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Fanfic Last Sacrifice – Capítulo 47

06/16/2011

Rá! Eu disse que terminaria antes de domingo!

Bom, quem não leu o post anterior, ou melhor, meu devaneio anterior, em resumo apenas precisa saber que eu consegui fazer um capítulo render quase dois, o que no fim resultou em uma leve mudança de cronograma. Lembram que eu comentei que estava escrevendo uma parte muito emocionante, que chorava sempre que escrevia? Pois é, por conta dessa inesperada onda de inspiração que tive, eu precisei pular essa parte para o próximo capítulo. Mas nem por isso o capítulo 47 deixa de ter seu charme. Vamos a ele?

Atualização: gente que mancada, eu esqueci de avisar que se alguém quiser ler algum capítulo anterior, basta clicar aqui 😉

Boa leitura a todos!  E como sempre, comentem! Eu adoro saber o que passa na cabeça das pessoas quando leem algo que escrevo.

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Fanfic Last Sacrifice (by Little) – Capítulo 47

Diante da porta da unidade de tratamento intensivo eu parei um instante, pois meu coração parecia que ia sair pela boca e eu não queria que Adrian me visse assim.

“Você vai entrar comigo?”, eu perguntei a Dimitri realmente querendo que ele me acompanhasse, pois eu não sei qual seria minha reação ao rever Adrian.

“Depende”, ele disse, como sempre, cauteloso. “Você quer que eu entre com você?”. Eu fiz que sim com a cabeça. “Então vamos lá”. Eu respirei fundo enquanto Dimitri abria a porta da UTI que, diferente dos corredores da enfermaria, parecia uma vitrine de pacientes. Cada quarto possuía uma janela de vidro que se comunicava com o interior da unidade para que os médicos pudessem observar os internados, mesmo que a distância, sem precisarem entrar nos leitos toda hora, pois apesar de terem sentidos aguçados, tanto Morois quanto Dhampirs ainda não são capazes de enxergar através das paredes.

Graças a essas janelas, conforme íamos avançando na direção do leito de Adrian, eu pude ver que a maioria dos outros pacientes estava recebendo visitas, tanto de parentes como de amigos que, na tentativa de oferecerem conforto a pessoa internada, traziam alguns pertences pessoais dela para decorarem o ambiente e tornar sua internação um processo menos sofrido e penoso. Bem que eu poderia ter trazido alguma coisa para Adrian, eu pensei já me sentindo mal com a falta de sensibilidade de minha parte e jurando voltar mais tarde para me redimir. Porém, se resolver isso era tão simples, porque eu ainda me sentia mal? Será por estarmos quase no final do corredor e ainda não termos chegado ao quarto de Adrian?

Será ansiedade? Nervosismo? Medo?

“Todas essas pessoas aqui são vítimas do ataque de ontem?”, eu perguntei para Dimitri na tentativa de me distrair.

“A maioria sim, apesar de alguns já estarem aqui há algum tempo”. Como Dimitri sabe de tanta coisa a respeito do que acontece dentro de St. Vladimir sempre será um mistério. Se bem que não era difícil perceber quais pessoas estavam internadas há mais tempo, já que seus leitos estavam quase transformados em uma espécie de morada permanente, com paredes decoradas com cartas desejando melhoras, camas cobertas por lençóis coloridos e travesseiros confortáveis que certamente não pertenciam à enfermaria. Alguns até trouxeram televisores e vídeo-games para passar o tempo! Era incrível ver a dedicação das pessoas para tornarem aquele ambiente um pouco mais tolerável.

Incrível, mas triste.

Por mais que tentassem disfarçá-la, a tristeza estava em todos os cantos daquele lugar. Será que eu era a única a perceber? Ou a única a sentir que, assim como as visitas, mesmo que arrasadas, sorriam na tentativa de animar quem estava doente, os doentes, para não preocuparem suas visitas com seu estado de saúde, também sorriam? Era um jogo de enganação onde provavelmente as duas partes sabiam que estavam sendo enganadas, mas mesmo assim continuavam simulando uma alegria que não estava lá.  Primeiramente eu achei isso ridículo, afinal de que adianta tapar o sol com a peneira? A dor viria para muitos deles de qualquer jeito, então pra que criar a ilusão de que tudo estava bem? Porém, depois de observar melhor a interação daquelas pessoas, eu entendi que elas também percebiam a tristeza desse lugar, apenas aprenderam que é melhor e dói menos ignorá-la, uma bela atitude em teoria, mas que na prática só funciona depois de se ficar um bom tempo num lugar como esse.

Quando chegamos ao fim do imenso corredor, Dimitri apontou para o próximo quarto diante de nós. Não foi necessário dizer mais nada, pois eu sabia que era o quarto de Adrian. A porta estava aberta, logo tudo que eu precisava fazer era entrar. Mas não fui capaz, pois me deparei com um cenário de doer o coração.

Através da janela de vidro eu vi que Adrian permanecia deitado e de olhos fechados, com apenas uma espécie de lençol cobrindo suas partes íntimas.

Eu estremeci por dentro porque eu sabia o motivo, o mesmo que me fez sair do ar por boas horas quando vi o estado em que ele estava depois de ter sido arremessado contra uma árvore por um Strigoi. O meu choque ao ver Adrian caído no chão naquela maldita noite foi por ele estar parecendo um boneco de plástico que fora exposto a temperaturas elevadas, com algumas partes do corpo deformadas e enrugadas, enquanto outras estavam em carne viva. Havia muito sangue e queimaduras por praticamente todo o corpo, com exceção do rosto, que ele protegeu ao atravessar as chamas afinal, se ele fosse atirar, precisava de sua visão intacta.

Agora que ele estava limpo, era possível analisar melhor sua situação. As queimaduras eram severas, umas mais do que as outras, pois o contato que ele teve com o fogo que Christian mantinha ao redor dos dois foi muito breve, mas o calor era intenso e  foi o suficiente para fazer um belo estrago naquela pele de porcelana de Adrian. Ele parecia tão vulnerável. Mas não havia muito que se fazer, afinal quando o assunto é queimadura não há o que discutir, a pele precisa respirar. Em outras palavras, cobri-lo estava fora de questão para não haver atrito das queimaduras com o tecido, por mais leve e delicado que fosse, evitando assim, qualquer possível desconforto. Sem falar na dor.

Com uma costela fraturada que não podia ser reparada, pois parte dela estava presa no pulmão de Adrian e causando o maior de todos os problemas, até mesmo o simples ato de respirar poderia se tornar infernal se não fosse pela ação dos analgésicos. Quer dizer, isso contando que tais medicamentos ainda tenham efeito sobre Adrian, porque foram tantos anos de álcool e outras drogas para aliviar os efeitos do uso do elemento espírito, que numa dessas ele até já desenvolveu resistência a elas.

Pobre Adrian. Como se não bastasse uma situação delicada de saúde, ele era o único paciente que estava sozinho, sem visitas nem colegas de leito e instalado em um quarto tão simples que chegava a dar pena. A impressão era de que haviam deixado ele de lado, como se não valesse a pena cuidá-lo, pois além da simplicidade, era um quarto de final de corredor, sem vida, sem luz, sem nada além de máquinas traduzindo em sons o funcionamento de seus principais órgãos vitais. Tudo bem que ele estava inconsciente até pouco tempo, mas ainda assim deve ser tão triste acordar e se ver sozinho num ambiente assim! Eu pensei que os médicos teriam a decência de manter alguém com Adrian para lhe fazer companhia, nem que fosse um enfermeiro ou um estagiário, já que ele não podia ter acompanhantes de fora, mas pelo visto não se deram o trabalho. Eles estavam pensando o quê? Adrian não merecia essas acomodações nem tamanha falta de consideração, pois pra começo de história ele era de origem real e já que a sociedade prima tanto pela distinção de classes, então que o tratassem como um rei, não como um indigente, droga! Justo ele, uma pessoa tão alegre e cheia de vida, ficar dentro de um quarto que peca exatamente pela falta dessas duas coisas! Minha vontade era de socar a cara do primeiro médico que aparecesse, o que, para o bem de todos, não aconteceu.

Deixando minha indignação de lado eu criei coragem e passei pela porta, o que foi muito engraçado, pois assim que pus o pé no leito de Adrian, ele esboçou um sorriso antes mesmo de abrir os olhos, como se soubesse que eu havia chegado.

“Você veio”, ele disse visivelmente emocionado.  Ouvir aquilo foi como uma facada no peito, pois só confirmou o quanto ele deveria estar se sentindo abandonado. Sem saber exatamente o que fazer ou dizer, eu apenas fiquei onde estava. “Obrigado, Belikov”, Adrian disse em seguida. Confusa, eu olhei para Dimitri, que apenas fez um sinal com a cabeça e retirou-se, como se tivesse cumprido sua missão. Eu fiquei assistindo Dimitri ir embora, incrédula. Traídor! Desde quando os dois viraram os melhores amigos?

“Você pode chegar mais perto?”, Adrian pediu com jeitinho, percebendo que eu estava no limite. “Eu não posso ver você direito daqui”. Não era de se duvidar, pois dada a gravidade das queimaduras e dos ferimentos internos dele, realizar alguns movimentos como o de erguer a cabeça devia ser complicado.

Atendendo ao pedido dele, eu me aproximei da lateral da cama. Adrian estudou minha expressão por alguns segundos e suspirou, o que deve ter lhe causado algum incomodo, pela expressão que ele fez. “Eu senti sua falta, little dhampir”.

Uma lágrima escorreu pelo meu rosto imediatamente, mas eu não me importei de enxugá-la, pois logo veio outra, outra e mais outra, como se tivessem aberto uma torneira. E eu aprendi que não importa o quanto você já chorou em um dia, sempre haverá mais lágrimas para serem derramadas. Basta você ter um motivo.

“Ei, não precisa chorar!”, ele disse com uma voz suave. “Eu estou bem, Rose, e em breve eu deixarei esse lugar, você vai ver. Por favor, não chora”.

“Por quê?”, eu dei um jeito de perguntar. “Por que você se arriscou daquele jeito, Adrian? De todas as coisas que você já fez aquela definitivamente foi a mais estúpida!”. Ele não pareceu se abalar com minhas palavras.

“Porque quando você parou de lutar, ao ver que Dimitri estava em maus lençóis, eu constatei que se ninguém fizesse nada, quem agiria de forma estúpida seria você”.

“A que preço, Adrian? A que preço todo esse sacrifício?”.

“O preço? Isso não é óbvio, sua bobinha? O preço era a sua felicidade, Rose. Porque se algo acontecesse com Dimitri, sabe o que seria de você? Nada, porque você estava se matando também”. Eu ignorei a última parte porque ele tinha uma parcela de razão.

“Eu pareço feliz agora por acaso?”, eu exclamei, indignada. “Qual é, Adrian, olha para você! Você pensou que eu não me importaria de vê-lo nesse estado? Pelo amor de Deus!”. Eu levei uma das mãos até a testa e fechei os olhos brevemente, tentando me controlar, pois eu não estava sendo nada agradável. “Você não sabe o quanto eu me importo”.

“Desculpa”. A voz embargada de Adrian chamou minha atenção. “Eu sei que não tem sido fácil, mas assim que tudo isso passar, você vai sorrir novamente, Rose, e então você vai lembrar de mim”. Adrian sorriu.

“E quando tudo isso vai passar?”, eu perguntei sem esperar por uma resposta, mas ela veio mesmo assim.

“Como eu lhe disse, em breve. Ou você acha que vai se livrar de mim tão fácil assim?”, ele debochou. Quando eu o fuzilei com o olhar por não ter gostado da brincadeira, ele continuou, voltando a falar sério. “Vai dar tudo certo, Rose. Não esquente a cabeça com isso”. Eu não consegui acreditar totalmente nas palavras de Adrian, mas de alguma forma elas me confortaram e eu relaxei um pouco.

“Por favor, apenas não faça mais nada desse tipo novamente! Você tem idéia do perigo que correu? Céus, Adrian, eu pensei que você…”. Foi difícil continuar a frase, pois colocar uma palavra como morte junto do nome de Adrian ainda parecia muito próximo da realidade.

“Sabe do que eu mais tenho medo?”, Adrian perguntou.

“Do quê?”.

“De você”.

“Droga, Adrian, isso de novo, não!”.

“Quer ouvir os motivos? Eu acho que nunca os expliquei devidamente a você“.

“Adrian, você tem que descansar”, eu tentei desconversar, mas ele não deu bola.

“Eu vejo nosso primeiro encontro como o mito da caixa de Pandora. Eu, Pandora e você a caixa, atiçando minha curiosidade acerca de tudo que lhe diz respeito. Quase como uma maldição. Você tentou acabar com o meu interesse por você dizendo que tinha um namorado, que de alguma forma seu coração já tinha dono, assim como foi alertado para que a mitológica caixa não fosse aberta. E eu, imitando os passos de Pandora, ignorei os avisos e fui movido pela curiosidade de saber o que mais havia dentro de você, minha pequena caixinha”.

“É, mas eu acho que Pandora deve ter se arrependido amargamente de ter aberto a caixa dela”.

“Provavelmente, mas nesse ponto eu acho que dei mais sorte do que Pandora”, Adrian disse com um sorriso maroto, sincero, mas que não escondia o quanto ele se desgastou devido a toda nossa conversa.

“Bobinho”, eu respondi me permitindo sorrir também, encantada com a comparação que ele havia feito. Incrível como certas pessoas não perdem o encanto mesmo em um leito de hospital, não é?

“Agora chega de falar, ok? Você precisa descansar para que possamos levar você até a corte o mais rápido possível, pois talvez você ainda não saiba, mas Lissa está lá pronta para curar você. E nem tente protestar, pois isso é apenas um comunicado”.

“Ou o quê?”.

“Ou você terá que se ver com mulheres furiosas como sua mãe, Lissa, Jill e bem… comigo também”.

“Tudo bem, entendi o que você quis dizer. Eu não posso fazer nada”.

“Na verdade, você pode. Apenas… não sei… fique bem”.

“Eu farei o possível”, ele disse com outro tímido sorriso.

“Enquanto isso eu vou tentar achar algum médico para descobrir quando poderemos tirar você daqui”. Eu já estava na porta quando uma espécie de alarme intermitente começou a soar. Ao olhar para trás, Adrian estava desacordado.

Merda.

Eu acho que nunca corri tão rápido em minha vida como corri pelo corredor da unidade de tratamento intensivo atrás de algum médico ou coisa parecida.

“Socorro!”, eu gritava conforme corria. “Tem algum médico aqui? Eu preciso de um médico!”. Ao chegar na extremidade oposta do corredor, eu ouvi uma movimentação na direção de onde eu estava vindo e me virei a tempo de enxergar um exército de médicos invadir o quarto de Adrian, trancando-se lá com ele.

“Mas que diabos?”, eu perguntei em voz alta.

“O quê?”. Dimitri perguntou atrás de mim, me dando o maior susto. “Você pensou que ele estava desassistido?”.

“Bem, eu não vi ninguém desde que botei os pés aqui. Você queria que eu pensasse o quê?”. Dimitri riu, achando graça da minha lógica.

“A equipe médica de Adrian estava numa sala ao lado, acompanhando tudo através de câmeras. Por isso você não viu ninguém. Adrian queria privacidade para falar com você”. Sem jeito, eu senti minhas bochechas corarem, mas eu estava tão preocupada com Adrian que nem me importei.

“Eu vou até lá”, eu disse. Ou pelo menos era o que ia fazer quando Dimitri me puxou pela roupa e me fez sentar em uma das cadeiras que tinha por ali.

“Nós precisamos conversar”, Dimitri disse. Eu só parei para ouvi-lo quando ele me disse que o assunto era Adrian. Então ele me soltou e sentou de frente para mim. “O coração de Adrian está fraco, Rose. Ele está assim, sem ritmo e instável, desde que foi trazido para cá. Os médicos têm conseguido estabilizá-lo, mas apenas temporariamente. O problema é que cada vez que o funcionamento cardíaco vai a um dos extremos, é um desgaste a mais que o corpo sofre e isso nunca é bom”.

“O que você está me dizendo? Eu estou cansada de ler nas entrelinhas”.

“Eu estou dizendo que talvez os médicos não consigam estabilizar Adrian para a viagem”.

“Você só pode estar brincando comigo”, eu disse rindo de tão nervosa.

“Não, infelizmente ele não está”, alguém falou. Sem que eu tivesse percebido um dos médicos deixou o quarto de Adrian e veio ao nosso encontro. “Ele está bem agora, mas nós tivemos que sedá-lo. Parece que a conversa de vocês dois deixou ele bastante agitado e isso não é bom para ele no momento. Talvez seja melhor que ele não veja você por enquanto”, o engomadinho teve a ousadia de me dizer.

“Com licença, mas quem você pensa que é para ditar o que ele deve ou não fazer?”, eu perguntei me levantando da cadeira para encará-lo de frente. De relance vi que Dimitri atirou as costas contra o encosto da cadeira que sentava, indignado com a minha falta de respeito. Ele parecia não acreditar, balançando a cabeça de um lado para o outro, tanto que nem tentou me impedir.

“Eu sou o médico responsável por manter Adrian vivo até agora, por quê?”, ele respondeu num tom ameaçador, sem intimidar-se com minha aproximação.

“Deixa eu lhe dizer uma coisa. Não fale comigo como se você estivesse me fazendo um favor, seu doutorzinho de meia tigela. Porque mantê-lo vivo não é mais do que sua obrigação”, eu respondi com agressividade. “Além disso, há uma diferença entre manter alguém vivo e salvar a vida dessa alguém, então não banque o herói, doutor, porque você ainda não é”. Eu vi no rosto do jovem médico o impacto das minhas palavras. Ele certamente estava fazendo o possível e impossível para manter Adrian estável, mas não ser capaz de tirá-lo dessa situação de risco estava sendo uma barra para ele também. Pelo visto eu atingi um ponto delicado. Ele ficou em silêncio alguns segundos após baixar sua cabeça, respirou fundo e voltou a me encarar, parecendo pronto para mais um round.

“Vamos recomeçar isso, ta bom?”, ele disse ao oferecer sua mão para ser cumprimentada. “Olá, eu sou o Dr. Emir Olendsky, chefe do setor de cardiologia do instituto médico real e também médico da família Ivashkov há alguns anos e você?”. Filho da mãe!

“Você é um Olendski?”.

“De tudo que eu disse, foi apenas isso que chamou sua atenção?”, ele perguntou parecendo frustrado. Eu o ignorei.

“A médica aqui da enfermaria tem o mesmo sobrenome que o seu. Por acaso ela é…”.

“Sim, sim, ela é minha irmã”. Algo na expressão dele me fez pensar que assim como eu não gostava de ser conhecida por ser a filha de Janine Hathaway, ele não curtia muito ser conhecido como o irmão da renomada Dra. Olendski. A vida às vezes é um saco, não?

“Bem, você tem um sobrenome de respeito, eu tenho que admitir”. Ao dizer isso eu finalmente o cumprimentei, usando todos os meus “títulos” de poder. “Eu sou a guardiã Rosemarie Hathaway, filha de Janine Hathaway e Ibrahim Mazur, melhor amiga de Vasilisa Dragomir e ex-namorada de Adrian Ivashkov, a seu inteiro dispor”. O homem soltou minha mão e ficou pálido feito um papel.

“Você não deveria estar, não sei, talvez morta?”. Pelas barbas de são Nicolau, eu esqueci que somente o pessoal da escola sabia do meu pequeno grande segredo e pelo visto esse médico não havia chegado aqui há muito tempo, senão eu o teria visto antes e, melhor, ele não teria tido essa reação. Que se dane, eu pensei. Essa história um dia precisaria terminar. Até porque eu não pretendo ficar escondida do mundo para sempre. Eu só espero que ele não tenha grandes sentimentos pela ex-rainha Tatiana, pois aos olhos do povo eu ainda era a responsável pela morte dela, um equívoco que ainda não havia sido esclarecido para o público.

“Você disse bem, doutor. Eu deveria, mas não estou. Não é ótimo? Aleluia! Agora, chega de falar de mim e vamos voltar ao assunto principal, ok? Adrian. Seja sincero comigo, você disse que não aconselha que ele viaje até a corte, mas caso ele fique aqui, vocês poderão salvá-lo? Pense bem antes de me dar uma resposta, doutor”. Ele ficou me olhando meio confuso, mas no fim ele deixou minha história de lado, graças a Deus.

“Sua amiga não pode vir até aqui?”, ele perguntou depois de muito pensar.

“Não pelos próximos dias, motivo pelo qual queremos levar Adrian até ela”, eu respondi quase perdendo a paciência novamente, pois era óbvio que se fosse tão simples a situação já estaria resolvida.

“Dias? Eu não acho que Adrian tenha todo esse tempo…”. Pelo amor de Deus, isso é coisa que se diga? Minhas pernas chegaram a amolecer ao ouvir aquilo.

“Escuta aqui, Dr. Emir. O senhor ainda não respondeu minha pergunta. Sem a ajuda de milagres e poderes especiais, apenas com a ciência da medicina, é possível salvar Adrian?”, eu perguntei entre os dentes.

“Desculpe, eu não mentirei a você, mas eu receio que não. Ele está fraco demais para a cirurgia que precisa fazer e não está apresentando melhoras. Porém, pelo menos aqui nós poderíamos oferecer a ele medidas de conforto e…”

“E o quê? Assistir ele morrer sem tentar fazer nada? Esse é o seu plano?”, eu gritei enquanto pegava o celular de Dimitri, que ergueu os braços em rendição quando eu meti a mão no bolso dele na busca pelo aparelho, já que o meu era um provisório e estava sem nenhum telefone registrado. Ao encontrá-lo, eu fui direto na letra D, de Daniella Ivashkov e apertei para chamar. “Então por que você não pergunta para a mãe dele o que ela acha disso?”, eu disparei apontando o aparelho para o médico como se fosse uma arma, assim que Daniella atendeu do outro lado da linha.

Colocando a chamada no viva-voz, o médico repetiu para Daniella mais ou menos as mesmas palavras que me foram ditas, o que era bom e ruim ao mesmo tempo. Bom porque ele parecia estar falando a verdade e ruim porque essa verdade era que a situação de Adrian não era a das melhores. Daniella ficou em silêncio quase todo o tempo, ouvindo e concordando com tudo que o médico dizia. Por um momento eu achei que ela estava conformada com a situação, mas depois que o médico disse tudo que tinha a pontuar, ela se pronunciou.

“Dr. Emir, eu lembro que uma vez eu o procurei por achar que tinha um problema de coração e o senhor me pediu que eu diminuísse os exercícios até que os resultados dos exames saíssem. Eu imagino que senhor lembre como foi difícil eu abrir mão de algo que eu gostava tanto, mesmo que por pouco tempo. Foi difícil, mas eu acabei aceitando. Porém agora nós estamos falando da vida do meu filho, que eu amo mais do que qualquer exercício e talvez mais do que minha própria vida, então não espere que eu tenha a mesma reação”. Então ela disse algo que me fez minha espinha gelar. “Porque se a morte for o destino inevitável do meu garoto, pelo menos que seja depois de você ter se virado do avesso tentando evitar o contrário, fui clara? Enquanto houver uma chance de Adrian sobreviver a isso, mesmo que mínima, é nela que vou me agarrar, doutor, então nem ouse tentar tirá-la de mim, porque não cabe a você decidir”.

“Eu entendo, Sra. Ivashkov, mas existem protocolos e…”.

“Com todo o respeito, Dr. Emir, foda-se você e seus protocolos”, Daniella disse para a surpresa de todos, mas principalmente do médico, que olhava para o telefone com olhos esbugalhados e face corada, não acreditando que tamanha falta de cordialidade pudesse ter vindo de uma pessoa tão elegante como Daniella Ivashkov. “Eu quero meu filho em um avião com destino à corte assim que estiver estável, mesmo que temporariamente! E, Rose?”.

“O-Oi, Sra. Ivash…, q-quer dizer, Daniella. Eu estou aqui”.

“Pelo amor de Deus, leve algum médico de sua confiança no avião, pois eu não quero alguém que tenta me doutrinar com protocolos cuidando do meu filho”.

“Hã… a senhora não vai achar estranho se eu lhe disser que essa pessoa pode ser a irmã de quem a senhora aparentemente acabou de dispensar?”.

“Ela é como ele?”, Daniella perguntou, como se certas coisas pudessem estar no sangue, como incompetência.

“Bom, digamos que ela também consegue ser um pé no saco quando quer, mas eu tenho certeza de uma coisa. Aquela mulher sabe o significado de salvar vidas”.

“Então você tem sua resposta, querida”, Daniella falou, me fazendo sorrir. “Vejo vocês em breve, ok?”. Assim que desligamos, eu não perdi tempo, afinal, tínhamos uma viagem pela frente.

Eu precisava agir rápido e de forma eficiente, por isso eu agarrei o médico pelo colarinho e o prensei contra a parede da forma menos barulhenta possível. “Eu cansei de ser boazinha com você, doutor. Você ouviu as ordens então, me diga, onde eu posso encontrar a sua irmã?”.

~~~~~~~~~~~~~~* * *~~~~~~~~~~~~~~

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10 Comentários leave one →
  1. nicole permalink
    06/16/2011 8:18 AM

    OMG!! Litthe q cap mais loko,rose chorando ,Adrian morrndo,Dimitre calado e Daniella falando palavroes? kkkk
    A nao me diga q o Adrian vai morrer?? q DIZE ME DIZ SIM, PRA EU ME PREPARAR ANTES OK?! RSRS
    Como sempre o cap esta perfeito nd a meno do q esperamos,sempre surpreendendo!!
    bjuu

  2. Jaíne permalink
    06/16/2011 11:04 AM

    Ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh
    Aimeudeuls….
    huHUAHAUHAUAHUAH

    Só a Little consegue me “desviar” do meu trabalho e correr para ler a fic sem a minha chefe ver!!! hauhauahauhauaha XD
    caracaaaaaaaa, preciso de mais^^
    Como é que você acaba um capítulo desse jeito????????

  3. .:Little.Crazy.Dhampir:. permalink
    06/16/2011 11:40 AM

    Adorei a definição do capítulo da nicole. realmente as coisas estão meio loucas. Mas aqui vai uma curiosidade. Inicialmente eu tinha colocado os palavrões na boca da Rose, mas daí eu pensei.. é tão legal quando uma pessoa elegante perde a compostura e mostra que se precisar sabe descer o nivel tb! hahahahah Daí eu mudei a cena e dei o prazer do xingamento pra mãe do Adrian hahahaha. Acho que foi uma boa decisão. Ela devia estar tensa com tudo e a Rose já tem a boca bem sujinha hahahaha

    Agora… quanto aos clássicos “como vc termina um capítulo assim”, Dona Jaine, eu só peço que não me digam isso o dia que eu terminar a fic hahahahah pq aí eu não sei o que farei com vcs hahahah

  4. Bárbara permalink
    06/16/2011 3:35 PM

    Litlle como sempre vc arazou. Mas mesmo assim eu quero, não eu preciso de mais. Eu To até chorando por causa de tudo principalmente com o Adrian assim tão mau e a Rose preucupada com ele mas o que eu achei estranho foi o Dimitri não ter falado nada quando a Rose falou daquele jeito com o médico além que da Rose nós podemos esperar de tudo né? E eu adorei a comparação que o Adrian fez dele e da Rose com a caixa de Pandora e ele até que tem razão.
    PS:só Pq vc disse para nós não escrevermos no ultimo capitulo “como vc pode terminar esse capitulo assim” tenha certeza que muito vão escrever enclusive eu. Hahahahaha.
    Bjs para todos Babi

  5. Jaíne permalink
    06/16/2011 4:08 PM

    hauahauhauahauhau
    XD
    Você vai ter de aguentar um monte de choronas aos seus pés implorando pra continuar a fic!!!!! hauahuahau
    E falando em chorar, eu chorei na cena do Adrian hein… 😥

  6. 06/16/2011 9:42 PM

    Que Little Dhampir! VOCÊ NÃO PODE FAZER ISSO COM AGENTE! EU PRESCISO DO PROXIMO CAPITULO, NÃO É DOMINGO, NÃO É SABADO, NÃO É AMANHÃ, NÃO É HOJE, É AGORA!!!!
    AAh!! por faovr, meu deus! LITTLE! NÃO FAZ ISSO COM A MINHA PESSOA! :/
    P.S.: O Cap. tava perfeito!

  7. .:Little.Crazy.Dhampir:. permalink
    06/17/2011 2:48 AM

    Eu adoro quando vcs choram!! =D ahahahha
    É tão bom saber que uma coisa produzida por vc emocionou pessoas!!

  8. 06/19/2011 12:05 AM

    Little, por favor me diga! Vc vai postar o capitulo 48 amanha ??????????

    Diz q sim!!!!!!!!!!! Por favooooooooooor !?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?!?

    Oooooh Little! Pq vc termina os capitulos tao bons assim ? no meio da melhor parte?

    Little tenho um pedido um pouco estranho, mas por favoooor, faz outro capitulo hot por favooor?!?!?!?!?!?!?!

    Vc escreve mto bem!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  9. .:Little.Crazy.Dhampir:. permalink
    06/19/2011 12:16 AM

    Anne, é humanamente impossível eu postar o cap 48 amanhã. O 47 eu postei na quinta porque era o de domingo passado atrasado!
    Eu termino os capítulos nas melhores partes pra deixar vocês com gostinho de quero mais pq eu sou malvada hahahaha
    E quando a capítulos hot eu já tenho esse pedido sendo analisado aqui , mas não sei se vai rolar. Não prometo, mas tbm não vou dizer que não pq a gente nuca sabe o dia de amanhã hehehe.
    Acho que era isso.. qualquer coisa gritem hahaha que de repente eu escuto hihihih

  10. Leticia permalink
    06/19/2011 7:29 PM

    Ai ele não pode morrer…
    rsrsrsr…
    Ai foi muito lindo esse capitulo…
    E Dimitri ficou quietinho, é lógico se ele falasse qualquer coisa iria sobrar para ele…
    É isso ai Daniela, vc e a Rose juntas… Sia de baixo…
    rsrsrrs…
    Beijos…
    Posta mias…
    Lüften…

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