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Fanfic Last Sacrifice – Capítulo 30

02/06/2011

Olá novamente caros leitores!!

Estou aqui para a segunda parte da dobradinha deste final de semana! E para satisfazer os leitores que pediram uma cena mais ousada entre Rose e Dimitri, aqui está ela! Não é nenhum capítulo 32, como o de Night Huntress,  mas que seja lembrado como o capítulo 30! hahahaha

Atenção menores de idade: esse capítulo contém cenas quentes, então leiam por sua conta e risco. Não é nada obsceno, mas faz parte do protocolo dar um aviso prévio para evitar desconfortos para ambas as partes.

Fora isso, uma ótima leitura a todos! Certamente um dos melhores capítulos, com vocês, o capítulo 30!

Para ler o que aconteceu antes na história, clique aqui.

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Fanfic Last Sacrifice (by Little) – Capítulo 30

Eu não pensei antes de agir e simplesmente apoiei minha mãos no peito de Dimitri para empurrá-lo para trás, onde havia uma mesa. O que eu estava fazendo não tinha nada a ver com me sentir culpada por ter sido mal educada com ele. Eu me joguei nos braços de Dimitri apenas porque aquilo parecia o certo a fazer. O dia seguinte seria definitivo em nossas vidas independente de como as coisas terminassem, pois qualquer resultado implicaria em uma série de mudanças com as quais eu não queria me preocupar agora. Dimitri pareceu surpreso com o meu repentino ataque, mas ele não me interrompeu em momento algum.

Assim que nossos lábios se tocaram, literalmente pegamos fogo. Era como se tivéssemos liberado todo aquele sentimento que por um bom tempo ficamos tentando acreditar que não tínhamos um pelo outro. Sentimentos que faziam meu coração doer cada vez que a boca de Dimitri procurava pela minha. Doía pois cada beijo mexia nas feridas que a rejeição de Dimitri deixou em mim assim que voltou a ser um Dhampir. Feridas tão profundas que me levaram a beira de acreditar que eu o havia perdido para sempre e que o amor que um dia ele declarou ter por mim havia acabado.

Eu não queria me iludir pensando que o que estava acontecendo era apenas uma reação instantânea de duas pessoas que precisavam liberar suas tensões de alguma forma. O que eu queria era me sentir desejada, importante e ter a certeza de que se estávamos nos deixando levar era apenas porque nós dois queríamos isso. Então sempre que podia eu interrompia os beijos para recuperar o fôlego e conforme aqueles lábios vinham ao encontro dos meus como que por livre e espontânea vontade, a dor começou a desaparecer. Porém, no instante seguinte eu congelei, pois Dimitri interrompeu o beijo e segurou meu rosto entre suas mãos. Eu sei que é ridículo, mas meu medo era de que se eu abrisse os olhos, ouviria ele dizer que o que estávamos fazendo não era certo ou que não era a hora para isso, essas coisas sensatas que Dimitri sempre consegue dizer mesmo em situações como a de agora. Então não, eu não abri os olhos e fiquei apenas ouvindo minha respiração ofegante entre as mãos dele. Ele selou nossos lábios mais uma vez e então quebrou seu silêncio.

“Eu sinto muito, Roza. Por tudo, eu realmente sinto muito…”. Dimitri respirou fundo e eu abri meus olhos, pois a dor na voz dele parecia ter me atravessado como uma lança em chamas. Então lembrei de quando Dimitri disse a Lissa que não queria me receber na prisão pois me ver doeria demais e entendi que eu não era a única curando feridas do passado. Os olhos de Dimitri me diziam isso, além de parecerem implorar por algo mais. Minhas mãos sobrepuseram-se às dele.

“Se você precisa do meu perdão pelas coisas que você fez quando era um Strigoi, eu perdôo você, Dimitri. Eu o perdoaria quantas vezes fosse necessário, você não entende? Não importa o que você pensava de mim, o que fazia comigo, pois o que doeu mesmo foi ouvir você dizer que não me amava mais, aquele dia na igreja. Mas por favor, não se sinta mal por isso pois agora eu entendo que você estava apenas se protegendo da sua própria dor”, eu lhe disse ao virar a cabeça para o lado e beijar a palma de uma das mãos de Dimitri que adornavam meu rosto.

“Nós somos tão estúpidos”, ele disse quase sussurrando ao acariciar minha bochecha. “Nós apenas nos machucamos e machucamos um ao outro na tentativa de não sofrer mais. Isso soa tão estúpido, Rose, tão, mas tão estúpido…”. Dimitri parou de falar e voltou a me beijar com intensidade e me abraçando com força. Ele estava encostado na mesa contra a qual eu o havia empurrado, então ele afastou as pernas para que eu ficasse entre elas enquanto nossos lábios se tornavam os protagonistas de beijos agora vorazes, fazendo com que Dimitri me segurasse pela nuca com uma sensualidade quase bruta, entrelaçando seus dedos entre meus cabelos, tudo para manter o mínimo de espaço entre nós.

Minhas mãos desceram automaticamente até a calça dele, desabotoando o botão frontal e deslizando o zíper para baixo, até que estivesse completamente aberto. Minhas mãos contornaram o cós da calça até chegarem nas costas de Dimitri e meus dedos então deslizaram para dentro da calça, fazendo com que a mesma abaixasse à medida que minhas mãos desciam sem jamais perderem contato com a parte do corpo que elas agora não só tocavam, mas apertavam com força. Dimitri afastou-se levemente da mesa para que eu continuasse a me livrar daquela calça e para isso projetou a pelve levemente para frente. Como reflexo eu instintivamente enterrei minhas unhas nos glúteos de Dimitri.

Foi a vez dele estremecer e me dar uma resposta, passando as mãos por baixo da minha blusa, subindo pelas costas de forma lenta e suave e descendo pelo contorno da minha silhueta. Assim que seus polegares passaram de raspão pelos meus seios eu segurei brevemente os lábios de Dimitri entre meus dentes devido a onda de calor que percorreu meu corpo, o que ele deve ter entendido com um sinal para dar um pouco mais de atenção à região, pois meus seios voltaram a ser acariciados por aqueles polegares, me obrigando a inesperadamente respirar fundo pelo nariz, já que nossos lábios e línguas ainda duelavam entre si. Num piscar de olhos minha blusa estava no chão junto com a calça de Dimitri e o mesmo aconteceu com o resto de nossas roupas até que não havia mais tecidos entre nós.  Era corpo contra corpo, eu explorando cada músculo do corpo de Dimitri, enquanto ele contornava cada curva do meu e, a cada toque, a cada gesto, a cada mudança no ritmo de nossa respiração eu sentia o quanto eu queria ainda mais.

Eu não sei como aconteceu, mas eu acabei empurrando Dimitri para cima da mesa e subindo em seguida, com a ajuda dele. Dimitri se posicionou sentado sobre a superfície de madeira com os joelhos flexionados na extremidade da mesma e assim que eu subi, ele me segurou pelo quadril, colocando-me sentada sobre ele, com as pernas afastadas uma para cada lado. Nossos corpos se encaixaram perfeitamente, mas Dimitri ainda mantinha as mãos na lateral do meu quadril, me puxando contra ele enquanto beijava meu pescoço. A essa altura era necessário respirar pela boca para suprir a falta de fôlego que tomava conta de mim então era inevitável que alguns gemidos de prazer escapassem ocasionalmente. Os lábios de Dimitri percorriam meu pescoço e causavam arrepios a ponto de fazer meu corpo estremecer, mas isso não o intimidava, muito pelo contrário. Era como um incentivo para que ele continuasse a testar meus limites. Em seguida eu assumi controle dos meus movimentos, sentindo a necessidade de acelerá-los mais e mais, aplicando mais força e pressão cada vez que me movia sobre ele, de frente pra trás, de cima para baixo e vice-versa, com meus braços sobre os ombros dele para me impulsionar com mais facilidade. Mas parecia que ainda assim não era o suficiente, pois quando vi minhas pernas abraçaram Dimitri pela cintura enquanto meus braços fizeram o mesmo ao redor do pescoço dele. Considerando que eu não conseguia pensar em mais nada, só me restou crer que meu corpo havia criado vida própria, agindo como se soubesse o que era bom para ele. E ele sabia, pois mais alguns movimentos de ambas as partes nessa posição foi o suficiente para que sucumbíssemos ao prazer e a fadiga de nossos corpos.

Eu ainda estava aprendendo o que mais me deixava excitada quando o assunto era sexo, mas posso dizer que ouvir Dimitri deixar escapar um último gemido que mais parecia um breve urro, sufocado contra o meu pescoço, foi tão maravilhoso que eu faria tudo de novo apenas para ouvi-lo mais uma vez. Eu me senti poderosa, porque bem ou mal eu havia feito Dimitri perder o controle sobre sua razão e foi simplesmente incrível. Aquilo me fez sorrir e relaxar nos braços dele, que agora envolviam meu corpo e o acariciavam com a suavidade e delicadeza de um algodão.

Nós ficamos ali por alguns segundos, no mesmo lugar, juntinhos e somente ao som de nossos corações acelerados até que Dimitri murmurou algo.

“Ya lyublyu tebya, Roza, Ya lyublyu tebya”, foi o que eu ouvi, apesar de não saber se foi o que ele realmente disse. Pelo sotaque eu sabia que era Russo, mas se ele disse agora que essa havia sido a pior transa da vida dele, eu não teria como saber.

“Tradução, por favor”. Dimitri riu baixinho.

“Desculpa, eu não estava pensando. Eu disse eu amo você, Rose, eu amo você”. Eu não consegui segurar o sorriso, tamanha era minha felicidade. Eu queria repetir as palavras dele mas era impossível pronunciar aquilo tendo ouvido apenas duas vezes e ainda pensando que estava sendo ofendida.

“O mesmo para você, Belikov, o mesmo para você”. Era o melhor que eu podia fazer considerando que meu cérebro ainda estava nas nuvens com o que havia acontecido entre nós. Dimitri riu novamente, parecendo entender a minha situação.

Então ele me deu aquele olhar.

“Ah, não”, eu resmunguei, com o humor de uma criança de cinco anos ao ser contrariada, quando ele me abraçou forte e me soltou em seguida. Era como se eu soubesse o que viria a seguir.

“Rose,nós precisamos ir e organizar um plano para matar Strigois”. Justamente o que eu pensei.

“É quase inacreditável, sabia? Eu acabei de decidir que você vai ter o seu próprio livro, ao lado de Abe e Victor. Como sempre, eu já tenho até um nome para sua obra: Frases sensatas para horas inoportunas, por Dimitri Belikov”, eu disse com uma mistura de ironia e frustração. Dimitri caiu na gargalhada, mas isso não o impediu de sair de cima da mesa comigo nos braços, colocando-me em pé ao seu lado e alcançando minhas roupas e vestindo-se também. Então ele foi até o painel, apertou um outro botão e um pequeno cd apareceu de um compartimento que eu não havia percebido que existia. Nós ouvimos a parte final da conversa de Abe com Eugene para nos certificarmos de que a gravação estava correta e ainda nos preocupamos em fazer uma cópia do material. Quando Dimitri segurou minha mão para irmos embora eu não consegui sair do lugar, pois meu coração apertou ao ter aquela estranha sensação de que isso já havia acontecido. E de certa forma havia. Eu e Dimitri trancados dentro de uma pequena cabana de madeira nos entregando aos nossos desejos e saindo de lá  com as mãos dadas quando nos obrigamos a voltar para a escola. Então um ataque inesperado de Strigois a St. Vladimir aconteceu, seguido de uma batalha com grandes conseqüências e perdas inestimáveis. Por fim a morte de Dimitri diante dos meus olhos e a dor que feriu meu coração pensando que eu o havia perdido para sempre. Eu sacodi a cabeça para espantar o pensamento que invadiu minha mente sem permissão.

“Tudo bem com você?”, Dimitri perguntou. Eu não quis incomodar Dimitri com o meu medo de reviver aquele trauma novamente, então eu apertei minha mão contra a dele e disse que estava apenas pensando para onde Abe poderia estar indo quando pediu que preparassem um avião, o que na verdade era uma boa pergunta sem resposta. Para onde ele estaria indo e sem Dimitri, ainda por cima? Se ele queria que alguém acreditasse que ele agora tinha um guardião pessoal ele não poderia simplesmente sair por aí desacompanhado, principalmente com um ataque de Strigois anunciado. Mas ele estava tão irritado que não deve ter se preocupado com esse detalhe.

“Talvez devêssemos ligar para o meu pai e dizer que nós temos a gravação da conversa”, eu sugeri.

“Mais tarde”, Dimitri disse. No mesmo instante o celular dele vibrou e após olhar rapidamente o visor, ele atendeu a ligação.

“Alô?”, Dimitri disse com uma ruga de preocupação na testa. “Sim, ela está comigo”. Aquilo me chamou a atenção. Com quem Dimitri estaria conversando a respeito de mim? Em seguida eu estava me empoleirando sobre Dimitri para tentar ouvir alguma coisa, porém Dimitri ficava andando de um lado para outro, não parecendo muito feliz com o que deveria estar ouvindo. Quando ele parou e respirou fundo, eu tive certeza disso.

“Escuta, Adrian. O que você quer?”. Eu congelei onde estava e segundos depois Dimitri estava me alcançando o telefone.

“Ele quer falar com você”. Eu arregalei os olhos para Dimitri, querendo bater nele por estar me fazendo passar por essa situação. Como eu poderia falar com Adrian depois do que havia acontecido nessa sala de observação? “Ele está esperando”. Dimitri disse ao fechar minha mão no aparelho e saindo de perto, parecendo preocupado. Eu controlei minha ansiedade e finalmente pus o celular no ouvido.

“Oi, Adrian”.

“Rose, nós precisamos conversar”. De fato, nós precisávamos, eu pensei.

“Mas eu não acho que agora seja uma boa hora, Adrian, porque…”

“Lissa está aqui”, ele me cortou assim que eu estava pronta para dar a desculpa de que precisávamos organizar um plano de ataque para o confronto de amanhã.

“O que você disse?”, eu gritei. Então ele me explicou que Lissa, Christian e minha mãe haviam fretado um avião e partiram em direção a St. Vladimir assim que o céu escureceu. Quando eu perguntei o motivo disso, Adrian hesitou um instante, parecendo escolher as melhores palavras.

“Bem, porque a informação que o conselho revelou a elas em sigilo foi de que o alvo do terceiro ataque dos Strigois liderados pela Sra. Karp seria a corte real”. Eu senti meu rosto ficar pálido com a notícia.

“Você está falando sério?”. Eu estava indignada. Estávamos justamente investigando um caso mais do que sujo entre os conselheiros e elas acreditam na primeira coisa que eles lhe dizem?

“Sim, inclusive elas ficaram sabendo que Eugene Lazar havia fugido da corte hoje cedo em um avião, carregando um Dhampir com ele por questões de segurança. E não qualquer Dhampir, mas um que certamente ninguém sentiria muita falta, para não chamar muita atenção. Um Dhampir que nós conhecemos, inclusive: Mikhail”. Eu fiquei tão chocada com o que Adrian me contou que não conseguia falar.

“Rose?”

“Adrian, se Lissa e minha mãe estiverem perto de você, dê um jeito de falar comigo em particular e rápido, por favor”.

“Elas não estão aqui agora, o que houve?”. Eu respirei fundo e contestei o fato de Eugene Lazar ter fugido, explicando sobre a recente visita dele a St. Vladimir, local onde ele disse que aconteceria o terceiro ataque daqueles Strigois. Expliquei também que Eugene trouxe Mikhail consigo pois foi uma exigência da Sra. Karp, que Mikhail e Dimitri estivessem presentes no local do ataque, pois teoricamente era atrás deles que ela estava. Do outro lado da linha, eu ouvi Adrian começar a rir.

“Eu não estou brincando, Adrian! Eu tenho provas do que estou lhe falando.
Acredite, isso aqui vai se tornar um verdadeiro campo de guerra amanhã à noite”.

“Nós já sabemos sobre o ataque. Alberta contou a sua mãe assim que viu ela, Lissa e Christian por aqui. Sua mãe surtou, com razão e saiu atrás de você, afinal os conselheiros que falaram com ela disseram que o ataque seria em três dias, não amanhã”.

“Como você sabe disso tudo?”, eu perguntei.

“Sua mãe me contou quando nos encontramos no meio do caminho, ambos procurando por você”.

“E você acha que é coincidência eles quererem Lissa longe da corte exatamente durante o período da assembléia e ao mesmo tempo mandarem-na para onde os Strigois estão planejando atacar? Acredite, Adrian, eles não estão contando que Lissa volte para fazer outra visita tão cedo”, eu disse percebendo que mesmo minha mãe tendo descoberto sobre o ataque em St. Vladimir, ela poderia até não ficar na escola para lutar, mas também não levaria Lissa de volta a corte antes de pelo menos três dias, com medo de que algo pudesse acontecer lá também. Malditos Morois!

“Ok, mas me esclareça uma dúvida. Se St. Vladimir realmente for o alvo do ataque anunciado e se o ataque realmente acontecer amanhã, você não acha que está perdendo um tempo precioso se escondendo com Belikov pelas dependências da escola?”, Adrian perguntou com uma pitada de maldade.

“Eu entendo que você esteja preocupado, Adrian, mas isso não lhe da o direito de falar desse jeito sobre coisas que você não sabe, ok?”, eu disse.

“O que você quer que eu faça? Sua mãe me encontrou no meio do caminho feliz por imaginar que o namorado de sua filha pudesse saber onde ela estava, mas não! Eu estava tão por fora da situação quanto ela! Pelo menos nosso encontro serviu para eu me inteirar do que estava acontecendo, porém quando fomos até o seu quarto, o que foi uma péssima idéia, tudo que encontramos foi uma enorme bagunça, aquela peruca atirada em cima da cama e você não estava lá! E quando encontramos com Abe agora a pouco, quando ele estava transtornado indo para o hangar, ele disse que também não tinha notícias suas”. Droga! Eu pensei que Dimitri estava agindo a mando de Abe. “Nós então tentamos ligar para você, mas adivinha? Caía direto na caixa postal!”. Essa eu sabia. A bateria do meu celular havia acabado logo em seguida que vi a mensagem de Adrian avisando sobre Jill. Mas pelo visto Adrian não queria realmente que eu respondesse, então apenas deixei que ele terminasse de me dar aquela bronca, pois de certa forma eu sentia como se a merecesse. “Eu não liguei para Dimitri antes porque de alguma forma eu sabia que se eu ligasse, encontraria você e não queria encarar essa verdade. Mas eu acabei ficando sem escolhas”. Adrian se exaltou, recuperando a compostura em seguida. “Olha, eu não quero discutir isso por telefone. Eu só liguei para dizer que Lissa e Christian estão aqui junto com sua mãe e que eles já estão perdendo a paciência por não encontrarem você. Alberta disse para nos encontrarmos na sala dos professores mais tarde, daí conversaremos melhor, ok? Até mais”. Então ele desligou o telefone sem me dar oportunidade de me explicar.

Imediatamente eu me virei para Dimitri e o agradeci por não ter avisado a Abe que ele me seqüestraria do quarto.

“Você realmente acredita que eu agiria pelas costas de seu pai, Rose? Eu trabalho para ele agora! Que tipo de irresponsável você pensa que eu sou?”.

“Se você avisou Abe, então porque Adrian disse que… Meu Deus”, eu parei assim que um pensamento me ocorreu. “Dimitri, é possível que Abe não lembre do que você lhe disse porque Eugene ferrou com a mente dele usando compulsão?”.

“É provável. Nossa memória funciona como uma rede de conexões, então quando Eugene simplesmente apagou uma lacuna de informações da memória de Abe, uma série de conexões foram interrompidas, fazendo com que as informações relativas ao que foi apagado se perdessem apenas pelo fato de não fazerem mais sentido”.

“Bem, nesse caso estamos um pouquinho encrencados, pois Abe não lembra da conversa que você diz ter tido com ele e por isso agora estão todos atrás de nós achando que o pior aconteceu”, eu disse, constatando o que parecia ser óbvio. “Nós precisamos sair daqui”. Porém não fomos a lugar algum antes de Dimitri contatar Alberta para sabermos do paradeiro de Eugene, afinal tudo o que não poderia acontecer era nos depararmos com ele no meio do caminho. Felizmente ela nos deu a noticia de que já havia despachado Eugene de volta a corte, uma vez que ele havia terminado seus negócios por aqui. Talvez ele sim. Mas, nós? Bem, nós estávamos apenas começando.

Era o início do dia para os Morois e como ainda estávamos no período de férias e os alunos presentes na escola estavam lá apenas por questões de segurança, não existia um rigor para os horários, logo não era surpresa que a grande maioria aproveitasse para levantar mais tarde, principalmente porque não havia muito o que fazer por lá nessa época do ano. Isso era bom, pois eu e Dimitri precisaríamos andar pelos corredores para ir até a sala dos professores da escola, local indicado por Alberta para nos encontrarmos com o resto do pessoal, como Adrian havia dito, por ser um lugar com acesso restrito e onde, por sorte, Dimitri sabia como chegar.

Por mais que a escola ainda estivesse vazia, a rota que seguimos, além de alternativa, não passava nem perto das acomodações dos alunos. Eram caminhos desconhecidos até mesmo por mim, que quase nasci dentro deste lugar, provando que existe um mundo além do que os nossos olhos podem ver, um mundo onde… Eu congelei e parei de correr, fazendo com que Dimitri parasse também, após quase me arrancar o braço fora, quando eu senti minha cabeça ser esmagada por uma dor que eu conhecia muito bem, seguida de visões de fantasmas que também não eram nenhuma surpresa.

“Rose, o que há de errado com você?”, Dimitri perguntou parecendo preocupado.

“Minha cabeça”, eu disse entre os dentes, abaixando-me com as mãos ao redor dela. “Meu Deus, eles estão gritando tão alto”, eu reclamei. Dimitri não fez mais perguntas, apenas se abaixou, colocando um dos braços atrás de minhas costas e outro por baixo dos joelhos.

“Não se preocupe, eu peguei você”, ele falou baixinho, erguendo-me do chão e me carregando com cuidado, como se soubesse que minha cabeça parecia que ia explodir.

Enquanto seguíamos para a sala dos professores, eu tentava me concentrar e bloquear aquelas visões ou pelo menos as vozes que ecoavam na minha cabeça, pois o som era o que definitivamente me incomodava mais. Não eram palavras sendo ditas, era apenas um burburinho de grandes proporções, como se todos aqueles fantasmas estivessem falando ao mesmo tempo, discutindo, gritando, lamentando. Tapar os ouvidos com as mãos não funcionava, aliás piorava a situação, dando a impressão de que o som ecoava dentro de mim.

“Calem a boca, por favor, calem a boca”, eu sussurrei, como se eles pudessem me ouvir. O barulho continuava. “Por favor, eu não posso ajudá-los assim. Pelo amor de Deus, calem a boca” eu continuei murmurando e me irritando conforme o tempo passava e eu não conseguia me concentrar para bloqueá-los da minha mente. Minha respiração começou a ficar acelerada e eu massageava as têmporas na tentativa de aliviar a dor. “Eu disse, calem a boca!”, eu gritei em voz alta, surpresa por imediatamente ter sido ouvida. O silêncio parecia acariciar meus ouvidos , embora eu ainda pudesse ver formas translúcidas flutuando ao meu redor com expressões assustadas e algumas irritadas, algo que ainda não era agradável, mas que eu poderia tolerar.

Ao chegarmos na sala dos professores, Dimitri abriu a porta comigo ainda nos braços, acabando com qualquer intenção dos que estavam lá dentro de começarem a me interrogar para saber onde eu estava até agora.

“Meu Deus, Rose, o que aconteceu?”, Lissa perguntou já levantando da cadeira e vindo na minha direção pronta para me curar de qualquer coisa, caso fosse necessário. Eu a tranqüilizei dizendo que estava tudo bem, enquanto Dimitri me colocava de volta ao chão, anunciando que eu informaria a respeito do que havia acontecido, pois ele precisava encontrar Alberta no ginásio para tratar de assuntos importantes. Ele não comentou nada sobre o ataque dos Strigois para não correr o risco de falar mais do que deveria, mas a verdade era que ele ia ajudar Alberta na determinação de estratégias de ataque, pois soldados já haviam sido recrutados e aquele ginásio deveria estar um verdadeiro caos.

“Posso ter uma palavrinha rápida com você la fora, Dimitri?”, eu perguntei como quem não quisesse nada. Ele franziu a testa enquanto eu o empurrei para fora da sala, antes que ele pudesse dizer alguma coisa.

“O que foi?”, Dimitri questionou.

“Você vai me deixar sozinha aqui? Qual é Dimitri?! Cada pessoa do outro lado dessa parede tem no mínimo uma razão para querer minha cabeça e eu vou ter que enfrentá-las ao mesmo tempo e sem cobertura?! Não é justo!”, eu resmunguei.

“Você fala como se estivesse lidando com seus inimigos! Lá dentro estão seus pais, sua melhor amiga e…seu namorado”, Dimitri finalizou meio incomodado. “Você pode confiar em todos eles, então não se preocupe, ok?”, ele finalizou, aproximando-se e me dando um leve selinho na boca.

“Dimitri…”, eu comecei a frase mas não tive coragem para continuar.

“Diga, Roza, não esconda seus pensamentos de mim”. Com isso ele não me deixou escolhas, a não ser criar coragem para pedir a ele algo que seria difícil para nós dois. Difícil, mas extremamente necessário.

“Nós não podemos simplesmente ignorar que o mundo está virado de cabeça para baixo e agir como um casal apaixonado diante dos olhos de todos, principalmente por causa de Adrian. Eu.. eu preciso falar com ele primeiro. Eu devo isso a ele”. Como a egoísta que eu sou capaz de ser, eu havia deixado as coisas irem muito longe, fazendo Adrian sofrer demais e eu estava cansada disso. Dimitri não havia me prometido um relacionamento duradouro nem nada do gênero, mas a verdade era que eu o amava como eu nunca poderia amar alguém, nem mesmo Adrian e, de alguma forma, até Adrian sabia disso. Eu era a única que preferia fingir que não era bem assim. Eu fingi tanto que acabei acreditando na minha própria mentira. Eu sou um monstro.

Dimitri respirou aliviado e sorriu, como se ele estivesse esperando algo pior. “Claro, Rose. Leve o tempo que precisar, não tenha pressa. Quer dizer, nós estamos no meio de um campo de guerra, talvez não seja a melhor hora”.

“Não, Dimitri. Eu já esperei demais”, eu disse com um suspiro. Dimitri então me abraçou forte e beijou o topo da minha cabeça.

“Como eu disse, leve o tempo que precisar. Enquanto isso, eu prometo beijá-la apenas quando ninguém estiver por perto”, ele sussurrou no meu ouvido, fazendo meu corpo estremecer com o arrepio causado por aquelas palavras. No segundo seguinte Dimitri estava seguindo rumo ao ginásio.

 

Eu então olhei de volta para a porta e respirei fundo, repetindo mentalmente que na primeira oportunidade que houvesse eu falaria com Adrian, esperando que ele fizesse o favor de não me perdoar e ainda me odiar pelo resto de sua vida. Eu tive que rir. Nunca seria tão fácil assim. Adrian certamente tentaria ser compreensivo, como ele sempre faz e essa seria justamente a parte mais difícil, porque não importa o quão grande ele provar ser seu coração: pelo bem de nós dois, dessa vez eu teria que achar forças para recusar o que ele estivesse disposto a me oferecer.

Tendo feito esse acordo comigo mesma, eu abri a porta e entrei novamente porque o tempo estava passando e eu não poderia perder mais nenhum precioso segundo com auto-piedade.

Ao invés de ser questionada sobre uma dúzia de coisas, como esperava, fui surpreendida por um silêncio ensurdecedor. Tudo o que eu ouvi foi o som de um copo ser servido e ao seguir com os olhos naquela direção vi Adrian enchendo uma espécie de taça com um líquido verde claro. Eu franzi a testa momentaneamente ao não enxergar a tradicional garrafa de Vodka ao seu lado, porém quando vi melhor o rótulo do que ele estava prestes a ingerir, eu simplesmente fiquei cega pela raiva que tomou conta de mim. Eu arranquei o copo das mãos dele poucos segundos antes de sua boca provar o que deveria ser a sua terceira dose de absinto com uma porcentagem alcoólica de 80% e o joguei contra o chão com tanta força que estilhaços de vidro voaram por todo lado. Adrian permaneceu como se nada tivesse acontecido, fixando seu olhar na garrafa parcialmente vazia a sua frente.

“Nós não precisamos disso agora”, eu disse.

“Talvez não você. Eu sei que eu preciso”, foi o que ele respondeu, ainda sem me encarar, ao pegar a garrafa para beber direto do gargalo.

Completamente fora de sério e nada delicada, eu tirei a garrafa da mão de Adrian, atirando-a contra a parede com toda a minha força. Adrian apenas apertou os olhos no momento que a garrafa chocou-se contra o concreto.

“Não, você não precisa”, eu disse entre os dentes. Eu percebi pelo tom de voz com que ele havia falado no telefone, o quanto ele estava chateado comigo. Vodka daria conta disso e eu não me importaria de vê-lo empinar uma garrafa inteira goela abaixo, se fosse o caso. Mas uma garrafa de absinto? Com aquele alto teor de álcool?

Isso era suficiente para saber que Adrian tentava neutralizar algo mais forte do que mágoa e quando ele finalmente olhou nos meus olhos, eu vi o que era.

Chamava-se dor.

~~~~~~~~~~~~~~* * *~~~~~~~~~~~~~~

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10 Comentários leave one →
  1. Jaíne permalink
    02/06/2011 7:09 PM

    \o/
    Little, rainhaaaaaaaaaaaaaaaaaaa \o/

    PQPQPQPQPQPQPQPQP

    Eu estou sem palavrassssssssssssssss

    Eu não vou mais dizer que está bom, pois está maravilhoso!!!!!!!!!!!!!!!
    Queroooooooo mais!!!!!!!!

    Tô com medo de sua fic acabar e eu ficar na deprê de novooooooo!!!!!!!!!!
    Como vou viver sem meu Deus Russo gregooooooooooo??????????????????

    nhááááá

  2. Bárbara permalink
    02/06/2011 7:57 PM

    MEU DEUS!!!!!!!!!!!!!!!!!! Adorei o capítulo eu até chorei Pq eu fiquei chocada e emocionada ao mesmo tempo. Mas eu fique com muita dó do Adrian. Tá eu sei q a Rose ama o Dimitri e ele ama ela e os dois tem q ficar juntos, mas quando o Adrian tipo q descobre tudo sem ninguém ter contado Pra ele dá muita dó pois ele tinha o direito de saber pela Rose e ñ por si próprio.
    Quero mais capítulos!!!!!!!!!!To morrendo de curiosidade. Por favor escreve mais Pra gente.

  3. .:Little.Crazy.Dhampir:. permalink
    02/06/2011 9:17 PM

    Oi gente! Nossa que bom que vocês gostaram! Eu sempre fico insegura quanto as coisas que escrevo e justo nesse capítulo eu não queria desapontar vocês! Aliás eu quero explicar o meu drama (sim isso pode levar algumas boas linhas hehehe). Vampire Academy é uma série YA (young adult) e por isso não contém cenas picantes explícitas como acontece em séries como Night Huntress, usando o exemplo surgido nos comentários. E eu quando escrevo essa fanfic procuro me manter o máximo possível dentro dos padrões da série original, logo na teoria eu não escreveria uma cena mais detalhada entre Rose e Dimitri como eu fiz no capítulo 30. Tá certo que não chega aos pés de nada protagonizado pelo Bones, mas considerando que estamos falando de Vampire Academy, acho que posso dizer que avançamos um nível sem sair muito do nível, se é que vocês me entendem, hahahaha. Eu fiz isso por um único motivo: é minha forma de ir me despedindo da série, da fanfic, de Rose e Dimitri. Mesmo sem cenas quentes detalhadas eles conseguiram me conquistar e minha forma de agradecer a eles por tornarem esse mundo literário tão mais interessante foi escrevendo essa cena. Eu sai do protocolo, fugi do padrão, mas nao me arrependo! =DD

  4. Joyce Melo permalink
    02/06/2011 9:39 PM

    aaai, eu acho tão lindo a história de dimitri e da rose… mas quando penso no adrian… poxa ele é tão fofo, morro de dó.
    Ansiosa para o proximoo. 😀

  5. Audrey permalink
    02/07/2011 2:05 PM

    Aimeudeus, tadinho do Adrian, e de novo, FDP do Lazar!
    hahaaha, dá muiito bem para se contentar com esse cap 30! Obrigada Little!

    nháa dá para se contentar mas eu quero mais!!!!!

  6. Roza s2 Dimka permalink
    02/07/2011 2:23 PM

    AMEI!AMEI!AMEI!fiko super hiper demais esse cap,eu tenho mta dó do Adrian~,ele é tão fofo e amoroso e em todas as fics ele é corno e fika sem a Rose ,espero sinceramente que ele fike com alguém nessa,pq eu achei sacanagem que no original ele tenha acabado só.Sua fic é suer super!Super loka por mais.
    Beijos! =D

  7. .:Little.Crazy.Dhampir:. permalink
    02/07/2011 2:25 PM

    ai genteeeeeeeeeeeee CUIDADO COM OS SPOILERS, POXA! EU NÃO LI O ORIGINAL AINDA =/
    E não quero saber de NADAAAAAAAA

  8. Mari permalink
    02/07/2011 10:40 PM

    Amei a fanfic!!!!!!!! o Adrian é mto fofo,deu pena dele, espero que ele fike com alguém!!!!!!
    hahaaha, to triste q a teja acabando q já to ficando depre
    Sua fic é suer super!!!!!
    Beijos! =D

  9. Roberta permalink
    02/08/2011 8:25 AM

    Pedido de grávida e demais atendido!!! Obrigada Little. Meu baby agradece rsrsrsrs Não fique pensando que passou dos limites pois não acho de forma alguma. O livro é para adolescentes mas sua fic não precisa ser ou em alguns momentos não precisa ser… Bjs e mais inspiração!!!

  10. jhm permalink
    03/03/2014 11:24 PM

    Muito lindo. Amo a saga da academia de vampiros.

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