu conseguisse chegar à porta exigindo satisfações.

Por fim, Abe acenou com a cabeça e Dimitri disparou em minha direção, desviando de cadeiras e outros obstáculos no caminho. Eu não diminuí meus passos, seguindo porta afora com o estômago embrulhado, certamente somatizando a difícil digestão das últimas informações. Eu, Rosemarie Hathaway, proibida de atuar como guardiã. Só de me lembrar da sentença eu tinha vontade de vomitar.

Quando Dimitri me alcançou, eu estava na antessala do auditório abrindo passagem em meio a uma multidão de Morois e Dhampirs que certamente vieram de longas distâncias apenas para acompanhar o processo eletivo, mas que agora aguardavam o desfecho de mais uma novela, a minha. Recebendo alguns olhares, eu segui andando em passos acelerados sem me importar de estar sendo vista, afinal, eu não precisava mais me preocupar com isso, aliás, essa era a menor das minhas preocupações no momento. Porém quando meu braço foi puxado com força, quase a ponto de me machucar, eu me obriguei a parar.

“Ei!”, Dimitri disse sem me soltar. A raiva que eu sentia era tanta que minhas narinas inflavam conforme eu respirava. Dimitri não parecia muito melhor do que eu. “Que diabos você pensa que está fazendo?”.

“Eu estou cheia disso, Dimitri, cheia! Eu preciso de um tempo para colocar minha cabeça em ordem ou eu acho que enlouqueço”.

“Você não precisa abrir mão de sua vida aqui para colocar sua cabeça em ordem”.

“Dimitri, me solta”, eu disse entre os dentes.

“E quanto ao seu futuro?”.

“Eles acabaram de acabar com o meu futuro! Você não estava lá dentro por acaso?”.

“É isso mesmo que você pensa? Que seu futuro está arruinado? Porque eu estou tendo a sensação de que você está se aproveitando dessa sentença para fugir do seu medo de voltar à ativa”.

“Não seja ridículo”.

“Será que estou sendo mesmo ridículo? Rose, eu vi como você ficou após a morte de Adrian”.

Num ímpeto de raiva eu puxei meu braço com força, soltando-me dele e segui meu caminho, não que eu tivesse um destino certo. Eu só não queria ficar ali. “Rose, PARA!”, Dimitri gritou tão alto e parecendo tão furioso que eu congelei a uns cinco passos de distância. “Olha pra mim. Eu ainda não terminei”.

“O que você quer?”, eu perguntei após resolver encará-lo com meus olhos já marejados. Ele veio até mim na mesma hora.

“Você acha que eu vou assisti-la sair minha vida desse jeito?”. Ok, isso foi uma surpresa.

“Dimitri…”

“Não. Se fosse a alguns anos atrás talvez eu a deixasse seguir adiante com esse plano, fingindo que não me importava, mas agora eu me importo demais para fingir, Rose. Há muito mais para se fazer além de atuar como guardiã pessoal de alguém, você sabe que sim. No entanto, se é isso mesmo que você quer, nós daremos um jeito, eu e você. Mas eu não posso ajuda-la lá fora. Por mais que eu ame você, eu não posso”. Eu arregalei os olhos, demonstrando tanta surpresa quanto a multidão de pessoas ao nosso redor. “Você mesma disse, Rose. Chega de mistérios, de segredos, de restrições. Eu estou aqui diante de todas essas pessoas assumindo o que eu sinto por você e implorando para você desistir dessa ideia absurda. O que você diz?”.

“Eu não sei, eu…”. Minha cabeça parecia um grande liquidificador triturando minhas ideias e me impedindo de pensar direito.

“Deixe-me clarear as coisas pra você”, ele disse selando nossos lábios com um beijo longo e demorado e tão intenso que me fez esquecer que estava no meio de uma multidão de pessoas. Talvez por isso eu tenha me agarrado ao pescoço de Dimitri e o beijado de volta. Nossos lábios moviam-se com suavidade, saboreando aquele momento como o melhor dos chocolates.

Quando interrompemos nosso beijo ficamos com testas e narizes colados, ambos respirando com dificuldade. Meu peito parecia queimar por dentro, mas eu não sabia exatamente o motivo. Dimitri fechou os olhos.

“Fique”, ele disse com uma voz rouca e seu sotaque sobressaído. Minha angústia era tanta que, com a mão na parte de trás de seu pescoço, agarrei com força um punhado de seu cabelo. “Por favor, fique”, Dimitri repetiu.

Naquele momento, ao ver Dimitri assumir seu sentimento por mim diante de todas aquelas pessoas, parecendo perturbado com a mera ideia de me perder, todo o amor que eu sentia por ele, e que parece ter ficado adormecido após a morte de Adrian, veio à tona de uma forma tão profunda que me fez suspirar. Então eu percebi como estava sendo ridícula ao pensar que seria possível viver entre os humanos, afinal Dimitri não poderia ir comigo e eu não sei como eu conseguiria viver sem tê-lo por perto. A verdade é que eu faria qualquer coisa por Dimitri, qualquer coisa. Eu abriria mão dos meus sonhos, passaria por cima dos meus medos, do meu orgulho, de tudo. Eu construiria uma vida nova se fosse necessário, contanto que fosse com ele.

Desde aquela fatídica noite em que Lissa e eu fomos trazidas de volta para St. Vladimir, Dimitri passou a ser uma espécie de centro de orientação para mim, mas eu jamais imaginei que aquele homem um dia viria a ser alguém tão importante. Com ele eu aprendi mais do que a habilidade de lutar, eu aprendi a avaliar minhas ações e deixar as infantilidades de lado, a maioria delas, além de fazer com que eu me visse não mais como uma garota, mas como mulher. Ele fora responsável por tantas mudanças que eu tinha a sensação de que sem ele eu voltaria a ser aquela Rose inconsequente e imatura de antes, a garota que eu sei que ainda estava escondida dentro de mim e eu não queria voltar a ser ela novamente.

“Tudo bem, eu fico”, eu sussurrei de volta, ainda com nossas testas coladas.

Então, provavelmente decidindo me dar um ataque cardíaco, Dimitri abriu os olhos e me encarou naquela pequena distância a que estávamos fazendo-me reparar pela primeira vez a existência de pequenos desenhos em um tom mais claro de castanho na íris do seu olho. Talvez por isso, com o reflexo da luz, aqueles olhos pareciam tremeluzir, refletindo mais do que luz. Eles refletiam paixão, entre muitos outros sentimentos.

 “Sinto muito, pessoal, mas o show acabou”. Christian anunciou, acabando o clima de romance ao sair do meio de um bolo de pessoas. “Vamos deixar os pombinhos em paz, ok? Vocês já viram tudo o que tinha para ser visto”, ele disse conforme ia afastando as pessoas e literalmente empurrando-as para que começassem a andar. Os mais resistentes precisaram de um estímulo maior como uma bola de fogo diante dos seus olhos para entender que Christian não estava de brincadeira.

“Eu não quero parecer ingrata, mas precisava mesmo desse escândalo todo?” eu disse meio embaraçada tentando soar confiante, quando nós três já estávamos praticamente sozinhos. “Quer dizer, nós apenas nos beijamos, nada demais”.

“Ah, por favor, Rose. Pra cima de mim?! Sabe-se lá para onde evoluiria esse beijo se eu não tivesse interrompido. Havia crianças aqui!”.

“Você está brincando né?”, eu disse meio pasma.

“Eu não sei nem porque você se dá o trabalho de perguntar”, ele debochou. “Desculpa, mas é que eu precisava ver a cara de vocês dois”, ele disse às gargalhadas. Eu estava pronta para dar um tapa na cabeça de Christian para ele aprender a não brincar com uma coisa dessas quando Dimitri, que também parecia se divertir às custas da minha reação, afastou meu braço pedindo que eu deixasse pra lá. Eu fingi ter deixado passar, mas assim que Dimitri me soltou eu corri até Christian que, ao perceber minha movimentação, correu também. E ali ficamos como cão e gato por um tempo até que eu também comecei a achar graça da situação.

 A audiência de Abe com a nova rainha se prolongou um pouco mais do que o esperado, mas isso não resultou em nada que tenha acarretado em alguma mudança a nosso favor. Tanto eu quanto Abe continuávamos judicialmente de mãos amarradas por tempo indeterminado. Por outro lado, com as denúncias que fizemos seria iniciada uma série de investigações e julgamentos para punir os responsáveis tanto do assassinato de Tatiana quanto do golpe contra os Dhampirs, o que poderia levar muito tempo. Ainda assim era um alívio saber que com a supervisão de alguém como Ariana Szelsky não haveria corrupção nesse processo. E isso já era mais do que suficiente.

Diante de tantas incertezas, uma coisa pelo menos era certa, o nosso próximo destino. St. Vladimir.

Como não havia mais o que pudéssemos fazer na corte, agora que tudo estava  “solucionado”, era melhor e menos desgastante acompanhar de longe o desenrolar dos fatos, e um ambiente menos hostil.

A ideia era partir rumo a Montana no dia seguinte, o que significava passar mais uma noite por aqui. Uma noite que, em minha opinião, pareceu extremamente mais longa do que o normal e não foi por eu ter ido deitar mais cedo, esperando que logo o dia seguinte chegasse. A volta para St. Vladimir estava mexendo com a minha cabeça em muitos sentidos, pois parando para pensar, tudo na minha vida começou ou acabou naquele lugar e por isso eu não sabia avaliar se a ansiedade que eu estava sentindo era boa ou ruim.

O que estaria me esperando lá desta vez? A incerteza era o combustível da minha insônia.

Eu estava dormindo numa cama improvisada ao lado de Lissa, que por sinal estava ferrada no sono, pois por ironia eu achei que dormir sozinha essa noite não seria uma boa ideia. O que eu não imaginava é que no fim eu acabaria acordada sozinha, o que não estava sendo uma boa experiência também.

Angustiada demais para ficar embaixo das cobertas eu resolvi dar uma volta pelos corredores da corte, tomando cuidado para não acordar Lissa ao sair. Sem pensar onde estava indo, acabei diante da porta do quarto de Dimitri, o que não era uma total surpresa. Sempre que eu precisei de um norte ele foi minha bússola, simples assim.

Eu bati na porta e esperei por aproximadamente 5 minutos. Ansiosa, bati novamente. Sem resposta.

Talvez fosse um sinal de que eu não deveria estar fazendo aquilo. O coitado devia estar tão ferrado no sono quanto Lissa, afinal os últimos dias não foram fáceis para ninguém. Não era justo que eu acabasse com o sono dele apenas porque eu não conseguia dormir, apesar de no fundo estar desejando que eu tivesse conseguido acordá-lo. Bater uma terceira vez na porta soava desesperador e cruel demais, então por curiosidade eu resolvi girar a fechadura. Ela abriu, o que eu não estava esperando que acontecesse, afinal quem é que dorme com a porta destrancada hoje em dia? Eu me senti uma invasora de dormitórios, mas já que tinha começado, continuei o vasculho até o fim, empurrando a porta para trás aos poucos até conseguir ver alguma coisa. Eu não fui muito adiante, pois logo avistei a cama e Dimitri sobre ela, deitado de costas para a porta, coberto até a cintura.

Merda, ele estava dormindo. Menos mal que ele não estava de frente, ou a luz teria refletido direto na cara dele. Volte para seu quarto e tente dormir, sua perturbadora de sonos alheios, dizia minha consciência, mas meu corpo não obedecia. Então eu apenas fiquei ali, parada.

“O que foi?”, ele perguntou com uma voz rouca, após alguns segundos, virando-se para mim com tanta tranquilidade que por um instante eu me questionei se ele não sabia que eu estava ali o tempo todo.

“Eu não consigo dormir”, eu resmunguei como uma criança que vai para a cama dos pais no meio da madrugada após um sonho ruim.

“Estou vendo. Entre”, ele convidou ao cobrir os olhos com a mão. Ai, a luz na cara dele, droga! Desculpando-me, entrei rapidamente para não atrapalhar ainda mais, como se fosse possível, e fechei a porta. “Quer deitar aqui comigo? Há espaço para mais um”, ele perguntou meio sonolento. Eu senti minhas bochechas corarem, o que não fazia sentido. Depois de tudo que já havíamos feito eu estava com vergonha de deitar na mesma cama que ele? Era só o que faltava!

Deixando minha súbita vergonha de lado, eu chutei os chinelos num canto, coloquei o roupão sobre o encosto de uma cadeira e caminhei até o lado da cama que estava vazio, timidamente entrando para baixo das cobertas, tentando me acomodar.

Percebendo meu receio e tentando acabar com aquela estranheza toda, Dimitri passou seu braço por cima de mim, puxando-me contra seu corpo. “Vem cá”. Ele me envolveu de uma forma que seu braço, ainda por cima de mim, mantinha nossos corpos pressionados um contra o outro, a frente dele contra minhas costas. Uma de suas pernas ele jogou também por cima das minhas enquanto aconchegava sua cabeça no meu cangote. Ao sentir sua respiração quente contra minha pele, um arrepio percorreu meu corpo todo. Era como estar nos braços de um grande urso protegendo sua caça, impedindo-a de ir a qualquer lugar. Sim, como se eu quisesse sair dali.

“Você vai me acostumar mal assim”, eu sussurrei para ele, finalmente relaxando e me permitindo curtir aquele mimo.

“É bom que se acostume mesmo”, Dimitri respondeu. Mesmo de costas para mim, eu tinha certeza que ele estava sorrindo e, fechando os olhos para tentar dormir, eu sorri também.

Não lembro quando foi a última vez que eu dormi e acordei tão bem assim. Dimitri ainda me mantinha em seus braços, mas de alguma forma estávamos face a face.

“Bom dia”, eu disse com um bocejo. Ele apenas sorriu, mostrando uma expressão de puro fascínio. Eu pagaria para ter essa visão todos os dias.

“Como foi sua noite?”, ele perguntou ainda com dificuldades em conter seu sorriso.

“Sobre isso, desculpa ter acordado você ontem. Eu não sei onde estava com a cabeça”.

“Você poderia fazer isso todas as noites, eu não me importaria”. Ele disse isso com tanta certeza que eu fiquei sem jeito, tentando disfarçar ao me aproximar um pouco mais. “Mas tem alguém que sim”, ele continuou.  Não gostando do tom da conversa, eu saí do aconchego do corpo de Dimitri e sentei na cama, questionando sobre o que ele estava falando. E lá se foi a tranquilidade da minha manhã.

Abe, meu querido e recentemente assumido pai ciumento estava atrás de mim depois que Lissa acordou, viu minha cama revirada como se eu simplesmente tivesse fugido à noite e ligou para ele avisando. Certamente se eu não tivesse ameaçado fazer isso horas antes essa não teria sido a primeira coisa a passar pela cabeça de Lissa, mas como eu fiz, nem poderia reclamar. Dimitri foi a segunda pessoa para quem Lissa ligou, mas, mesmo ele tendo explicado o que havia acontecido, era tarde demais. A fera estava à solta.

 “Eu estou tão ferrada”, eu resmunguei, atônita.

“Se você quiser eu falo com ele”, Dimitri ofereceu todo cavalheiro. Eu tive que rir. Nem a pau eu perderia a chance de uma boa discussão com Abe. De alguma forma parece que a cada discussão nós trabalhávamos nossa complicada relação mal resolvida, quase inexistente, do passado. Podem me chamar de louca, mas eu apreciava cada uma de nossas picuinhas.

“Não, deixa ele comigo”, eu respondi. Só de imaginar o discurso que usaria eu fiquei empolgada e de repente aquela empolgação se transformou em algo mais. Ter Dimitri ali ao meu lado, me encarando como se eu estivesse preocupado com a minha sanidade foi apenas mais um estímulo.

Depois de tantas reviravoltas e fortes emoções eu estava precisando extravasar de alguma forma e, apesar de nunca ter usado o sexo em si como uma válvula de escape, entregar meu corpo completamente a Dimitri parecia ser a forma perfeita de fazer isso. Eu montei sobre ele, segurando-me em seus ombros e estudei sua reação. Sim, eu o havia pegado completamente de surpresa, bem como eu gosto. Ponto para mim!

“Rose? Seu pai…”, Dimitri repetiu com cautela, mas eu não deixei de notar que suas mãos estavam nos meus quadris.

“Ele já deve estar uma fera comigo. Eu quero pelo menos dar um motivo para ele ficar assim”. Para não deixar dúvidas das minhas intenções, eu movi meu quadril lentamente e fiz uma leve pressão para baixo, percebendo que Dimitri havia captado a ideia.  E não foram seus olhos que me disseram isso.

Ele tentou usar a razão para cima de mim, como sempre, mas eu o venci na argumentação ao começar a beijar seu pescoço com lábios molhados, sentindo cada músculo do seu corpo contrair conforme meus beijos traçavam uma trajetória descendente. Dimitri vestia apenas uma calça larga de pijama, essas de tecido fino e maleável, por isso aproveitei para explorar com minha boca tudo que estava exposto do seu peito e abdômen até chegar lá, porém ele rolou pra cima antes que eu atingisse meu destino, segurando meus braços na altura da cabeça e posicionando uma de suas pernas entre as minhas, que cederam levemente como se tivessem vida própria. Seus olhos agora falavam comigo. Eles estavam famintos, me encarando com certa possessividade, como se somente eu pudesse lhe dar o que ele estava querendo e aquilo me fez sentir a pessoa mais poderosa do universo, a única capaz de domar um touro furioso que jamais fora domado por alguém.

“Sempre me provocando… você não sabe como eu fico louco com isso”, ele sussurrou no meu ouvido. E eu aprendi que palavras também tem o poder de acariciar as partes mais sensíveis de nosso corpo.

“Talvez você deva me mostrar o quanto”, eu disse quase sem ar. Eu estremeci na mesma hora que ele me roubou completamente o fôlego com um beijo voraz e desorientador. Ardente e carregado de malícia.

Dimitri soltou uma de minhas mãos para levar a sua até minha perna, subindo pela coxa e levando junto a barra da camisola que eu vestia. Eu agarrei o cabelo dele à medida que sua mão continuava subindo, deslizando pela minha cintura, palpando meus seios. Sua boca estava no meu pescoço, sugando, lambiscando, deixando alguns gemidos escaparem quando eu arqueava meu corpo contra o dele devido aos estímulos que recebia.  Nós dois respirávamos aceleradamente.  Nossos corpos moviam-se em sintonia.

Com as pernas entrelaçadas, num roçar constante e a ajuda dos pés, não foi difícil despir a calça que Dimitri vestia. Qualquer coisa a mais que ele pudesse estar usando por baixo deve ter saído junto, porque no instante seguinte ele estava dentro de mim, deixando a gentileza de lado e mostrando-me outra forma de trabalhar certos músculos do corpo. A partir dali nós perdemos o controle, o pudor e tudo mais que poderia se perder debaixo dos lençóis.

Eu me entreguei completamente, deixando que hoje ele fosse o provocador, deliciando-me com cada coisa que ele fazia com o meu corpo, sentindo na pele tudo o que eu muito já o havia feito sentir.

“Eu acho que acabamos de conseguir a ira eterna do seu pai”, Dimitri disse, comigo em seus braços, assim que sua respiração permitiu. Nossa brincadeira havia sido exaustiva, demandando alguns minutos de descanso ao final dela.

Eu comecei a rir do comentário dele e aquilo logo virou uma gargalhada que eu não conseguia segurar, gerando lágrimas que em seguida viraram choro. Mas eu continuava rindo.

Dimitri me aninhou em seus braços ainda mais, parecendo entender a tempestade de pensamentos que invadia minha cabeça. Tudo parecia tão normal, tão simples que eu até me arrisquei a acreditar que as coisas poderiam voltar a ser como eram antes. Normal era tudo o que eu queria que minha vida fosse daqui para frente. Se isso não era um bom motivo para lágrimas de felicidade, então o que seria?

Após um bom banho no chuveiro do quarto de Dimitri, eu voltei para o quarto de Lissa, troquei de roupa e liguei para Abe avisando que estava bem e que não havia fugido como Lissa havia pensado. Eu estava tão bem humorada que quando fui questionada sobre onde estava, eu nem dei a resposta provocativa que havia pensado antes, alegando ter perdido o sono ainda cedo, saído para dar uma volta, encontrado Dimitri no meio do caminho e me perdido no tempo conversando com ele. Conversando, certo.

Abe respirou fundo, apesar de eu não ter conseguido distinguir se por ira ou alívio. Seja lá o tenha sido, meu pai não teve coragem de questionar a veracidade do meu depoimento, provavelmente com medo de ouvir que sua filha havia passado a noite no quarto de outro home. Eu não poderia estar mais grata por isso, pois uma conversa dessas seria constrangedora para ambas as partes. Ele apenas pediu que eu tivesse um pouco mais de consideração com as pessoas que se importavam comigo e ao menos deixasse um bilhete avisando que voltaria logo da próxima vez que eu… perdesse o sono.

“Acho que isso eu posso fazer”, eu brinquei. “Desculpe se preocupei vocês”. Pego de surpresa pelo meu sincero pedido de desculpas, Abe desconversou meio sem jeito e pediu que arrumasse minhas malas o quanto antes, pois nosso voo sairia logo mais.

Assim que anoiteceu, embarcamos no avião que nos levaria de volta para casa, por falta de uma palavra melhor para definir St. Vladimir nesse momento. Eu estava uma pilha de ansiedade por ter que voltar àquele lugar novamente, mas ao observar as expressões dos demais passageiros eu percebi que não era a única.

Lissa e Christian estavam voltando para juntar seus pertences e dar um adeus definitivo ao lugar onde estudaram e se conheceram. Sim, depois de muito considerar, Lissa havia decidido seguir adiante com o seu plano de estudar fora, numa universidade maior, mais conceituada. Como conselheira real, ela percebeu que não poderia parar seus estudos se um dia ela pretendesse ser eleita governante e mesmo que não fosse, ela queria ter todo o aporte teórico necessário para fazer o melhor pelo seu povo através do conselho.  Christian iria junto para acompanha-la no começo, ajuda-la a se adaptar e ter certeza de que todos soubessem que a moça já era comprometida. Homens…

Eu não sei de quem eu sentiria mais falta. Se da minha melhor amiga e confidente, companheira de aventuras incríveis; do seu namorado e também meu eterno parceiro de luta, que está sempre disposto a me fazer sorrir, mesmo quando eu acho não ser possível; ou de minha mãe, que se mostrou ser uma pessoa completamente diferente de como eu a via, uma pessoa da qual eu passei a gostar e admirar sem ressentimentos e que agora, por ser guardiã de Lissa, estaria partindo também.

Emily e Jill estavam voltando conosco porque após o ataque e a eleição da nova governante, as aulas seriam retomadas em breve e a jovem Moroi além de ter aulas para assistir, teria que lidar com fato de que agora era uma legítima Dragomir. Ela, que um dia desejou ter certa popularidade entre os colegas, finalmente conseguira. Eu só me pergunto quanto tempo levará para ela se arrepender de ter desejado isso, afinal, toda popularidade tem um preço e o preço que se paga por ser uma Dragomir é bastante alto. Não é pessimismo de minha parte, apenas uma constatação baseada no que eu pude observar ao lado de Lissa. Com o passar dos anos os alunos podem mudar, mas seus comportamentos parecem perpetuar por gerações. Se Lissa pagava o preço por ser a última Dragomir, Jill seria a irmã bastarda, a ilegítima e sabe-se lá mais o que e isso já é o suficiente para o surgimento de falsas amizades, intrigas… Ah, a escola! Esses jovens de alguma forma conseguem transformar um pequeno detalhe no seu pior pesadelo e ninguém de fato sabe como ou quando isso acontece. Um dia você acorda e lá está seu nome sendo passado de boca em boca. Uma fase da qual eu realmente não sentirei falta. Só espero que Jill saiba lidar com esse assédio inevitável, pois Lissa ainda tinha quem a defendesse, eu, mas Jill? Com Lissa fora, ela estaria sozinha, principalmente depois que sua mãe partisse.

Bom, não tão sozinha, pois enquanto eu estiver em St. Vladimir, eu ficarei de olho na garota sem sombra de dúvidas. Eu não poderei ser sua guardiã, mas nada me impedirá de lhe ensinar algumas técnicas de autodefesa. Ela precisará, eu constatei após observá-la por um instante, pois com aquela personalidade ela vai tirar muitas pessoas do sério.

Ao meu lado estava Dimitri, outra pessoa que teve sua vida mudada por St. Vladimir, apesar de eu não saber exatamente o quanto. Talvez um dia eu tivesse que perguntar diretamente a ele, pois as mais simples suposições parecem nunca se enquadrar no univerdo de Dimitri Belikov. O que eu sei de fato é que até pouco tempo atrás aquela escola era a vida dele e agora ele era o guardião pessoal de meu pai, que por sinal sentava uma fileira de bancos à frente, porém do lado oposto ao nosso. Era um fato, uma mudança, mas eu não sei o que isso fazia alguma diferença para ele. Um dos mistérios do meu namorado.

Assim que o avião decolou e os avisos para afivelar os cintos se apagaram eu me permiti  relaxar. Por alguma razão a decolagem é algo que sempre me deixa ansiosa.

Meu companheiro de banco, ao contrário de mim, estava bem à vontade acomodado em sua poltrona, com a luz auxiliar acesa sob sua cabeça e um de seus clássicos romances de faroeste em mãos. A leitura devia estar emocionante, pois as viradas de páginas aconteciam tão rapidamente, tamanha era a vontade dele em saber o que aconteceria a seguir, que o papel chegava a emitir um som distinto a cada folheada. Curiosa, eu já estava quase me escorando no ombro dele como pretexto para dar uma espiadinha no livro, quando lembrei que também tinha o que ler.

Virando a bolsa do avesso, eu finalmente encontrei o que tanto queria, a carta que Zach me entregou antes de partir. Respirando fundo, eu me preparei para o que pudesse estar escrito ali, constatando, conforme meus olhos percorreram aquelas poucas linhas, que não havia me preparado o suficiente. Nervosa, eu comecei a rir sem parar.

“Eu vou matar aquele filho da mãe!”.

Na minha mão estava um pequeno pedaço de papel com as seguintes palavras: “Apenas cobrando uma dívida que você tem comigo por ter me encharcado com suas lágrimas. Eu disse que usaria o débito a meu favor quando fosse mais pertinente, lembra? Bem, chegou o momento de mostrar que você honra sua palavra. Até lá!”. Junto do bilhete estava um convite para a formatura de Zach, que aconteceria em quatro dias.  Atrás do convite havia uma observação dizendo que ele era o responsável por chamar alguém para fazer o discurso de encerramento da cerimônia, uma tradição da escola em que estudava. O alguém que ele havia escolhido? Eu.

Agora tudo fazia sentido. Ao me entregar a carta pessoalmente Zach disse que tinha compromissos que ele precisava resolver fora da corte e ao se despedir deu a entender que logo nos veríamos. Claro que eu não imaginei que ele estava falando no sentido literal! Sem mencionar que quando eu tentei abrir a carta diante dele, o garoto quase teve um ataque, dizendo que estava envergonhado e que preferia que eu a lesse mais tarde. A boba aqui acreditou.

A formatura aconteceria em Billings, uma cidade próxima ao vilarejo onde o pai de Zach trabalhava para um dos Badicas. E onde eu e Dimitri o encontramos morto. Pobre Zachary, morando tão perto de onde havia acontecido aquela tragédia. Eu não imaginava.

“Então, você vai?”, Dimitri perguntou.

“Você sabia disso?”

“Logo após a eleição eu passei no quarto de Lissa para ver como você estava e Zachary me perguntou se havia alguma possibilidade de você ir à formatura dele.”

“E você disse que eu iria?! Minha sentença nem havia sido anunciada!”

“Pelo que conheço de Ariana Szelsky, ela não puniria você de forma tão severa. Não em primeira instância. Ainda mais por causa da sua mãe. A família da atual rainha deve muito a ela e… bem, se a situação saísse de controle eu tenho quase certeza de que seu pai interferiria.”

“Isso não muda o fato de que você disse que eu iria!”

“Na verdade eu apenas disse que estava confiante quanto a sua liberdade e sugeri que se ele desejasse mesmo que você fosse à formatura que apenas fizesse com que você não tivesse como dizer não”.

“Bem, você pode ter certeza que ele seguiu o seu conselho à risca”, eu disse ao guardar o convite de volta ao envelope com um nó na boca do estômago. Dimitri achou graça, me puxou para perto dele, me segurando ali mesmo que eu não estivesse tentando fugir. Por fim, eu acabei relaxando. Na verdade eu não estava achando ruim ter sido convidada para a formatura de Zach, muito pelo contrário. Eu estava apenas nervosa com a importância que aquele novato estava depositando em mim. Eu não queria desapontá-lo.

“O garoto merece, Roza, você sabe disso”.

“Bem, eu sei, mas desde quando você sabe?”

 “Desde que ele concordou em me convidar para ser seu acompanhante”. Eu lancei um olhar de descrença, mas deixei passar.

O resto da viagem foi tranquilo, porque acabei pegando no sono após não resistir ao ombro de Dimitri e apoiar minha cabeça nele. Com o braço por trás de mim, Dimitri começou a me fazer cafuné e aquilo foi fatal. Meu sono foi pesado, o que eu pude constatar ao acordar deitada no colo de Dimitri, com a cabeça sobre um travesseiro e sem ter nenhum ideia de como havia parado ali. Ele ainda mantinha uma das mãos sobre minha cabeça, acariciando meus cabelos talvez sem consciência daquilo, enquanto a outra segurava seu livro diante dos olhos de tal forma que eu não conseguia visualizar seu rosto, nem ele o meu.

Ele deve ter percebido alguma coisa, pois logo ergueu o livro e me pegou no flagra, sorrindo feito uma idiota enquanto o observava ler. Para minha sorte naquela mesma hora precisamos colocar os encostos dos bancos nas posições verticais e afivelar os cintos. Nós havíamos chegado.

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Fanfic Last Sacrifice (by Little) – Capítulo 54

Ao desembarcarmos Abe recebeu um telefonema de alguém lhe informando sobre Victor, que havia desaparecido ainda antes do tumulto da eleição. Seu estado de saúde havia piorado, exigindo que ele retornasse para o conforto da casa de seu irmão, Robert. Seja lá quem estava cuidando deles, afinal tanto Victor quanto Robert precisavam de atenção especial, disse que a morte de Victor era apenas uma questão de tempo. Isso já era esperado, já que a doença dele não tinha cura, mas ainda assim eu lamentei pela situação dele. Eu nunca esquecerei a sensação de conforto que a presença de Victor me causou quando fomos trazidas de volta a St. Vladimir. Deu-me tanta esperança de que as coisas poderiam ficar melhores que quando ele sequestrou Lissa e cometeu mais uma série atrocidades, eu me senti a pessoa mais ingênua da face da terra por ter me deixado iludir. No fim, Victor não era nosso vilão, apenas estava disposto a lutar de outra forma pelos mesmos ideais que nós, acreditando que seu método era mais eficiente. Erros, quem não os comente? Pelo menos Victor se redimiu e resolveu nos ajudar de verdade, auxiliando na comprovação da existência de outra Dragomir, algo pelo que sempre teremos que agradecer a ele, mesmo depois que ele nos deixar. Um final que eu achava triste, embora não esperasse que Lissa pensasse da mesma forma. E eu precisava contar isso a ela.

Ao informar Lissa da situação do homem a quem ela muito chamou de tio, achando que ela ficaria aliviada por não precisar mais se preocupar com seu sequestrador e torturador, ela disse algo que eu não estava esperando.

“Eu sei, eu falei com Victor enquanto o conselho se reunia para avaliar as provas trazidas por Jill e eu vi o quanto ele estava debilitado. Talvez até por isso eu tenha tido coragem de ir até ele, pois sei que ele não seria capaz de nada. Ele disse que se pudesse voltar no tempo faria tudo diferente e me pediu perdão pelas coisas que havia feito. Eu não consegui dizer não, pois olhando nos olhos dele, eu pude ver mais uma vez aquele homem que esteve ao meu lado nas horas mais difíceis da minha vida e bem ou mal, aquilo que não acaba comigo me torna mais forte, não é mesmo? Victor certamente me fez mais forte”. Através de nossa ligação eu senti a dor que a avassalava por dentro. Eu não sei como ela suportava.

“Lissa, eu não sabia. Eu sinto muito…”.

“Eu fiz uma oferta a ele, Rose. Ele não aceitou”.

“Do que você está falando?”

“Depois de considerar o suficiente, eu me ofereci para fazer a doença dele regredir novamente, para que ele pelo menos tivesse mais tempo de vida. Seria apenas uma vez, uma espécie de presente, mas Victor apenas sorriu e empurrou sua cadeira de rodas para trás”, Lissa disse com os olhos marejados. Nós estávamos no quarto dela, tentando começar a juntar seus pertences. Eu a abracei forte, absorvendo dela toda a tristeza que eu podia, dizendo inutilmente que tudo ficaria bem e que pelo menos logo o sofrimento dele estaria acabado. Após um tempo, quando mais calma, ela concordou comigo, lamentando apenas que as coisas tivessem que ser daquele jeito.

Eu entendia o que ela queria dizer, pois de um tempo para cá tudo que tem acontecido parece estar fora do nosso alcance e quando podemos fazer algo a respeito, nunca é o suficiente. Com Lissa não foi diferente. Ela sentiu que com Victor ela podia fazer algo, mesmo que não de forma permanente, e apostou suas fichas naquilo, não esperando, é claro, que ele fosse rejeitar a oferta. Desanimada, Lissa me perguntou quando as coisas começariam a mudar, uma pergunta que eu não soube responder, pois assim como ela eu também estava esperando ansiosamente por essa resposta.

Ironicamente, Christian apareceu por lá em seguida, avisando que Alberta gostaria de ter uma conversa em particular comigo na sala dela. Eu e Lissa trocamos olhares ansiosos, sem saber o que esperar. Que tipo de coincidência maluca era essa? Alguma pegadinha sinistra do destino?

Eu descobri assim que fiquei frente a frente com Alberta e Dimitri, que também estava lá por alguma razão. Sem formalidades, Alberta foi direto ao assunto. Eu mal tive tempo de me preparar para o que estava por vir.

“Rose eu a chamei aqui para falarmos sobre seu futuro. Há uma turma de iniciantes que atualmente está sem instrutor, pois o guardião Belikov, que seria o responsável por ela, assumiu outros compromissos, como você bem sabe, logo certas mudanças estão sendo necessárias. Na minha opinião, você seria a pessoa perfeita para esse trabalho, afinal você não só foi treinada por ele, como também possui habilidades próprias excepcionais. Eu estou ciente da sua situação, porém quero que saiba que aqui nessa escola sempre haverá lugar para alguém com o seu potencial e para provar o que eu digo estou lhe oferecendo a possibilidade de assumir essa turma. No entanto, entenderei perfeitamente se isso não atender suas expectativas”.

A surpresa foi tanta que eu precisei pedir que ela repetisse tudo, pois eu achava que tinha entendido errado, mas não. Contrariando a onda de azar da qual Lissa e eu estávamos falando anteriormente ou talvez até marcando o próprio fim dessa onda, Alberta estava me oferecendo uma proposta sobre a qual eu me obriguei a parar um instante e pensar, provando, por tal atitude, que Dimitri tinha uma parcela de razão quando me acusou de estar com medo de voltar à ativa. Eu estava. Justo eu, que sempre tive certeza do que queria para minha vida, que almejava ser a guardiã de Lissa acima de tudo, estava hesitando diante de uma nova proposta de trabalho que em outros tempos eu recusaria imediatamente. Não havia o que discutir, eu não sei se suportaria ver mais alguém importante morrer sob a minha vigilância e seguir adiante, não por enquanto. Acho que a vida tirou tanto de mim em tão pouco tempo, que acabou colocando a confiança em minha própria competência à prova. Eu precisava recomeçar aos poucos e essa parecia ser a forma perfeita, pois garantiria a proteção dos Morois, mesmo que a longo prazo,  tal como se fosse eu a realiza-la, bastando para isso apenas treinar alunos para que eles fossem tão bons quanto ou até melhores do que eu nessa função.

E quem sabe, de repente, até poderia fazer a diferença para eles assim como um dia eu tive um instrutor em especial que fez toda diferença para mim. Eu não me refiro ao fato de estar namorando ele agora, o que soa tudo muito ilegal e inadequado, mas ao fato de ter aprendido com ele a lutar com precisão técnica, fazendo do meu corpo uma verdadeira arma contra Strigois. Eu devia muito a Dimitri e essa era a minha chance de mostrar a ele que tanto trabalho não fora em vão.

“Não, eu aceito”.  A naturalidade com que eu falei foi tanta que até me deixou surpresa, afinal assumir uma turma de alunos em St. Vladimir realmente estava fora dos meus planos, mas não porque a ideia não agradava e sim por nunca tê-la cogitado antes. No entanto, não poderia parecer mais correto. O sorriso de Dimitri parecia dizer o mesmo.

De acordo com Alberta, as aulas começariam em praticamente uma semana, seis dias para ser mais exata. Eu fiz as contas. Durante esse período eu tinha uma formatura para ir, um discurso para elaborar, uma melhor amiga da qual me despedir e uma aula para preparar. Não era a quantidade de compromissos que me assustava, mas a intensidade de cada um deles. Como se eu precisasse de mais um pouco de adrenalina em minha vida.

Após conversar com Alberta e Dimitri, voltei ao quarto de Lissa, pois havia ficado de ajuda-la a empacotar suas coisas, já que ela partiria em dois dias. Antes de tudo, contei o que havia acontecido e aquilo de certa forma nos deu forças para continuar o encaixotamento, que por sinal não havia evoluído desde minha saída. Eram caixas e mais caixas e pertences demais para serem encaixotados, cada um deles repleto de lembranças de momentos significativos. Não era de se espantar que ela estivesse estressada.

Do casaco que ela estava usando no dia em que Dimitri nos encontrou e trouxe-nos de volta a St. Vladimir, até pequenos objetos que ela recentemente tentou enfeitiçar com espírito, alguns pertencentes a Adrian, inclusive, todos despediam de nós duas alguma energia emocional, por isso ao amanhecer nos obrigamos a interromper nossa atividade. Eram muitas recordações. Além disso, Lissa precisava regular seu sono para adaptar-se ao horário noturno de suas aulas na universidade e isso implicava em voltar a dormir enquanto o sol estampasse o céu.

Eu deveria seguir o exemplo dela e tentar dormir também, afinal minhas aulas aqui na escola aconteceriam durante a noite e meu relógio biológico estava literalmente ferrado, mas depois de ter cochilado no avião eu não estava com o mínimo sono, então após me despedir de Lissa e certificar-me de que ela estava realmente apenas cansada e não a beira de um ataque de nervos, eu voltei para meu quarto com o objetivo de começar a pensar sobre o discurso da formatura de Zach. Meu empenho gerou resultados e eu basicamente terminei o discurso naquele mesmo dia, porém já quase ao anoitecer.

Eu estava cansada, mas precisava sobreviver a mais uma noite acordada se eu pretendesse regular meu sono, por isso verifiquei se Lissa já havia acordado e a convidei para talvez a única coisa que eu seria capaz de fazer com prazer mesmo estando no limite do esgotamento físico e mental. Compras!

O fato é que eu precisava de algo para vestir na formatura de Zach, pois nenhum dos meus vestidos parecia adequado o suficiente para a ocasião. Eu tenho um corpo do qual me orgulho muito e todas as roupas que eu comprei até hoje o valorizam de alguma forma e esse era exatamente meu problema. Eu precisava de algo mais social, sem grandes decotes, fendas ou transparências e eu cheguei à conclusão de que nada que eu possuía atendia o critério de discrição.

Além disso, era a última noite de Lissa aqui na escola, então achei que poderíamos sair juntas às compras como uma despedida à moda antiga. Ela topou na mesma hora e logo estávamos eu, ela e minha mãe rumo ao shopping mais próximo.

Durante a viagem perguntei se alguém tinha notícias de Abe, pois eu não o havia visto desde depois da conversa com Alberta no dia anterior e fiquei sabendo que ele e Dimitri estavam procurando uma casa próxima à escola para comprar.
“Casa? Por que diabos Abe quer uma casa próxima a St. Vladimir?”, eu perguntei meio surpresa, pois além de ele ter várias espalhadas pelo mundo todo, aquele homem nunca para em nenhuma delas!

“Eu vou com Lissa para Lehigh e ficarei lá por um bom tempo, Rose. Enquanto eu estiver fora ele quer ficar por perto, você sabe, mantendo o olho em você.” Eu revirei os olhos. “Por que você acha que ele não se importou com a sentença que recebeu?”, ela questionou com um sorriso malicioso. Era tão óbvio que eu não havia parado para pensar nisso! Sem compromissos importantes, não havia porque ele se deslocar tanto. Por um lado seria bom, pois eu sei que assim Dimitri também estaria perto. Mas isso também significava que eu não teria folga. Abe estaria no meu pé a todo instante. No minuto seguinte eu estava com o celular no ouvido.

“Eu tenho algumas exigências”, eu disparei assim que Abe atendeu, na certeza de que ele entenderia sobre o que eu estava falando. “Eu quero um quarto para mim, com chave, longe do seu, com uma cama de casal e todas as regalias que eu mereço ter e que você jamais se dignou a me dar durante toda minha vida! Uma piscina e um pequeno centro de treinamento não seriam más ideais também. E, se não for pedir demais, será que podemos ter um cachorrinho?”.  Eu não sei quem ria mais da minha cara, se minha mãe ou Lissa. Eu não estava nem aí, eu precisava de um lugar para onde correr caso algo desse errado na escola ou quando quisesse dar um tempo daquele ambiente e se eu pudesse tornar esse lugar a minha cara, então, melhor ainda. Abe foi resoluto na resposta.

“Ok, me parece justo o bastante. Exceto pelo cão, é claro. Isso está completamente fora de cogitação”. Eu fiz uma careta de reprovação que ele não viu, apesar de não esperar outra reação dele.

“Não me condene por tentar, Abe”. Um cachorrinho seria perfeito para amenizar o efeito da maldição de ser filha única, que é ser o principal foco de preocupação dos pais, por isso se Abe pensa que a discussão acabou aqui, ele estava muito enganado. Tudo pela minha liberdade. “Aproveitando a ligação, Dimitri precisa de um terno para me acompanhar na formatura de Zach, então seja um bom sogro e providencie algo para ele, tá bom?”. Eu o ouvi respirar fundo e se controlar para não dizer uma bobagem ao ouvir a palavra “sogro”, mas em nenhum momento recusou meu pedido.

Achar a roupa ideal até que não foi difícil e antes do céu começar a clarear já estávamos de volta a St. Vladimir. Esgotada, mas realizada com a compra que fiz, eu segui direto para meu quarto, feliz de que finalmente conseguiria regular meu sono de acordo com o horário de atividade da escola.

Doce ilusão. Não que eu não tenha conseguido dormir, mas após algumas horas eu senti um frio estranho, como se alguém tivesse me encostado algo gelado.

“Ei, eu estava procurando por você”, disse a familiar voz de Christian. “O que você está fazendo aqui?”, ele perguntou. Tentando dormir, quem sabe? No entanto, quando Lissa respondeu eu vi que não era bem comigo que ele estava falando. Eu era apenas a observadora.

Christian sentou ao lado dela e a olhou com ternura. O dia já estava claro, porém nublado, o que permitia aos dois estarem na rua àquela hora. Lissa sentava sobre um degrau de mármore, o que explicava a origem do frio que eu sentia, apesar de ela não estar se importando muito com isso, claro, era eu quem estava quentinha embaixo das cobertas.

“Eu só queria… ver esse lugar mais uma vez”. Ela olhou ao redor e eu então compreendi onde estávamos, ou melhor, onde eles estavam sentados, na porta de entrada da Igreja, o local onde Lissa costumava se refugiar quando o mundo parecia estar desabando, onde ela conheceu Christian pela primeira vez e onde várias outras vezes eles se encontraram para fazerem coisas que eu não consideraria adequadas para se fazer lá.

Como se compartilhando os mesmos sentimentos que Lissa, Christian sorriu. Aquela Igreja tinha um significado todo especial para ele também.

“Você está triste por ter que partir?”, ele perguntou.

“Ontem eu estava meio desesperada, com as emoções a flor da pele e eu quase cheguei a acreditar que sim. Mas eu estava aqui pensando agora e percebi o que eu estou sentindo não é tristeza, pois Lehigh é meu sonho. Como eu poderia estar triste de ter que ir para lá? Acho que é apenas aquele medo do desconhecido, sabe? Porque analisando sob um ponto de vista otimista, as coisas estão começando a melhorar, Christian. Eu estava cega demais me focando nas desgraças e não lembrei das coisas maravilhosas que também estão acontecendo. Tipo, meu Deus, eu tenho um irmã! Eu estou indo para a universidade e você está indo comigo! E ontem mesmo Rose foi convidada para dar aula aqui na escola, quer dizer…”.

 “A Rose? Mesmo? Uau! Uma pena não termos tempo para comemorar isso devidamente”.

“Pois é! Então, não. Eu definitivamente não estou triste”.

“Uma pena, pois eu já estava pensando em como poderia consolá-la”.  Ah, não. Isso não.

“Pensando bem”, Lissa ponderou, “Acho que eu estou um pouco triste, sim”. Lissa mordeu os lábios de leve, já considerando algumas formas não muito pudicas de despedir-se de seu antigo esconderijo. Christian parecia estar lendo os pensamentos dela e estar em total acordo. Céus, como eles conseguiam?! Aquele lugar não deveria ser sagrado? Com tanto pecado acontecendo por lá daqui a pouco até mesmo Strigois conseguiriam entrar naquela Igreja!

“Ok, vocês venceram, eu vou dar o fora daqui!”, eu exclamei apesar de saber que ninguém estava me ouvindo e, com esforço, consegui bloquear nosso canal de comunicação, algo que eu deveria ter feito antes. É o que dá preocupar-se com os amigos, você literalmente se ferra! Ou quase isso. Eu olhei no relógio e vi que não valia a pena tentar dormir de novo. Além de ser arriscado, eu tinha mais o que fazer.

O resto da tarde passou voando. Até a hora da partida de Lissa, Christian e minha mãe com destino a Pensilvânia, eu fiquei providenciando alguns detalhes finais do presente de Zach, pois como a viagem até Billings duraria um pouco mais de cinco horas, e a formatura ocorreria à tarde por questões de segurança, precisaríamos sair na manhã do dia seguinte para chegarmos lá antes do início da cerimônia, o que ferraria novamente com o meu relógio biológico, se é que eu ainda possuía um.

Conforme o céu foi escurecendo um sentimento depressivo começou a tomar conta de mim e eu tinha a sensação de que a qualquer momento eu seria acometida por algum problema estomacal. Eles iriam embora hoje. Por mais que eu soubesse que era apenas reflexo da ansiedade que sentia, eu não conseguia controlar. Era estranho, pela primeira vez em muitos anos Lissa e eu seguiríamos rumos diferentes. Ela não poderia contar comigo nem eu com ela e isso estava gerando um buraco dentro de mim que eu não sabia como preencher. Eu sabia que era importante para ela dar esse passo e fiquei muito orgulhosa de ver que ela teve coragem de encarar esse desafio sozinha, mas devido à minha situação delicada frente às autoridades Morois, não seria inteligente de minha parte acompanha-la nessa aventura. E como eu havia decidido continuar a servi-los de alguma forma, precisava mostrar que estava realmente disposta a isso.

Eu já havia ficado longe de Lissa outras vezes, inclusive recentemente, mas agora era diferente, pois nós duas tínhamos planejado esse momento milhões de vezes e em nenhuma circunstância cogitamos a hipótese de que não faríamos essa viagem juntas. Mesmo se Lissa não fosse para Lehigh, eu a acompanharia como sua guardiã para qualquer outra universidade. Esse sempre fora o plano. Um plano que abortado pelas forças do destino.

Sentada em um banco da sala de espera do hangar de onde partiria o avião, com Dimitri ao meu lado, eu sacudia minha incessantemente. Quando eu percebia o que estava fazendo, tentava cruzá-la, descruzá-la, mas de nada adiantava. No fundo eu sabia que aquilo não iria parar, mas me incomodava saber que estava demonstrando tanto nervosismo.
“Você quer o colar agora?”, Dimitri perguntou pela décima vez. Eu o cortei apenas com um olhar. Abe havia enfeitiçado um colar com seus poderes malucos para eu usar caso estivesse ansiosa demais. Às vezes a forma como Abe parecia me conhecer me assustava, apesar de que não era necessário ser um perito saber que eu estaria uma pilha de nervos.
“Eu já disse que não, ok? Aliás, porque ele próprio não está aqui me pentelhando com isso?”
“Ele disse que precisava… conversar algumas coisas com a sua mãe antes da viagem”.
“Por que você fez essa pausa? Dimitri você está me dizendo que meu pai queria dar uns amassos na minha mãe antes de ela viajar?”, eu quase gritei, pasma, esquecendo momentaneamente da minha perna.
“Eu disse conversar”

“Você não pareceu muito convincente”.

“Foi o que o seu pai me falou”.

“Meu Deus, eles estão mesmo se pegando!”, eu disse com mais do que certeza.

“Ninguém está pegando ninguém, mocinha”, minha mãe anunciou com acidez na voz ao entrar no recinto, me fazendo gelar e ficar vermelha, roxa, verde de vergonha. Dimitri baixou a cabeça, segurando uma risada que sem dúvidas teria sido uma gargalhada se ele não tivesse se contido a tempo.

“Quer o colar agora?”, ele cochichou apenas para provocar. Eu o cutuquei com o cotovelo, mas fui desarmada por uma simples piscadinha que ele me deu e, suspirando, tentei entrar no jogo.

“Talvez ela precise dele mais do que eu”, eu brinquei no mesmo tom de voz, referindo-me a minha mãe. O sorriso que recebi não foi pela piada que fiz, pois Dimitri não riria de algo relacionado à minha mãe por respeitá-la acima de tudo. Ele estava apenas satisfeito com o aprimoramento do meu humor.

“Exatamente”, a voz de Abe se fez presente também, anunciando sua chegada. “Nós estávamos apenas… conversando”, ele disse ao tossir de maneira suspeita. Eu levei a mão até a testa pedindo que aquilo acabasse logo. Mais um detalhe sobre a possível vida sexual de meus pais e eu acho que precisaria começar a fazer terapia imediatamente.

Meu pedido foi atendido de uma forma não muito agradável, pois logo minha atenção foi desviada para o que se passava com Lissa. Eu sentia ela se aproximar, e provavelmente Christian também, pois a cada segundo a ansiedade que eu sentia através da nossa ligação aumentava exponencialmente. No entanto, a ansiedade de Lissa não tinha nada a ver com a viagem ou com o que aconteceria com a vida dela daqui pra frente. Ela estava preocupada comigo, com a minha reação ao vê-la partir, pois ela sabia o quanto eu queria estar no lugar de minha mãe agora e o que significava não estar. Meus olhos encheram-se de lágrimas no mesmo instante. Ah, Lissa… Você e esse seu imenso coração.

Eu estou traindo ela, Lissa pensou, com um aperto no peito. Depois de tudo pelo que passamos juntas, depois de tudo que aconteceu com ela… Céus, a morte de Adrian… E eu estou abandonando ela, eu…

“Você, nada”, eu disse aos prantos ao intercepta-la no meio do caminho com um abraço, pois não consegui ficar ouvindo aqueles pensamentos esperando Lissa aparecer na minha frente. Eu corri até ela. “Eu estou bem e você não precisa se preocupar comigo, ok? Esse é o seu sonho, Lissa, vá vive-lo”. A essa altura ela já estava chorando também. “Se eu vou sentir sua falta? Vou, como uma droga, mas se você quer me ver feliz, Lissa, então seja feliz!”. A sinceridade das minhas palavras a acalmou um pouco.

“Eu prometo ligar todos os dias”, ela disse soluçando. “E sempre que der visitaremos vocês nos finais de semana, ok?”.

“E nós estaremos esperando”, eu afirmei, alisando a cabeça dela, oferecendo o máximo de conforto que uma pessoa com o coração partido poderia oferecer.

“Meninas, nós precisamos ir”, minha mãe avisou com uma voz suave, percebendo a delicadeza do momento. Eu então me afastei de Lissa e me deparei com um Christian quase a beira das lágrimas ao meu lado, emocionado com a cena que presenciara. Sem pensar duas vezes, o abracei também.

“Cuide bem dela”, eu disse no ouvido dele, sabendo que ele daria a vida por Lissa se fosse necessário.

“Eu vou cuidar”, ele respondeu esfregando minhas costas e me soltando em seguida para não acabar chorando de fato.

Eu me virei e encontrei minha mãe me encarando com um olhar tão maternal que aquilo me trouxe às lágrimas, de novo, no mesmo instante. Tudo o que eu fiz durante boa parte da minha vida foi tentar arrancar dela esse olhar, para provar a mim mesma que eu era importante e que ela se importava comigo. Eu sempre busquei esse reconhecimento, aprovação, esse amor incondicional. O nome não importa, pois seja lá o que eu tanto buscava, quando ela me tomou em seus braços, eu sabia que havia encontrado.

Dez minutos depois, o avião deles decolou.

Marcada de tantas emoções eu fui para meu quarto e acho que me deliguei completamente da realidade, pois depois disso lembro apenas de acordar na manhã seguinte com o meu celular tocando. Era Dimitri.

“Bom dia, dorminhoca. Nós temos uma formatura para ir, lembra? Acorde”. Ao desligar eu vi que havia recebido uma mensagem de minha mãe um pouco antes, dizendo que haviam chegado bem e que ligariam mais tarde. Com um suspiro, eu então me espreguicei e criei coragem para levantar da cama, surpreendendo-me pela disposição com que fiz isso.

Quando olhei para baixo eu descobri o motivo e ele estava literalmente embaixo do meu nariz. E pendurado no meu pescoço. O colar de Abe. Eu não fiquei braba, afinal ele parece ter sido bem útil no fim das contas, mas como o pior já havia passado eu acabei retirando ele para poder me arrumar decentemente, afinal aquela coisa dourada não combinava com a roupa que usaria hoje. Eu não notei muita diferença no meu humor, o que me deixou aliviada, pois eu tinha uma festa importante para ir e eu queria aproveitar cada momento dela. E talvez até precisasse um disso.

Um pouco mais do que cinco horas. Como previsto, foi o que levamos para chegar a Billings. Durante todo esse tempo eu e Dimitri ouvimos músicas, discutimos nossas diferenças musicais, mas também aproveitamos a oportunidade para recordar a última vez que havíamos percorrido aquele trajeto.

“Eu preciso confessar que quando você disse que seríamos apenas eu e você naquela viagem eu tive que me controlar para não dar pulinhos de alegria”. Dimitri riu.

“Eu notei sua euforia, mas não imaginei que ela tinha a ver comigo”.

“Você mexia comigo camarada. Eu ficava assim praticamente sempre que enxergava você”, eu admiti, fazendo Dimitri rir novamente, porém dessa vez com mais intensidade.

“O que foi?”, eu questionei desconfiada.

“Isso é tão juvenil”. Eu tentei argumentar, mas fiquei incomodada demais com aquele comentário e não consegui. Dimitri havia tocado bem no meu ponto fraco. A diferença de sete anos de idade que tínhamos nunca foi um problema para mim, mas era algo que me dava certa insegurança, fazendo-me acreditar que a maturidade de mulheres mais velhas poderia ser um fator atraente para ele.

“Algum problema?”, ele perguntou percebendo minha reação e eu, tentando agir como achava que uma mulher madura deveria, disse que não. No entanto o silêncio que se formou depois parecia gritar que algo estava errado, pois até então estávamos conversando animadamente e aquilo começou a me sufocar e sufocar até que eu não aguentei e explodi.

“Quer saber? Sim, há um problema. O que há de errado com o meu comportamento juvenil?  Você fala como se eu tivesse escolha de agir diferente. Eu tinha o que, dezesseis anos na época”.

“Dezessete”, ele me corrigiu sem tirar os olhos da estrada. Seus lábios curvados em um sorriso.

Indignada, eu cruzei os braços e virei para a janela, fingindo estar observando a paisagem.

“Você sempre vai me ver como uma adolescente deslumbrada não é mesmo?”, eu resmunguei. Na mesma hora eu senti uma das mãos dele sobre minha perna.

“Roza, jovialidade não é necessariamente sinônimo de imaturidade. Significa ser intenso, verdadeiro. Significa viver cada experiência como se fosse única, não por falta de experiências anteriores, mas porque realmente se acredita nisso. Portanto, se você se sentia daquela forma mesmo quando eu estava por perto, eu não poderia me sentir de outra forma, senão abençoado”. Eu não tinha palavras para aquele momento, por isso apenas segurei a mão dele que ainda descansava sobre minha perna, recebendo um suave aperto quando nossos dedos se entrelaçaram.

“Alberta deveria estar junto conosco naquela viagem”, Dimitri começou a falar após um tempo. “Na última hora surgiu um imprevisto e ela não pode nos acompanhar. Eu sugeri que marcássemos outro dia para seu teste, mas ela insistiu que fôssemos mesmo assim. O que ela não sabia era que eu estava em pânico por ter que passar cinco horas, sozinho, ao seu lado, porque eu tinha medo do que você despertava em mim”, ele admitiu timidamente. Pode ter sido imaginação minha ou uma ilusão, mas eu poderia jurar que vi seu rosto corar por alguns segundos. “Por isso digo que não há motivos para você ter vergonha de como se sentia quando eu estava por perto. Eu não estava numa situação muito diferente da sua”. Foi a minha vez de rir.

“Você está me dizendo que eu, Rosemarie Hathaway, realmente consegui abalar suas estruturas, Dimitri Belikov?”, eu brinquei já recuperada do baque da nossa pequena discussão anterior.

“Você ainda consegue”, ele murmurou talvez não imaginando que eu estivesse prestando atenção. A vontade que eu tinha era de atirar-me por cima dele e enchê-lo de beijos, mas não seria esperto fazer isso com um carro em movimento e parar poderia levar a outros caminhos que poderiam tomar mais tempo e nós não tínhamos muito sobrando.

Então nós apenas trocamos um breve olhar, mas que foi suficiente para eu perceber o quanto estava sendo estúpida. Se Dimitri achasse que eu não valia a pena ele jamais estaria aqui me fazendo companhia na formatura de Zach, me olhando como se eu fosse a única mulher por quem ele cometeria loucuras, admitindo suas fraquezas.

“Eu amo você, Roza”, ele disse ao voltar a segurar a direção com ambas as mãos. “Aprenda a lidar com isso”. Um dia, quem sabe, eu pensei. Ter o amor de alguém como Dimitri ia além de todas as minhas expectativas, por isso às vezes eu tinha a impressão de estar vivendo um sonho. Ainda mais hoje, em que estávamos apenas nós dois no que oficialmente era nosso primeiro compromisso como um casal normal de namorados.

Apesar de estarmos portando duas estacas cada, escondidas por baixo de nossas roupas, o compromisso de hoje era nobre. Nada de lutas, sangue e mortes, apenas a celebração de um momento importante, a formação de uma turma de Dhampirs. Nossos trajes também refletiam a intenção de fazermos desse momento algo especial e natural, dentro do que possa ser natural uma formatura de guardiões de vampiros.

Como discursista da turma eu não queria fazer feio, tendo escolhendo, por isso, um vestido longo num tom de cinza chumbo com bordados em prata que formavam algumas ramificações de cima a baixo. O tom de cinza era tão escuro que só se distinguia do preto quando a luz incidia sobre ele em determinados ângulos. Duas delicadas tiras de tecido suspensas sobre apenas um ombro garantiam a sustentação do vestido, que na parte de trás era apenas tramado, expondo minhas costas de forma sensual, porém não vulgar. Se a noite pudesse ser traduzida em uma roupa, meu vestido seria ela.

Dimitri estava impecável. A meu pedido ele havia deixado o cabelo solto, eu o preferia assim, vestindo um clássico Armani escuro com uma gravata quase da mesma cor do meu vestido. Formal mas, ainda assim, sexy. Meu coração chegou a acelerar quando eu o vi próximo ao carro, pouco antes de sairmos de St. Vladimir.

E assim chegamos ao nosso destino, todos cheios de gala, procurando por alguém que acabou nos encontrando primeiro.

“Rose!”, seu grito, mesmo distante chamou minha atenção na mesma hora. Ao me virar vi um Zachary completamente radiante correndo na minha direção, o que me fez sorrir também. Eu estava sentindo falta dele. O garoto, que de garoto não tinha muito, me envolveu num semi-abraço quase esmagador, dizendo que não acreditava que eu estava lá.

“E perder um momento desses?”. Eu pisquei para ele, que em seguida cumprimentou Dimitri, timidamente, mas com respeito, mostrando que qualquer desavença que pudesse ter acontecido entre os dois havia ficado no passado, graças a Deus. Então nos acompanhou até os lugares que havia reservado para nós e voltou a se juntar com o resto da turma.

A cerimônia transcorreu normalmente até que chegou o momento em que eu fui chamada pelo próprio Zach para subir até o pequeno palco onde eles estavam para encerrar formalmente a formatura, antes de cada um receber suas marcas.

Confiante, eu saí de meu lugar ao lado de Dimitri e fui até o microfone, ajustando-o para minha altura, com o discurso que havia preparado nos últimos dias em mãos. Eu sabia o texto décor, porém o papel me dava a segurança de que nada seria deixado para trás. Respirando fundo, eu tentei não pensar muito sobre o que estava fazendo, apenas deixei que as palavras fluíssem.

Eu pensei muito sobre o que diria aqui e prometi a mim mesma que não faria um discurso baseado nas coisas que vocês já devem estar carecas de saber. Por isso fiz uma seleção das principais lições que eu aprendi fora da escola e gostaria de compartilhá-las na esperança de que vocês não precisem passar pelo que eu passei para aprendê-las.

1. As marcas que vocês estão recebendo hoje são importantes, mas simbólicas. As verdadeiras e mais significativas marcas são aquelas que ninguém pode ver. Vocês poderão encontrá-las na sua mente, na sua alma e no seu coração.

2. Seriedade não é o mesmo que amargura. Levem seu trabalho a sério, mas a vida numa boa.

3. Mantenham seus problemas pessoais longe dos profissionais e nunca, nunca paquerem quem foi seu instrutor… A não ser que realmente valha muito a pena!

4. Por outro lado, tenham sempre amigos e pessoas importantes por perto, pois se vocês caírem, serão eles que lhes juntarão do chão.

5. Se a dor for muita, chorem, mas continuem lutando.

6. Sejam bravos, mas aprendam a descobrir seus limites antes que um Strigoi faça isso por vocês.

7. Nunca hesitem. Se vocês não podem lidar com a situação, corram. Apenas não façam disso um hábito.

8. Só é possível salvar aqueles querem ser salvos, então não banquem os heróis e lidem com o fato de que sempre haverá Strigois e vocês conhecerão alguns deles.

9. Se você matar um, não seja relaxado. Chame um alquimista! Eles podem ser inconvenientes às vezes, mas estão aí para ajudar.

10. A partir de hoje vocês poderão carregar suas próprias estacas de prata. Mantenham-nas sempre consigo, nunca dentro de uma gaveta a mercê de qualquer um, muito menos as deixem cravadas no peito de alguém. Nem tudo que parece morto, está morto, por isso certifique-se disso sempre.

11. A partir de hoje vocês respondem pelos seus próprios atos, mas não sejam ingênuos de dispensarem ajuda. Ela pode ser necessária e vir de quem vocês menos esperam, como alguém mais novo, mais velho, com um braço quebrado ou não. Talvez de um Moroi, de um alquimista e até mesmo de quem vocês consideravam um inimigo.

12. Hoje vocês deixam de ser alunos, mas a aprendizagem continua e os erros também. Todos que estão ao seu redor, sem exceção, podem ser fontes de conhecimento e informação. Usem-nas. O segredo de ser um bom guardião é não se considerar autossuficiente. Quantos aos erros, não há problema em cometê-los, e vocês os cometerão, desde que aprendam a não repeti-los.

13. Estejam prontos para cometerem sacrifícios, mas estejam mais preparados ainda para os sacrifícios que alguém um dia pode querer fazer por vocês, pois essa experiência marcará suas vidas para sempre e de uma forma que vocês não têm ideia. Eu tenho.

14. Mas o mais importante de tudo, saibam que a morte faz parte da vida, mas não quer dizer que devamos aceita-la facilmente nem trata-la com indiferença, principalmente no que diz respeito a nossa profissão, pois basta um erro de conduta e você deixa de ser um guardião e transforma-se em um assassino. Então, cuidado! Tenham sempre em mente aquilo que vocês são e querem ser. Não é fácil, mas faz toda a diferença.

Pensem sobre isso.

Caros colegas, parabéns a todos e obrigada!

Dimitri parecia emocionado na plateia assistindo meu discurso e eu podia entender o que estava se passando na cabeça dele. Ele foi responsável pelo meu crescimento profissional e pessoal e muitas das lições que citei em meu discurso, eu aprendi com ele. Algumas, inclusive, foram palavras que saíram de sua boca tantas vezes que ele deve ter imaginado que eu jamais as registraria. Surpresa, Dimitri, eu estava prestando atenção.

O ritual de tatuagem das marcas de promessa foi rápido, mas emocionante, celebrado apropriadamente mais tarde em uma pequena festa, organizada no fim do dia por alguns familiares de Zach, onde além de conversar um pouco e trocar ideias, eu pude receber alguns elogios pela pertinência de meu discurso. Comemos e bebemos, ou melhor, eu bebi, pois Dimitri estava dirigindo e alguém como ele jamais cometeria o erro de beber com uma gota de álcool no sangue, o que era bom, pois assim as chances de um acidente acontecer eram menores e de acidente de carro já bastava o que eu havia sofrido com Lissa anos atrás.

Levada pela desinibição da bebida, eu cedi uma dança a Zach como parte do seu presente de formatura. A outra parte Dimitri já havia entregado. Tratava-se de uma estaca de prata personalizada com as iniciais de Zach e uma arma com balas enfeitiçadas com a mesma magia das estacas, cortesia do próprio Christian e sua pequena tropa de “operários”. O garoto não sabia o que fazer de tanta alegria.

Nossa dança terminou e eu tive que passar Zach adiante, pois como todo formando ele era o centro das atenções e estava sendo mais do que solicitado. Determinada a conseguir pelo menos mais uma dança eu segui de volta para minha mesa ao redor da qual Dimitri estava sentado, apenas assistindo eu me aproximar a passos lentos, movimentando-me com uma fluidez convidativa. Seus olhos percorreram todo meu corpo, mas foi quando ele me olhou nos olhos que eu senti minha pele arrepiar.

Todo meu plano de convencê-lo a dançar comigo foi por água abaixo, pois antes mesmo que eu chegasse até ele, Dimitri levantou-se e veio ao meu encontro. Eu congelei onde estava, percebendo que a situação havia se invertido assim que ele fez menção de sair do lugar. De repente eu era a caça, não mais o caçador, e eu não tinha a menor noção de como isso tinha acontecido.

Um braço envolveu minha cintura, ao mesmo tempo em que um sussurro quente tocou minha orelha.

“Minha vez”, ele disse achando graça da minha reação ao conduzir-me até o meio do salão. A verdade é que dentre tantas habilidades de Dimitri Belikov, eu jamais imaginei que a dança seria uma delas, afinal não é o tipo de coisa que uma pessoa reservada como ele faria. Mais uma vez eu havia me equivocado.

“Quem é você e que outros talentos você esconde de mim?”, eu perguntei conforme dançávamos, arrancando dele mais uma risada.

“Outra vantagem de ter crescido em uma casa cheia de mulheres”, ele respondeu com um sorriso orgulhoso. E como se quisesse provar o que estava dizendo, encarou dançar comigo mais umas três ou quatro músicas depois daquela, inclusive as de batidas mais fortes e eletrônicas que certamente não fazem parte do gênero musical preferido dele. Ainda assim era como se ele pudesse fazer aquilo de olhos fechados. Eu já nem sabia se dançava ou o assistia dançar, pois vê-lo assim, completamente solto e desinibido, dançando ao ponto de fechar os olhos em alguns momentos e se deixar levar pelas batidas era um espetáculo raro que eu levei anos para presenciar. Eu realmente estava saindo com outro Dimitri hoje e acho que estava me apaixonando por ele também.

Infelizmente não pudemos ficar na festa por muito mais tempo, pois no dia seguinte nós dois tínhamos compromissos a cumprir na escola, então após nos despedirmos de Zach e seus familiares, nos hospedamos em um hotel ali perto para descansarmos algumas horas e pegamos a estrada assim que o sol nasceu.

Os dias seguintes passaram voando. Tudo que eu fazia era planejar minhas aulas como se dependesse daquilo para viver. Bem, de certa forma eu dependia, mas não era por isso que eu me dediquei tanto. Eu queria que desse tudo certo.

No meu primeiro dia de aula como instrutora, eu acordei antes mesmo do despertador tocar. A ansiedade era presente, mas não incapacitante e eu só tinha a agradecer por isso, pois eu não queria abrir mão do meu intenso planejamento.

Coincidentemente, Lissa estaria tendo também sua primeira aula hoje, porém como aluna universitária de Lehigh, e por essa razão liguei para ela assim que anoiteceu para nos desejarmos boa sorte. Mesmo a distância, nosso sistema fraternal de apoio incondicional permanecia intacto. Depois desci para tomar café, juntei meu material e me dirigi para o ginásio onde a aula aconteceria. Um a um, aos poucos, os alunos foram chegando. Ao conferir a chamada e ver que todos haviam chegado, dei início a aula.

“Olá pessoal. Sejam todos bem vindos. Antes de qualquer coisa eu gostaria conhece-los, então vou fazer a chamada para saber quem é quem, certo?”. Eram oito alunos no total, cinco garotos, três garotas. Conforme eu chamava pelo nome e eles erguiam suas mãos, eu pedia que cada um falasse um pouco de si, percebendo que eles não eram muito chegados nisso. Adolescentes….

 Eu resolvi então me apresentar.

“Bom, para quem não me conhece…”

“Isso é uma piada”, um dos garotos comentou.

“Pois, não?”. Eu parei o que estava dizendo assim que ele abriu a boca. O garoto virou um tomate e somente quando viu que eu não deixaria aquilo passar, explicou-se.

“Qual é Rose, como se fosse possível não conhecer você!”, ele exclamou, me fazendo respirar fundo. Isso vai ser mais difícil do que eu imaginava, eu pensei.

“Bom, mas o protocolo manda que eu me apresente formalmente a vocês. Então a quem possa interessar, meu nome é…”.

“Rosemarie Hathaway”, eles entoaram baixinho ao mesmo tempo, soando entediados. Eu tive que segurar um sorriso. Eles de fato sabiam meu nome! Eu me senti magnânima! Claro que não deixei isso transparecer, ou eu jamais teria controle sobre a turma, mas a partir daquele momento eles ganharam meu coração. Sim, eu sou fácil assim de se conquistar.

“Muito bem, feitas as apresentações, eu gostaria de saber de vocês o seguinte: O que vocês esperam dos nossos treinos?”. As respostas foram várias, mas todas elas se resumiam a uma só ideia, por a mão na massa, matar Strigois. Eles queriam ação. Não era uma surpresa, afinal eu mesma só queria saber disso quando minhas aulas práticas começaram.

“E vocês sabem como fazer isso?”, eu perguntei me referindo a matar Strigois. Os olhinhos deles brilhavam com empolgação e eles demonstravam orgulho conforme me descreviam diversas formas de se arrancar a cabeça de um corpo e como cravar uma estaca no peito de alguém com precisão.

“Uau, vocês estão afiados! Por acaso alguém aqui já segurou uma estaca alguma vez?”.  Silêncio.

“Sem problemas, eu não esperava que vocês tivessem mesmo. No entanto eu tenho algumas estacas aqui comigo, não de verdade, é claro, mas ainda assim são estacas. Vocês gostariam de treinar alguns golpes com elas?”. Eles mal conseguiam ficar parados em seus lugares. Eu tomei aquilo por um sim. “Bom, mas para isso vocês precisarão fazer por merecer. Eu vou propor um desafio e somente após vencê-lo vocês terão o direito de usá-las, fui clara?”.

“Manda ver!”, um deles respondeu.

“Tô dentro”, outro disse.

Então eu levantei, pedindo que eles fizessem o mesmo, me afastei alguns passos e então anunciei que aqueles que conseguissem me pegar seriam premiados com o direito de treinar com uma estaca. Eu disparei em seguida, ouvindo somente o som do impacto daqueles oito pares de pés no chão correndo desesperadamente atrás de mim. Meia hora depois todos eles haviam desistido, mas ainda assim me surpreenderam pela persistência. Eu não achei que eles durariam tanto, até porque eu não facilitei.

“Isso não é justo”, o mesmo garoto que havia me interrompido nas apresentações retrucou. Nós já estávamos novamente sentados em círculo. “Você nos fez correr feito idiotas e agora nossa aula já está perto do fim. E as estacas? A ação? Essa não deveria ser uma aula prática?”, ele perguntou com ênfase na palavra prática, como se nada do que tivéssemos feito hoje estivesse relacionado com isso. Eu tive que rir alto. Certas coisas não mudam com o tempo.

Minha risada foi interrompida de repente quando Alberta chegou invadindo o ginásio com uma expressão que gritava “problema”.

“O que foi?”, eu perguntei com receio.

“Um Strigoi foi visto nos arredores. Ele furou a proteção ao redor da escola e pode estar indo para qualquer lugar. Por precaução, não saiam daqui”. Com isso ela partiu, deixando meus alunos com olhos arregalados, me encarando como se esperando por instruções.

“Vocês ouviram, pessoal. Nada de sair do ginásio até segunda ordem. Eu tenho certeza que nossos guardas logo encontrarão esse…”

“Strigoi!”, uma das garotas gritou. Pela escadaria de acesso ao ginásio um garoto não muito mais velho do que meus alunos descia em disparada até nós. A adrenalina é algo muito interessante, pois nessa situação iminente de perigo eles não pensaram duas vezes antes de saírem correndo a todo vapor pelo ginásio, ignorando o fato de terem passado a última meia hora fazendo exatamente isso tentando me pegar.

Eu franzi a testa e olhei naquela direção, surpresa e nervosa por ver aquela figura de olhos vermelhos que se aproximava piscar para mim. Covarde, ele foi direto ao alvo fácil, um bando de jovens Dhampirs completamente desarmados e tomados pelo pânico de estarem face a face com seu pior inimigo pela primeira vez.

O instinto falou mais alto e no instante seguinte eu avancei sobre ele com tanta brutalidade que nós dois fomos ao chão, onde ficamos nos engalfinhando por alguns minutos, até que eu tivesse a oportunidade de montar em cima dele, puxar minha estaca e segurá-la a um centímetro de distância do peito daquele desgraçado.

“Pelo amor de Deus, Zach, diga que está usando lentes”, eu disse entre os dentes, furiosa. Isso não fazia parte do plano.

“Você gostou? Elas são bem convincentes, não?”, ele disparou caindo na gargalhada.  Eu não tinha dúvidas, Christian estava por trás disso, pois Zach jamais pensaria numa coisa dessas sozinho e os dois estavam se falando com bastante frequência, mesmo Christian estando longe.  Poderia uma amizade ser mais catastrófica do que essa? Eu queria revanche, mas infelizmente eu não podia resolver isso agora, pois tinha uma aula para continuar, então respirando fundo e me controlando para não acabar com ele ali na frente de toda a turma, eu saí de cima de Zach, guardei minha estaca de volta e tentei prosseguir com o script que passei os últimos dias elaborando desde que aceitei esse desafio.

“Falso alarme, novatos! Vocês foram apenas vítimas de uma pegadinha de boas vindas preparada por mim”. Eles demoraram um pouco até conseguirem se concentrar no que eu estava dizendo. Alguns ainda estavam impressionados com a luta que eu e Zach havíamos performizado e outros assustados mesmo. Quando consegui a atenção de todos eu apresentei Zach a eles, expliquei minha brincadeira envolvendo ele e Alberta, agradeci aos dois pela participação e segui meu cronograma, feliz que além de atenção eu havia ganhado ainda mais o respeito de cada um dos meus alunos.

“Lição número um: cuidado com aquilo que vocês desejam”, eu ironizei. “Vocês não queriam ação? Bem, vocês tiveram”. Eu fiz questão de sorrir com malícia para que eles entendessem que eu estava disposta a desafiá-los com brincadeiras desse tipo durante o resto do semestre. Alguns fizeram caretas como se não tivessem gostado de terem sido feitos de bobos, o que eu ignorei, pois seus olhos os traíam, brilhando de excitação apenas de imaginar o que eu poderia aprontar a seguir.

“No entanto há algo mais importante para se aprender disso tudo”, eu pontuei. “Se o que simulamos agora acontecesse na realidade, vocês estariam sem nenhuma estaca ou qualquer outra ferramenta que pudessem usar para decapitar e matar um Strigoi. Sem falar que teriam sido pegos completamente de surpresa. Assim, eu pergunto, o que fazer para sair de uma situação dessas? E não digam que não sabem, pois vocês acabaram de fazer isso”.

Silêncio. Eles perceberam onde eu queria chegar, mas eram orgulhosos demais para admitir.

Por alguns segundos eu consegui vislumbrar Dimitri e eu, aqui nesse mesmo ginásio, eu questionando os métodos dele e ele achando graça da minha indignação. A nostalgia da lembrança de como eu havia me transformado no que sou hoje deixou meus olhos úmidos.

Triunfante, eu sorri, lembrando com carinho e não com ressentimento da reação que eu tive quando foi minha vez de aprender essa lição, o que me deu a certeza de que um dia eu teria meu reconhecimento também.

Ao lançar para a turma a resposta, ela ecoou em minha mente no mesmo instante, porém com um leve sotaque russo e um gostinho de saudade.

 “Você corre”.

E antes que eu pudesse descobrir se um dia as coisas poderiam voltar a ser como eram, aqui estava eu, de volta aonde tudo havia começado.

~~~~~~~~~~~~~~ * FIM *~~~~~~~~~~~~~~

24 Comentários leave one →
  1. Roberta permalink
    09/01/2011 1:38 AM

    Lindo … sem palavras!!! Parabéns!!!

  2. nicole permalink
    09/01/2011 10:51 AM

    OMG LITTLE,CHORANDO MT NO MOMENTO,SERIO! Vc consegue imaginar isso? Eu chorando no meu trabalho? rsrsr
    Eu realmente ñ poderia esperar ou querer um final melhor,lindo,emocionante!!!!
    Depois de tanto tempo vc ainda consegue no surpreender little,estou mt feliz e orgulhosa !! PARABENS msm,amei td,foi perfeito, emoçao,humor,drama vc coseguiu por um pouquinho d td e nos emocionar!
    Quem sabe no proximo ano,depois q vc descançar um pouquinho ,pd voltar e dar mais um gostinho do seu talento pra nós em?!!
    Enfim,acho q é a nossa despedida né? Foi um grande prazer….🙂
    mil beijos e q Deus continue te iluminando,tanto nas historias quanto na vida real.
    S2🙂

  3. Bárbara permalink
    09/01/2011 12:13 PM

    LIttle eu li a os últimos capítulos ontem a noite logo depois que vc posto, mas quando eu fui deixar um comentário eu ñ sabia o que escrever de tão emocionada que eu fiquei, então decidi que eu ia pensar no que escreve e fazer isso hoje a tarde, já que de manhã eu tenho que estudar, e eu ADOREI essa dobradinha que vc fez. Meus PARABÉNS pela melhor fic. que eu já li e pelo seu esforço que vc fez pelos seus leitores, mesmo quando atrasava. Eu ñ a acompanhei desde o inicio, eu só fiquei sabendo em Janeiro deste ano, mas mesmo que eu estivesse atrasada e depois consigui

  4. Bárbara permalink
    09/01/2011 12:24 PM

    Desculpa por ñ ter acabado a frase é que eu cliquei errado.
    Continuando:
    Alcançar vcs eu fiquei muito feliz por isso ter acontecido. Little estou orgulhosa de vc por tudo que vc fez por nós. E estou sem palavras ainda pelo final da fic. pois vc conseguio colocar tudo em dois capítulos.
    Então eu acho que isso é uma boa despedida, por enquanto eu espero e também espero que vc continue escrevendo para todos nós e continue melhorando cada vez mais, nos avise se vc for escrever outra fic. para que fiquemos ligados, Mas por enquanto descanse’ e leia Last Sacrifice o original.
    Muito obrigada por tudo Little. Bjs Babi

  5. Laís permalink
    09/01/2011 1:52 PM

    O fim não poderia ter sido mais perfeito…. Finalmente o bom e velho Dimitri apareceu e toda a tensão que há na relação entre a Rose!!!

    Parabéns, ficou mto bom mesmo!

  6. 09/01/2011 2:21 PM

    Ainnnnnnnn
    Não acredito q chegou ao fim…😄

    Q lindo!!!!!!!!!
    PARABÉNS LITTLE.
    Foi quase um ano acompanhando a fic \o/~
    Adorooooooooooooooooooooooooooo
    Só comentei agora pq passei a manhã toda e agora tarde lendo em pedacinhos para a minha chefe não ver… hehehehehe
    MAs conseguiiiiiiiiiii \o/
    E ouso dizer q esse final tá melhor, bem melhor q o original, hein!!!!!!😄
    bjs^^

    P.S. se por acaso depois q vc ler o LS quiser escrever alguma coisa pós LS, eu sou a favor hein!!!!!😄 \o/

  7. Patrícia permalink
    09/01/2011 6:35 PM

    Oh minha linda, Ameiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii vc é maravilhosa eu fiquei emocionada, com tudo só posso parabeniza-a, e dizer que estarei esperando sua proxima fic, Parabénssssssssssssssssssssssssssssss.
    Ameiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
    bjs!

  8. .:Little.Crazy.Dhampir:. permalink
    09/01/2011 6:36 PM

    Gente obrigada pelos comentários!!Que bom que gostaram!!
    Nicole que bom que vc chorou!! Fico feliz por ter conseguido isso hahaha =p
    Gente eu vou postar logo umas considerações finais sobre a fic pq o conteúdo é grande pra se colocar nos comentários, então de repente nos vemos lá heheheh
    bjão!

  9. Clarissa permalink
    09/01/2011 7:16 PM

    Triste por ser o fim ,mas você não poderia ter terminado a história de forma mais perfeita e emocionante,Parabéns

  10. 09/01/2011 9:09 PM

    cara, tipo, adorei mesmo, muito boa – isso que eu achei que eu não ia conseguir ler essa semana, afinal eu tenho seis fics para escrever um capitulo cada até domingo, chorando… – enfim, amei, sorrindo, chorando, tudo ao mesmo tempo, fico triste que você tenha acabado, tipo, eu queria saber como ficaram as pegadinhas da rose, mas fico feliz que você possa ler L.S. (Finalmente) e bem, desejo tudo de bom a você (E suas fanfics e tudo mais…) enfim, obrigado por não me fazer enlouquecer quando L.S. ainda não tinha lançado e eu não tinha nada para fazer, e Little, continue escrevendo bem assim, você mereceria receber um troféu. Você teve um desfecho incrivel – que ninguem nunca imaginaria – e bem, espero que seja bem feliz (nossa, parece que eu to meio que terminando uma história ¬¬’) mas enfim, fico feliz por você e bem… acho que você merece saber (por mais que já saiba) que você é a melhor escritora de todos os tempos, sua fanfic é a melhor e bem, é minha preferida! Beijos e até logo (espero eu).

  11. Pricilla permalink
    09/01/2011 10:15 PM

    Lindo!!!!!Amei!!!! Parabéns!!!!
    Já estou anciosa pela próxima!!!!

  12. Elooisah' permalink
    09/01/2011 10:51 PM

    Perfeeito *—-*

  13. 09/03/2011 10:25 PM

    O.M.G…
    Você sempre me fazendo chorar hein…
    Ah foi lindo…
    Perfeito…
    Nem tenho palavras…
    Ah eles formam o melhor casal que existe…
    Sim Zach, não teria pensado nisso sozinho…
    Tinha obra do Chris…
    Sim Lissa tomou um grande passo na vida dela…
    E Victor tbm…
    Só Rose mesmo…
    Um cachorrinho…
    srsrsrs…
    Ah Dimitri é perfeito
    Imagino ela falando com sotaque Russo…
    Ah estou triste que acabou…
    E posso dizer que nem chorei tanto quando li a versão verdadeira…
    Você me fez ter uma perspectiva diferente de Last Sacrifice, e sinceramente te agradeço muito….
    Obrigada…
    Beijos…

  14. jeh.herani permalink
    09/04/2011 3:20 AM

    Esta perfeito…
    Até acho que esse final ficou melhor do q eu imaginava…
    Adorei a sua fic…
    Parabens!!

  15. .:Little.Crazy.Dhampir:. permalink
    09/06/2011 3:30 PM

    Gente eu me sinto na obrigação de vir aqui e continuar agradecendo os comentários que continuam chegando! Obrigada mesmo pelo retorno! =)

  16. Najla permalink
    09/09/2011 7:27 PM

    Só tive tempo pra ler hoje…
    Ficou lindo. Amei.
    Simplesmente perfeito, nem da pra explicar.
    Parabéns, Little.

    Bjo’Bjo’

  17. .:Little.Crazy.Dhampir:. permalink
    09/09/2011 11:33 PM

    Obrigada Najla!!Fico feliz em saber que gostou =)

  18. Laís permalink
    09/30/2011 1:14 PM

    Gente… preciso compartilhar com vcs. Bloodlines tem mais surpresas do que a RM quis compartilhar conosco pobres leitores sedentos por mais VA!

    A última frase me deixou realmente ansiosa pelo lançamento do próximo livro. Achei a história meio água com açúcar demais e um tanto quanto óbvia, mas gente Dimitri Belikov estará de volta!!!!! Eu sinceramente não esperava por essa… A.M.E.I

  19. .:Little.Crazy.Dhampir:. permalink
    09/30/2011 4:18 PM

    Nem me fale Las! Comeo hj a leitura do livro e assim que der estarei postando uma review! =D Bjss

  20. Anna Hathaway Mezur Belikov permalink
    04/17/2012 4:01 PM

    oi amiga
    só voce para me fazer chorar nos ultimos capitulos da morte de Adrian
    coitado
    adorei
    beijos

  21. .:Little.Crazy.Dhampir:. permalink
    04/17/2012 4:21 PM

    Eu te entendo, Anna. Eu mesma chorei mto ao escrever esses capítulos. Não foi nada fácil dar esse fim ao Adrian. Mas fico feliz de saber que tenha gostado da história mesmo assim!🙂

  22. erika permalink
    10/02/2012 1:57 PM

    Gostaria de te parabenizar por tudo a sua imaginação e maravilhosa meus olhos não conseguem segurar as lagrimas que estão difamando nunca vi uma fic tão maravilhosa como essa
    Chorei com o discurso da rose relembrando em cada palavra toda estória ocorrida nos livros e na sua fic já li o livro original mas não se compara com o seu tudo praticamente esta perfeito rose dando aula para praticamente “mini rose” Dimitri morando do lado da escola lissa em sua faculdade com cristian
    Meus milhões de parabéns por essa fic continue escrevendo escreva uma continuação dessa fic coloque que lissa foi sequestrada e rose a salvou mais perdeu a memória e quem a =ajada recuperar e a família de Dimitri mais todos na corte e na escola pensão que ela moreu depois ela volta e encontra uma menina beijando Dimitri…. estou deixando uma dica com suas palavras e sua criatividade com certeza seria mais uma fic de sucesso
    Um beijo e um abraço de uma escritora para outra

  23. Angela Hathaway permalink
    07/21/2015 8:55 PM

    Não sei nem como descrever o seu talento, merece aplausos e muita admiração, pois eu fiquei sem folêgo do começo ao fim desse fanfic, magnifício, perfeito, pode ser que teve umas coisas tristes (Morte de Adrian), porém foi bem encaixada e teve um lado majestoso de ser algo positivo nas escritas, parabéns mesmo. Muito bom, não quero dizer PERFEITOO. O fim não foi aquele que supreendou muitos…
    Espero que você segue essa carreira, porque você nasceu para isso, nenhum critica só elogio, pois não tem o que falar foi tudo maravilhoso…

    Bom não sei se esta aberta sobre isso, mas tipo depois que eu li esse último capitulo e pensei que o final séria um jantar na casa nova de Abe com os três casais (Abe e Janine, Christian e Lissa e Rose e Dimitri) tendo um final de semana demonstrando como a idéia de Lissa de uma família grande e feliz. Mas não posso falar nada sobre esse final porque foi sensacional. Amei tudo,

    Parabéns mais uma vez.

  24. .:Little.Crazy.Dhampir:. permalink
    07/21/2015 9:57 PM

    Angela, sempre muito ler um comentário desses depois de tanto tempo após o fim da fanfic. Não sigo essa carreira, mas sempre tive vontade de seguir, pois escrever e criar histórias estão na minha lista de atividades preferidas. Escrevi essas fanfics (escrevi uma de Blood Promise tbm) para suprir minha necessidade de estar naquele universo de Vampire Academy e poder compartilhar isso com os fãs da série. Sempre bom saber a opinião de quem leu, mas mudar o final não é algo que eu faria, porque mudaria completamente o que significado de ter escrito essa história desse jeito.
    Muito Obrigada pelo comentário e pela consideração! =)

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