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Fanfic Last Sacrifice – Capítulo 49

07/13/2011

Com todo respeito… PQP! Eu achei que eu não conseguiria terminar esse capítulo nunca! Já tava quase mudando meu nick (coisa de velho, credo) para Little Insane Dhampir! Sério, acho que vocês não devem estar mais ansiosos do que eu em relação a postagem desse capítulo. Mil perdões pelo mega atraso, mas  a vidinha aqui anda meio corrida e por mais que eu estivesse mega inspirada para escrever, o maldito reloginho estava andando contra mim.

De antemão já aviso que o prazo para o próximo capítulo será 24 de julho, exatamente para não acontecer a mesma coisa que agora. Se der posto antes. Eu só espero não ter mais nenhum imprevisto até lá! Gente, agosto tá chegando, o Bloodlines tá quase saindo e eu não terminei essa fic ainda! Que horror! Me desejem boa sorte!

Sem mais para o momento, com vocês, o capítulo 49.

Para ler capítulos anteriores, clique aqui.

Para críticas, elogios, reclamações sobre atraso de capítulos e perguntar como eu termino um capítulo assim, use os comentários =p

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Fanfic Last Sacrifice (by Little) – Capítulo 49

Diferente do que seria se Adrian ainda estivesse vivo ao aterrissarmos, os pilotos seguiram todos os procedimentos padrão até a parada total da aeronave. Com isso Abe aproximou-se mais uma vez, agora junto da Dra. Olendski, que seguiu na direção da maca onde estava o corpo de Adrian, aguardando instruções.

“Chegamos, Rose”, Abe anunciou ao esticar seu braço. “Vamos, eu ajudou você a se levantar”. Eu sequer olhei para ele.

“Rose, por favor”. Nada. “Olha, a Dra. Olendski precisa tirar Adrian daqui antes que a notícia se espalhe e tenhamos um bando de curiosos fazendo perguntas sobre o que aconteceu. Vamos todos descer do avião, ok?”. Ele fez um sinal com a cabeça para a doutora, que entendeu aquilo como um siga adiante. Contudo ao vê-la cobrir o rosto de Adrian com um lençol, eu surtei.

“Não!”, eu gritei ao me levantar e desfazer a ação da médica. Cobrir o rosto de Adrian era demais. Se ele acordasse, eu queria ser a primeira coisa vista por ele, não um lençol branco. Porém ao encostar sem querer no rosto dele e sentir sua pele gelada, uma sucessão de imagens invadiu minha cabeça fazendo-me recuar como se tivesse levado um choque. Eram imagens da luta que acontecera a pouco, de Adrian ferido, queimado, deitado sozinho na cama da enfermaria da escola, do gráfico do monitor cardíaco se transformando em uma linha reta.

Em pânico e andando para trás, como se ao me afastar de Adrian eu estivesse fugindo do pesadelo que eu estava tendo mesmo acordada, eu acabei tropeçando em meus próprios pés e caindo sentada no chão. Não era longe o suficiente, então eu continuei me arrastando até voltar a sentir as paredes do avião contra minhas costas. Ali me aquietei, permitindo que a Dra. Olendski cobrisse Adrian a tempo de as portas do avião serem abertas, o que foi bom, pois no instante seguinte Lissa estava enfiando sua cabeça por uma delas querendo saber qual era o motivo de tanta demora para desembarcarmos. E ela não era a única, pois se Lissa estava lá quer dizer que minha mãe, sua nova guardiã, não deveria estar muito longe.

“Entre Lissa, ela precisa de você”, eu ouvi Dimitri dizer ao se aproximar de minha amiga.

“Quem, Rose? Por quê? Onde ela está? O que houve?”, Lissa disparou um questionário, soando preocupada. Dimitri apontou a cabeça na minha direção.

“Ela está ferida?”.

“Não exatamente”.

“E quanto a Adrian?”. Dimitri suspirou alto, procurando palavras, imaginando que pela demora na resposta Lissa entenderia o recado, mas não.  Então Christian resolveu tentar.

“As coisas ficaram um pouco complicadas…”.

“Quão complicadas?”.

“Bem complicadas. Adrian não resistiu”, Christian largou a bomba sem hesitar, como se assim a notícia fosse menos difícil de ouvir. Lissa ficou paralisada, possibilitando que suas defesas baixassem e eu involuntariamente invadisse seus pensamentos. Primeiro veio o choque, depois o pesar e então o que ela estava começando a sentir desapareceu, como se determinada a colocar temporariamente tudo de lado. Meu nome foi a última coisa que passou pela cabeça de Lissa antes de eu ser bloqueada outra vez.

“Saiam da minha frente”, ela ordenou para a surpresa de todos, afastando sem nenhuma delicadeza os que a impediam de chegar até mim. Ver minha melhor amiga se aproximar como se eu fosse um animal acuado me fez pensar no bagaço que eu deveria estar. Não que eu estivesse dando importância para minha aparência, eu só não queria que as pessoas me vissem como uma pobre coitada e Lissa parecia saber disso.

“Não se preocupe”, ela praticamente sussurrou ao prender meu bagunçado cabelo com um prendedor que ela tirou da própria cabeça. “Ninguém vai ver você assim, ta bom? Eu tomarei conta de você”.

Nesse instante eu ouvi vozes familiares do lado de fora, literalmente familiares. Aparentemente Abe estava atualizando minha mãe dos fatos e pelo visto ela não estava gostando muito do que ouvia. Sua presença ali não era uma surpresa, afinal quem conhece Janine Hathaway sabe que ela jamais estaria a uma distância que ela não julgasse segura para proteger um Moroi.

Ainda mais, Lissa.

“Eu quero ver minha filha, Ibrahim”, ela praticamente exigiu.

“Com suas emoções desse jeito?”.

“Como você ousa…”

“Nesse exato momento, ela não precisa de pais preocupados, ansiosos, nervosos, piedosos e compadecidos ao redor dela, você não entende?”

“Que tal você parar de tentar adivinhar o que eu estou sentindo ou vou sentir?”.

“Não é adivinhação, Janine, é um fato. É de partir o coração”.

“Chega! Eu não vou ficar aqui ouvindo isso”. Em seguida minha mãe invadiu o avião pela mesma porta por onde Lissa havia entrado, mas assim que me viu, parece ter congelado e o clima pesou ao nosso redor. Abe apareceu logo em seguida, mas ao invés de recomeçar a discussão que os dois estavam tendo, segurou-a pela mão e minha mãe, acho que nem percebendo, entrelaçou seus dedos com os dele.

“Céus, Ibrahim…”, ela murmurou.

“Eu sei”, Abe respondeu, confortando-a com um leve beijo no topo da mão. “Mas ela precisa de tempo e também de espaço, Janine. Isso é o melhor que podemos oferecer a ela agora. Além disso, ela tem amigos de ouro que fariam e estão fazendo tudo por ela”. Quando minha mãe não respondeu, Abe se colocou à sua frente. “Ela está lidando com o que houve da melhor forma possível e nós precisamos respeitar isso até que ela esteja em condições de aceitar nosso afeto sem que isso a machuque mais do que a conforte”.

“Você está me pedindo para não ser uma mãe, Ibrahim. Você sabe o quanto isso é difícil?”, ela perguntou com dificuldade; sua voz alterada pela emoção.

“Eu sei, porque eu posso sentir. Mas acredite no que estou lhe dizendo Janine…”. Por um bom período os dois trocaram olhares em silêncio, minha mãe permitindo que Abe percebesse todas suas emoções. Depois do que pareceu uma eternidade, Abe a puxou para perto de si e a abraçou.

Um nó se formou em minha garganta. Não sei dizer se foi a emoção de ver meus pais demonstrarem tamanho afeto entre eles ou a preocupação deles comigo, mas naquele momento, mesmo observando o que acontecia através da minha visão periférica, meu coração ficou apertado.

“Ei, Dimitri”, Lissa chamou, desviando o foco de minha atenção. “Eu preciso levar Rose até o meu quarto para cuidá-la direitinho e dar a ela um pouco de privacidade. Você pode carregá-la?”. Antes de responder, Dimitri olhou na direção de Abe.

“Por mais que eu gostaria, eu não posso, pois preciso acompanhar o senhor Mazur e a Dra. Olendski até Daniella para, você sabe, avisarmos sobre Adrian”, Dimitri lamentou. Lissa baixou os olhos, provavelmente imaginando a reação que a mãe de Adrian teria. Mais do que ninguém, Lissa sabia o que era perder alguém da família. “Mas eu acho que Zach pode acompanhá-los, não?”, Dimitri perguntou.

“E-Eu?”, Zach indagou surpreso. “Claro, quer dizer, estou aqui para ajudar no que for necessário”. Dimitri então disse algo ao pé do ouvido de Zach e foi ao encontro de meus pais e da Dra. Olendski enquanto Zach, por sua vez e com todo cuidado, abaixou-se na minha frente. “Rose, eu vou partir do pressuposto que você não está em condições de levantar e caminhar sozinha, então se eu estiver enganado, me dê um sinal, pois eu estou prestes a carregar você mais uma vez”. Como eu não disse nada, ele me pegou nos braços. “Eu sei, eu sei que você odeia isso, mas nós precisamos tirá-la logo daqui. Você pode gritar comigo mais tarde, ta bom?”.

“Zachary, com todo respeito, ela não parece ter se importado”, Christian comentou pensando por um momento que o novato perdera o juízo.

“Você pode não acreditar, mas eu consigo ouvi-la resmungando nesse exato momento”. E ele estava certo. Por dentro eu estava resmungando, não exatamente por estar sendo carregada por Zach, mas por estar dependendo das pessoas até mesmo para me deslocar de um lugar ao outro. Eu queria sair desse estado e poder gritar, colocar para fora toda a dor, a tristeza, o luto de ter perdido uma pessoa tão especial. Queria poder arrancar os cabelos e lacerar a pele com minhas próprias unhas até deixar rastros de sangue por todo meu corpo para dar sentido e forma a esse vazio que não tinha fim. Engraçado, quando eu sentia exatamente a mesma coisa através da ligação com Lissa, vivenciando a necessidade que ela tinha de se cortar na época em que ainda não tinha controle sobre os efeitos do uso excessivo de seus poderes, não parecia tão difícil. Provavelmente porque tais sentimentos não pertenciam, de fato, a mim e caso a intensidade deles fosse demais, eu ainda tinha a opção de bloquear Lissa e esperar tudo passar, um luxo do qual eu não dispunha agora. Quer dizer, eu até poderia evitar o contato com a dor, o desespero e tudo mais, mas não importa por quanto tempo eu tentasse ignorar a realidade, tais sentimentos estariam me esperando, fiéis, para serem enfrentados em algum momento que não agora.

“Ok, rapazes. Acho que podemos ir agora”, anunciou Lissa.

“Eles já foram?”, Zach perguntou a Christian, que respondeu afirmativamente. Então Zach virou na direção da porta do avião e eu percebi o que havia ocorrido. Toda aquela conversa era para me distrair do que estava acontecendo nos bastidores, a retirada do corpo de Adrian do avião. Ver o espaço vazio ocupado antes pela maca foi apenas uma amostra do que estava por vir, a eterna procura por alguém que não estaria mais lá.

Adrian se fora de novo, sem me dar a chance de dizer a metade das coisas que eu gostaria, mas, principalmente, sem me dar a chance de dizer adeus. Por ironia ou coincidência, Adrian partiu da mesma forma como surgiu em minha vida: inesperadamente. Não digo que um dia eu fosse estar preparada para perdê-lo, mas eu acho que ele partiu cedo demais.

Cansada de tudo, eu fechei meus olhos enquanto era carregada pelos corredores da corte. Talvez se eu fingisse estar dormindo, eu deixaria de ser o foco da atenção de todos. Parece ter funcionado.

“Então, Zachary, certo?”, eu ouvi Lissa perguntar. “Nós ainda não fomos devidamente apresentados. Eu sou Vasilisa Dragomir, prazer em conhecer”.

“Como se eu não soubesse. Mas em todo caso, eu sou Zachary Schoemberg, Zach para você, ao seu inteiro dispor”.

“Você disse Schoemberg?”. A surpresa misturada com uma momentânea empolgação na voz de Lissa não deixava dúvidas de que ela conhecia a história deste sobrenome. Christian limpou a garganta, parecendo não ter gostado disso.

“Ela já tem dono, garoto”, ele alertou.

“E tem como esquecer uma coisa dessas? Se eu sei que ela é a princesa Vasilisa Dragomir é porque você não se cansou de me falar sobre ela durante toda a viagem! Somente um estúpido não perceberia que seu interesse nela vai além da admiração”.

“Apenas lembrando você”.

“Christian, não é hora para isso, pelo amor de Deus!”, Lissa exaltou-se. “Além do mais, é melhor se acostumar com a presença dele por aqui. Quer dizer, eu não conheço você, Zach, nem entendo a relação próxima que você parece ter construído com a Rose em tão pouco tempo, mas talvez nós precisemos de você por aqui durante um período, até as coisas se acalmarem. Você acha que é possível?”.

“Claro, sem problemas! Só me diga onde eu tenho que dormir! Agora, quanto a Rose e eu, não se preocupe em entender nossa relação, pois nem mesmo eu a entendo. Apenas me contento em saber que está funcionando”, Zach refletiu em voz alta, como se fizesse questão que eu o ouvisse. Será que ele sabia que eu ainda estava acordada?

Durante o resto do percurso, Lissa comentou com Christian e Zach as novidades sobre a eleição real e como ela estava eufórica por finalmente ter sido aceita para fazer parte do conselho. Parece que uma parcela dessa conquista se devia à coragem que Daniella teve para denunciar as intenções de Nathan e Eugene em viabilizar o uso de compulsão para obrigar os Dhampirs a lutarem, pois com a abertura de um inquérito para investigar o que estava acontecendo, os envolvidos sequer tentaram impedir Lissa, provavelmente com medo de serem descobertos. Sem compulsão que impedisse o andamento natural do processo, o caminho ficou livre, pois as provas trazidas por Jill eram irrefutáveis. A autenticidade dos exames foi comprovada e ela foi declarada uma Dragomir quase instantaneamente. Assim, com a reformulação no conselho finalizada muito antes do que se esperava, a eleição deveria acontecer no dia seguinte, mas Lissa acreditava que depois que a morte de Adrian fosse oficialmente anunciada, essa data sofreria alteração mais uma vez, em respeito à família Ivashkov, antecessora no poder.

Porém isso não chegava a ser um problema diante de outra situação que precisaria ser manejada com cuidado. Parece que chegou aos ouvidos das pessoas a informação de que eu ainda estava viva, o que gerou muita polêmica e revolta do povo com os sistemas judiciário e penitenciário, reacendendo aquela antiga sensação de insegurança coletiva, talvez ainda remanescente desde a morte de Tatiana. Como a notícia fora espalhada, ou por quem, não vinha ao caso, até mesmo porque uma hora essa informação vazaria. Contudo, na opinião de Lissa, isso não poderia ter acontecido em um pior momento, pois até agora ninguém sabia do envolvimento dela e de tantas outras pessoas na simulação da minha morte e se isso viesse à tona por alguma razão, seu lugar no conselho poderia estar novamente ameaçado antes mesmo de ser assumido. Por enquanto todos os envolvidos estavam agindo como se também estivessem surpresos, mas com a minha presença diante do nariz das pessoas, a mentira logo viria abaixo. Para Lissa, a solução talvez fosse provar que estávamos apenas evitando uma injustiça de ser cometida, mas para isso seria necessário apurar a investigação sobre a participação de Eugene na morte da antiga rainha, o que levaria mais tempo do que a paciência do povo poderia tolerar, além de não oferecia garantias de que funcionaria. Definitivamente era o caos! Será que essas eram as “coisinhas” às quais Lissa se referiu quando nos falamos da última vez? Pois o diminutivo certamente foi muito mal empregado por ela na definição do termo!

No entanto Lissa confessou que, com o retorno de Abe, ela tinha esperança de que tudo se encaminharia da melhor forma possível, até mesmo porque como meu pai, ele não permitiria que nada de mal me acontecesse, principalmente agora que eu não estava em condições de me defender contra acusação alguma. Porque estava, mais uma vez, impotente. Você está ficando cada vez melhor nisso, não é mesmo, Rose? – disse minha voz interior.

O assunto parou por ali. Zach deve ter percebido que meu corpo não estava mais relaxado como antes e sinalizado algo para seus companheiros, pois nada mais foi dito até chegarmos ao quarto de Lissa. Mas era tarde demais. Eu ouvi tudo que fora dito.

Uma vez dentro do quarto, Lissa correu até o banheiro para me preparar um banho quente, pedindo que Zach me colocasse com roupa e tudo dentro da banheira ainda em processo de enchimento e, após pedir licença aos dois rapazes que nos acompanhavam, fechou e chaveou a porta.

“Ok, agora somos somente você e eu”, ela anunciou antes de ajoelhar-se no chão com uma pequena bolsinha de acessórios, de onde tirou um pequeno instrumento que eu conhecia de outros carnavais. Uma tesoura, a mesma que ela usou algumas vezes para se cortar no passado.

“Não chega a ser estranho como essa coisa sempre se faz necessária nos piores momentos?”, ela perguntou imersa em memórias. “Mas não se preocupe, pois hoje eu vou usá-la apenas para cortar suas roupas fora, por isso tente não voltar a se mexer nesse meio tempo, por favor, porque você não precisa adicionar ao seu dia um acidente com uma tesoura, certo? Acho que você já passou por muita coisa hoje”.

Então ela arrumou meu cabelo todo para trás e começou a abrir todas as minhas roupas até que eu estivesse completamente despida, colocando o que sobrou delas dentro de um cesto. Olhando ao redor, Lissa verificou os produtos de higiene que tinha à sua disposição, levantando rapidamente ao perceber que se esquecera de pegar uma toalha. Ao retornar, ajoelhou-se novamente ao meu lado, pegou uma vasilha de plástico para juntar um pouco de água e, protegendo meus olhos com uma das mãos, despejou o conteúdo lentamente sobre minha cabeça. Eu estava quase me permitindo relaxar quando Lissa começou a falar.

“Rose eu preciso dizer algo importante a você, mas eu nem sei por onde começar, pois nesse estado em que você se encontra eu não tenho nem idéia do terreno onde estou pisando, então se for simplesmente demais para você ouvir isso, me faça calar a boca de alguma forma ok?”. Ela suspirou, passou um pouco de shampoo em minha cabeça e começou a massageá-la até conseguir um pouco de espuma, enxaguando-a em seguida.

“Bem, o que eu quero lhe falar é que quando Adrian acordou do coma, você não foi exatamente a primeira pessoa com quem ele pediu para conversar”. Por que a voz de Lissa parecia trêmula? “Ele chamou por mim antes, porém como eu estava longe, alguma boa alma conseguiu que nossa conversa acontecesse pelo menos por telefone. Foi dessa forma que Adrian me contou brevemente o que havia acontecido durante o ataque, querendo saber de mim se eu achava que você estaria muito furiosa, porque ele estava com medo de chamá-la e descobrir que você não queria ver a cara dele”.

 Meu Deus…

“Tipo… ridículo! Eu disse a ele que você jamais faria uma coisa dessas, que você se importava demais com ele para ignorá-lo desse jeito, mas ele continuava dizendo que dessa vez achava que tinha exagerado, porque mesmo sabendo que você sentia-se responsável por ele e que morreria de culpa se algo lhe acontecesse, ele saiu do círculo de fogo em que estava, contrariando você e Christian”. Lissa fez uma breve pausa, ensaboou a esponja e então continuou, esfregando-a suavemente sobre minha pele. “Adrian sabia dos riscos, Rose. Ficou até mesmo surpreso quando acordou na cama da UTI, pois pensou que uma vez confrontando um Strigoi, ele não sobreviveria. Talvez seu único medo fosse o de que, com essa atitude, ele tivesse arruinando a relação de vocês dois para sempre”. Nunca, eu pensei enquanto o condicionador era passado em meu cabelo. “E ele…”. Lissa hesitou e nessa hora eu senti algo escapar através do bloqueio que ela impunha sobre nossa ligação. Ela limpou a garganta antes de tentar mais uma vez e eu me preparei para o que viria a seguir segurando a respiração, afinal Lissa parecia estar no limite do controle de suas próprias emoções.

“Adrian estava com medo de não ter oportunidade ou tempo suficiente para se justificar. Ele estava se sentindo fraco, então me usou como seu próprio disco de recuperação, dando-me a difícil missão de transmitir algumas palavras a você caso algo o impedisse de fazer isso pessoalmente”, ela informou com os olhos marejados, ao secar uma das mãos para segurar seu celular.

“É óbvio que eu não tive muita escolha a não ser atender à solicitação dele de gravar o que ele gostaria de lhe dizer para, segundo o próprio Adrian, não haver o risco de mal entendidos. Aquele neurótico filho da mãe”, ela resmungou saudosamente ao deixar uma lágrima escapar, apertando o aparelho contra sua mão, parecendo odiá-lo pelo que iria reproduzir. “O que há aqui pode ser bastante intenso e difícil de se ouvir agora. Você quer mesmo que eu prossiga?”. Eu apenas a olhei dentro de seus olhos, acreditando ter passado o meu recado.

“Droga, Rose!”. Eu desviei o olhar para a parede, apenas esperando que ela apertasse “play”. Lissa respirou fundo mais uma vez, mas, antes de dar inicio ao áudio, segurou minha mão firmemente por baixo d’água. “Ok, lá vamos nós”. Lissa ativou o viva-voz e reproduziu a gravação que continha as palavras mais difíceis que alguém poderia ouvir.

“Querida Rose, a primeira coisa que pensei depois que abri os olhos e lembrei o que havia acontecido, foi a sua expressão de quando me viu sair daquele círculo de fogo. Até agora eu não sei dizer se você sentiu raiva, desespero ou medo. Só sei que eu não gostaria de ter feito você sentir nenhuma dessas coisas e por isso, me perdoe. Mas eu precisava escolher entre sobreviver para ver você chorar a morte de quem realmente ama ou me arriscar para você ter a chance de sorrir novamente. Eu amo seu sorriso, Rose, o que eu poderia fazer?

Até conhecer você, eu achava que jamais me arriscaria por outra pessoa, mas então eu descobri que era porque eu ainda não tinha conhecido ninguém por quem valesse a pena me arriscar. Até isso você me deu, obrigado. Deu-me muito mais, pra dizer a verdade. Você me deu seu coração, sua confiança, sua amizade, muito mais. Através de você eu conheci pessoas maravilhosas, com um destaque especial para quem está ao seu lado agora. Ela é a melhor! Lissa, com todo o respeito, eu amo você”.

Aos prantos, Lissa soltou  um soluçou, deixando fluir a emoção que estava segurando até agora.

“Mas eu amo você mais, little Dhampir, portanto, não leve ao pé da letra o que eu lhe disse uma vez, sobre ser a coisa mais perigosa que poderia ter me acontecido, pois você foi a melhor coisa que me aconteceu até hoje, tanto que se eu partir deste mundo agora, não tenho do que reclamar. Mas não é algo com que você precise se preocupar. Eu ficarei bem, pois acredito que a morte faz parte da vida e se esse for o meu destino, eu o acatarei de braços abertos, óbvio que não antes de lutar até o fim.

Eu sei que você vai dar um jeito de pensar que poderia ter mudado o final dessa história e se martirizar por não ter conseguido, mas não cabe a você se responsabilizar pelas conseqüências das decisões que eu tomei sozinho, apesar de entender o seu lado. Você não gosta de ser salva porque sabe que quando alguém assume um risco por você, o peso para se carregar depois é muito grande, não é mesmo? Apesar de você fazer isso toda hora, salvar os outros.

Qual a diferença? É tão difícil assim admitir que alguém se importa com você a ponto de colocar a própria vida em risco? Bem, eu fiz isso e faria de novo quantas vezes fosse necessário. Lide com o fato, Rose, você importa para mim. Só não sei se um dia eu conseguirei lhe mostrar o quanto. Desculpe-me pelo tom de despedida, porém não sei se terei a chance de vê-la mais uma vez. Caso eu não a veja, no entanto, não se engane pensando que eu a abandonei. Porque eu sempre estarei com você. Tente lembrar-se disso. Dramático demais? Não interessa! O importante é que o discurso é verdadeiro. Tão verdadeiro quanto o que eu sinto por você ”.

Após alguns segundos de silêncio eu o ouvi fungar, dando a impressão de que estava juntando forças para continuar.

“Eu te amo, Rose”, Adrian finalmente disse, com a voz embargada, o que meu coração estava ansiando para ouvir. Minha resposta veio quase automaticamente, um sussurro intercalado por soluços de um choro que inicialmente não percebi ser meu.

“Eu amo você também”.

~~~~~~~~~~~~~~* * *~~~~~~~~~~~~~~

Informações Adicionais

Durante praticamente todo o tempo que demorei escrevendo esse capítulo, as maravilhosas músicas da banda “Bon Iver” me acompanharam incessantemente, servindo de inspiração para detalhar os momentos mais emocionantes da história. De todas as músicas, duas realmente ficaram marcadas, pois me levaram às lágrimas quando estava revisando a parte da gravação de Adrian.  Para ouvi-las via youtube, basta clicar nos links abaixo.

9 Comentários leave one →
  1. Jaíne permalink
    07/13/2011 2:33 PM

    Ahhhhhhhhhhhh
    Ç_Ç
    Eu tô chorando… de novo
    Little do céu!!!!!
    Sinceramente me emocionei muito na parte da gravação!!!!
    Parabéns!!!! De verdade!!
    Eu amei o “sempre estarei com você”!!!!!!!!!

  2. Bárbara permalink
    07/13/2011 3:01 PM

    Little vc quer Me matar do coração com essa gravação né? Pq eu estou aos prantos de tão emocionada eu to. O capitulo pode ter demorado muito mas valeu cada dia de espera Pq ele está ÓTIMO, mesmo sendo triste e de partir o coração com a Rose nessa situação.Little vc está de parabéns por ter escrito esse capitulo como todos os outros.
    Obrigada por escrever tão bem Little, Bjs Babi

  3. Najla permalink
    07/13/2011 9:55 PM

    Ahhh.
    Quase chorei lendo a parte da gravação.
    Ficou ótimo o capitulo, valeu a demora.
    Tadinha da Rose, é impossível não sofrer com ela.

    Você escreve super bem.
    Parabéns.

    Beijo.
    =)

  4. nicole permalink
    07/14/2011 8:41 AM

    haaa to chorandoo,po little nao faz isso comigoo!! MEU DEUS q cap é esse,esta perfeito mas machucou meu coraçao serio!! Sinto tanta falta do adrian genteee!!
    Parabens little,eu realmente me sinto na historia!! mil bjosss

  5. 07/16/2011 8:15 AM

    Little pela 122346876543294723894793 vez, você está me fazendo chorar, sendo que eu só pude ler os dois ultimos capitulos hoje, porque eu não tive tempo, mas agora, eu não aguento, eu sou a rose tecnicamente, Adrian pode não ser o meu preferido entre o Dimtri e e ele, mas eu nunca, nunca mesmo, desejei isso ao adrian, e meu deus, eu não aguento, só de pensar, eu estou chorando.

  6. Lêh permalink
    07/17/2011 8:13 PM

    Oh My Good Little…
    Só você para me fazer chorar tanto…
    Ah muito triste..
    Será que Rose vai conseguir seguir enfrente…
    Espero que sim…
    Ah amiga muito triste…
    Ah essas músicas são tão lindas…
    Sim me fizeram chorar…
    Ah ainda não sei como conseguiu escrever esses capítulos…
    Ah você é uma excelente escritora…
    Muito perfeita a sua fic…
    Ah ele gravou uma despedida para ela…
    Nossa me comoveu muito a Janine…
    Ah é difícil entender a relação dela com o Zach…
    Mas sim da certo…
    Ah os dois parecem como irmãos…
    Ah posso ser 100% Dimitri…
    Mas eu amo muito o Adrian…
    E sei que ele não teve o final que feliz que eu queria…
    Mas não importa pois esse final que deste, é perfeito e superou todas as minhas expectativas…
    Desde o começo amei o jeito que escreves…
    Nem sempre eu comentei mas sempre li…
    E adorei tudo o jeito como escreves…
    E você tem uma nova fã…
    Na verdade é velha mas só agora que estou falando isso…
    Ah amiga posta mais…
    Lüften…
    Um super Beijo, e até Domingo…

  7. Laís permalink
    07/18/2011 2:29 PM

    Então tá… se a intenção era me deixar totalmente emocionada, PARABÉNS! Só fico imaginando como se dará a relação com o Dimitri depois desses acontecimentos….

    Esperando ansiosamente pelo próximo!

  8. 07/24/2011 2:53 PM

    Ain que capítulo lindo e triste ;x
    Adrian❤

  9. erika permalink
    10/01/2012 9:44 PM

    droga da para vc parar de escrever capitulos que me fação chorar vc e uma otima escritora meolhor que a original meus parabens
    Adrian e um cara maravilhosso ele e tudo e no mesmo tempo nada na historia ele e o cara sarcastico verdadeiro romantico tudo… e no mesmo tempo nada nao sei como colocar em palavras o que eu estou sentindo e tenho serteza que todos estao sentindo em ler a sua fic comserteção sao milhoes de emoçoes e pode ter serteza que essas emoçoes sao boas :muito boas
    meus 1000 parabens que vc continue assim essa escritora fantastica que nos fao rir e chorar ao mesmo tempo
    muitos beijos para vc minha escritora de fic numero 1

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